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Clipagem de 15 a 17 de fevereiro

17.2.2014

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE 15.02.2014

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

Estado reajusta diária em 25%

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de SC, coronel Marcos de Oliveira, anunciou, durante visita ao quartel-sede do7o Batalhão BM em Itajaí, no Litoral Norte, a autorização do aumento de 25% no valor da indenização paga aos guarda-vidas empregados em todo Estado na Operação Veraneio 2013/2014. A partir de 1o de março os profissionais passarão a receber diária de R$ 125.
A concessão do reajuste foi assinada na quarta-feira pelo governador Raimundo Colombo, que aprovou o aumento – demanda encaminhada pelo secretário de Estado da Segurança Pública (SSP), César Augusto Grubba, como forma de reconhecimento dos bons serviços prestados a catarinenses e turistas durante a temporada.

Barrados no baile

A Polícia Militar decidiu proibir a participação dos blocos carnavalescos Gaviões Alvinegros (Figueirense) e Mancha Azul (Avaí) na Passarela do Samba, dia 2 de março. A prefeitura já comunicou que vai acatar a orientação da PM.A medida foi motivada pelo histórico de confronto entre integrantes dos blocos, que também representam as torcidas organizadas dos dois clubes de Florianópolis.
A PM entende que existe elevado risco de incidente caso aconteça um encontro na noite do desfile. É uma ducha de água fria para a a grande maioria dos integrantes dos blocos, foliões que amam Carnaval. No entanto, a decisão parece a mais acertada no momento em que a violência impera nas ruas e o bom senso cala país afora.

 

ASSUNTO: OPINIÃO DA RBS

VEÍCULO: Diário Catarinense

BARBÁRIE NAS RUAS

Fazer justiça com as próprias mãos é a falência do Estado Democrático de Direito. Porém, sentindo-se desamparados pelo poder público, moradores de um bairro de Itajaí assumiram a condição de justiceiros na última quinta-feira, amarrando a um poste e agredindo um rapaz que tinha acabado de participar do assalto a um restaurante. Junto com um comparsa, que conseguiu fugir com R$ 2 mil, o criminoso apontou uma arma para o dono do estabelecimento. É compreensível a revolta do comerciante que foi vítima da ação trabalhador, casado e pai de três filhos , mas é inadmissível que a sociedade tome para si uma prerrogativa que é dos poderes constituídos. No caso em questão, o correto seria a imediata comunicação da ocorrência à polícia. Qualquer coisa além disso é intolerável.
Os justiceiros surgem, porém, da omissão do Estado. Quando a polícia e a Justiça não fazem o que os cidadãos esperam e precisam, eles buscam alternativas desse tipo, às vezes até pior, submetendo-se à proteção de traficantes e bandidos. Casos parecidos têm sido frequentes no país. Recentemente, uma das imagens mais difundidas do país no exterior foi a do adolescente acorrentado a um poste no Rio de Janeiro, depois de ser acusado de roubo e espancado por uma milícia de justiceiros.
A generalizada reação de apoio à reação dos moradores nas redes sociais, logo após a divulgação da foto do rapaz agredido em Itajaí, merece profunda reflexão. Acuada, a sociedade parte para a agressão, mas parece não perceber que ela será ainda mais vítima se esse tipo de ação se disseminar. Antes que tais descalabros se generalizem, é impositivo que os cidadãos brasileiros reajam com determinação. Não para entrar em luta com os bandidos, mas sim para cobrar mais ação dos governos, das forças de segurança e do Judiciário. Que os poderes estabelecidos cumpram o seu dever, promovam operações ostensivas que comprovadamente inibam os marginais, organizem campanhas de desarmamento, julguem com celeridade os criminosos, invistam em penitenciárias e criem mais vagas nos presídios, retirem de circulação os delinquentes, previnam e combatam o tráfico de drogas e deem atenção mais efetiva e mais constante aos cidadãos que os sustentam com seus impostos. Casos como os ocorridos em Itajaí têm sido frequentes no país, mas é inadmissível que a sociedade tome para si uma prerrogativa que é dos poderes constituídos

 

ASSUNTO: EXPLOSÃO EM FÁBRICA DE BARCOS

VEÍCULO: Diário Catarinense

Explosão deixa cinco feridos

Uma explosão na fábrica de barcos Schaefer Yachts, às margens da BR-282, em Palhoça, deixou cinco feridos ontem.
Conforme o Corpo de Bombeiros, a explosão foi em uma das embarcações que estavam no depósito e que estava pronta para ser entregue.
– O vapor do próprio combustível pode ter causado a explosão – disse o comandante de área do 10o batalhão dos Bombeiros da Grande Florianópolis, Fábio Fregapani Silva.
Segundo o comandante, um dos feridos é o comprador da lancha, que teve queimaduras em 30% do corpo e foi encaminhado ao Hospital Universitário. Os demais feridos tiveram queimaduras mais leves e foram levados ao Hospital Regional de São José.
Em comunicado oficial, a empresa informou ontem que está “oferecendo assistência às cinco vítimas, que foram encaminhadas imediatamente a hospitais da região, com apoio do Corpo de Bombeiros. E irá acompanhar todo o tratamento e oferecer suporte às famílias”.

 

ASSUNTO: Justiceiros

VEÍCULO: Diário Catarinense

O limite entre justiça e agressão

Um suspeito de assalto amarrado a um poste e agredido quinta-feira, em Itajaí, fomenta a discussão sobre os últimos episódios no país envolvendo cidadãos comuns que agem pelas próprias mãos. A prática de buscar justiça por meio da agressão mostra que há algo errado, o que leva à desconfiança sobre o poder das autoridades em defender a sociedade
Dois suspeitos assaltam um restaurante no bairro Cordeiros, em Itajaí, Litoral Norte de SC. Rendem os clientes com arma em punho, levam cerca de R$ 2 mil e fogem a pé. O dono do restaurante consegue alcançar um deles, que está desarmado, e o amarra em um poste à espera da polícia. Enquanto isso, um grupo de pessoas desconta a indignação com chutes e pontapés contra o rapaz preso.
Os personagens centrais desta história são Rafael Assis Chaves, 26 anos, o suspeito do assalto, e Jorge Ademir Bao, 53, o dono do restaurante. Após ter uma arma apontada na cabeça, Bao acreditou que o melhor era manter o rapaz preso até a chegada da polícia.
A cena em Itajaí já se repetiu no Rio de Janeiro e em Florianópolis, e em outras cidades do país. O fato de cidadãos comuns agirem pelas próprias mãos, desacreditados da Justiça, leva à reflexão.
Luiz Fernando Flores Filho, presidente da Comissão de Segurança, Criminalidade e Violência Pública da Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina critica a ação da população que agrediu o suspeito. Ele destacou que populares “extravasaram” seus direitos quando bateram e humilharam o homem.
O presidente da comissão acredita que não se pode compactuar com a ação de justiceiros, que os cidadãos não podem começar a assumir as responsabilidades dos órgãos públicos.
– Ao tomarem atitudes como estas acabam assumindo riscos e podem se tornar vítimas da situação. O policial tem a responsabilidade de capturar um criminoso, mas, se o cidadão faz isso, o criminoso pode querer se vingar. Brincar de justiceiro é muito perigoso – diz.
Responsável pelo inquérito do assalto, o delegado Gilberto Cervi informou que não vai apurar as agressões sofridas pelo detido, pois não houve queixa ou reclamação. A investigação foi encerrada ontem e o caso encaminhado ao Fórum.
– Em oportunidade nenhuma o suspeito falou que foi agredido. Ele não deu queixa contra ninguém, tanto que ele não quis nem falar. Só vai falar e juízo – afirmou.
Conforme Cervi, o suspeito teve ferimentos leves, no joelho e no cotovelo. Chaves já havia sido preso por violência doméstica, segundo a Polícia Civil, e foi detido em flagrante quinta-feira por suspeita de cometer o assalto.
– Ele inventou um nome, disse que era um tal de Antônio que estava junto com ele. A motocicleta era de um cara de Gaspar e não tem registro de ocorrência de furto. Possivelmente pode ser o dono da moto o outro cara – completa.
O rapaz foi encaminhado para o presídio da Canhanduba. Com ele foram recuperados alguns pertences das vítimas. Até a tarde de ontem o suspeito que acompanhava Chaves não havia sido localizado.

Dono de restaurante prendeu o suspeito do assalto

A calma com que pronuncia cada palavra destoa da indignação que Jorge Ademir Bao, 53 anos, sente ao lembrar que teve uma arma apontada para si. Ele é o dono de um restaurante no bairro Cordeiros, em Itajaí, assaltado na tarde de quinta-feira. É também o responsável por prender um dos suspeitos em um poste até a chegada da polícia.
Após ser amarrado, Rafael Assis Chaves, um dos dois suspeitos do assalto, foi agredido por clientes do restaurante com socos e pontapés. A ação não foi impedida pelo dono do restaurante que diz que, mesmo que quisesse, não conseguiria, pois havia mais de 50 pessoas batendo no rapaz.
– Não tinha quem contivesse – disse.
Bao conta que usaria os R$ 2 mil roubados para pagar contas e que teriam sidos levados pelo suspeito que conseguiu fugir.
– Hoje em dia só pai de família é que morre, você só vê gente boa morrendo. O bandido é preso e daqui uns dias já sai – diz.
Dono do restaurante há cinco anos, Bao conta que essa foi a primeira vez que foi assaltado. Segundo ele, os dois rapazes de moto chegaram ao local por volta das 13h30. O comerciante estava de costas para o balcão lavando louça quando sentiu um revólver encostar nas costelas.
Quando se virou, o comparsa do jovem amarrado havia rendido os clientes. O suspeito armado pegou cerca de R$ 200 que estavam no caixa e R$ 2 mil que estavam no bolso do comerciante. Um cliente do restaurante percebeu a ação e tirou a chave da ignição da moto que os suspeitos haviam deixado estacionada. Então, a dupla foi obrigada a fugir a pé.
Bao foi de carro atrás dos suspeitos. O que estava armado conseguiu fugir supostamente furtando uma bicicleta. Chaves foi pego pelo comerciante. Ao voltar para o restaurante, Bao disse que amarrou Chaves a um poste. Os clientes do restaurante acompanhavam a situação e o jovem acabou agredido.

Outros casos

Um homem de 32 anos assaltou uma lanchonete no bairro Ingleses, em Florianópolis, no dia 14 de novembro de 2013. Ele levou R$ 650, um notebook, um celular e fugiu a pé, mas foi encontrado por mais de 20 pessoas, que, ao perceberam que ele não portava arma de fogo, o agrediram para recuperar os objetos..
Um adolescente foi acorrentado a um poste no Rio de Janeiro, depois de ser acusado de roubo, espancado por justiceiros em 31 de janeiro.
Em Blumenau, Vale do Itajaí, um homem suspeito foi detido e agredido por pedestres após um assalto no Centro, em dezembro de 2012. De acordo com a PM, dias antes o rapaz havia assaltado uma loja na mesma rua. Depois do segundo crime, ele foi reconhecido pela primeira vítima e quatro homens o agrediram. A Guarda de Trânsito o prendeu até a chegada da PM para evitar o linchamento. › Em Florianópolis, cerca de 80 moradores da Barra da Lagoa, no Leste da Ilha de SC, reuniram-se para linchar 10 jovens supostamente traficantes no bairro em dezembro de 2011..

Repercussão

A agressão a um suspeito de assalto em Itajaí gerou mais de 200 comentários no site do Diario Catarinense. Confira algumas opiniões

MARCELO VENTURI, Florianópolis

Violência gera violência e a regra de justiça pelas próprias mãos só gera injustiça. Se conseguiram pegar o cara em flagrante, que encaminhem para a polícia e prestem queixa em sua presença. Esse é o correto! Fora isso, vamos amarrar todos os que desconfiamos que sejam criminosos por algum motivo, mesmo que não tenhamos provas.

MARIS STELLA, Blumenau

O problema é que o povo está cansado de tanto esperar pelo poder público, pela segurança e está chegando ao limite da paciência e tomando nas mãos o direito de se defender, porque, com certeza, se o bandido tivesse êxito, teria matado sem piscar os olhos…

JOÃO RONALDO FOSTER, Blumenau

Se certos elementos não têm vergonha de serem bandidos, pelo menos, terão vergonha da exposição pública e, com isso, podem até mesmo repensarem seus atos, o que pode originar uma mudança de atitude. Apenas não concordo com a agressão física. A polícia, devido à inércia do Estado, mostra-se incapaz de melhor proteger o cidadão

KENNY SILVA, Joinville

Quem está fazendo isso é tão bandido quanto o criminoso! Punir o criminoso? Claro que sim, através do devido processo legal e somente quem tem legitimidade para tanto, o Estado. O cidadão responderá o processo, em liberdade ou preso, mas ao final receberá a sua pena se for culpado. Justiça sim, barbárie jamais.

 

ENTREVISTA – “Estamos em um processo caótico”

Este tipo de atitude, como a de Itajaí, é a constatação física da insegurança, diz o cientista social e coordenador do Instituto de Pesquisas Sociais da Univali.

Diário Catarinense – O que está acontecendo com a sociedade?
Sérgio Januário – Estamos num estado que chamamos de “anomia” – ou seja, uma ausência de regras. As pessoas resolvem por si mesmas ou acreditam que todos estão no mesmo domínio, pensando da mesma maneira.

DC – O que pode acontecer depois disso?
Januário – Quando anulamos o Estado de Direito colocamos em risco as regras sociais como cidadania, Justiça e recorremos a outras referências. Já que sentimos a ausência da segurança preventiva vou produzir outros valores de grupo como, por exemplo, o linchamento e coloca à deriva os direitos humanos, que são voltados para o ser humano tentando garantir as igualdades sociais. Isso agora se inverte e estamos caminhando para um processo caótico.

DC – Cite um exemplo deste processo.
Januário – Você não poderia andar em determinados bairros, por exemplo, em razão de valores que outras instituições não mediam.

DC – Estes recentes casos servem de incentivo para novos grupos de justiceiros?
Januário – Há um convencimento de que um grupo vai produzir segurança para aquele local. Se eu faço Justiça com as próprias mãos, a lei está apenas na minha cabeça, mas não em mim. Você fez isso, agora vou me vingar. E falta pouco para a sociedade chegar neste ponto. E se as pessoas estiverem armadas? Isso é muito temeroso e se alguém for confundido com um bandido?

DC – O que deve ser feito para evitar que isso aconteça?
Januário – É preciso inibir isso, dizer que é incorreto. As pessoas precisam voltar a acreditar na polícia preventiva, a polícia precisa demonstrar a sua presença, para que as pessoas se sintam seguras. Precisamos ter senso de segurança preventiva, porque quando a pessoa está no limite, ela ataca.

 

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 16 DE FEVEREIRO

 

COLUNISTA HÉLIO COSTA – Notícias do Dia

Torcidas querem desfilar

Proibir a participação dos blocos de Avaí e Figueirense em cima da hora não é legal. A recomendação foi da Polícia Militar. A PM, que alega a violência nos estádios, não quer ver a Mancha Azul e a Gaviões Alvinegros na passarela Nego Quirido, no dia 2 de março. A PM tem bola de cristal? E durante o Carnaval tem crimes a esclarecer e a se prevenir também. Os blocos estão organizados, com fantasias prontas e pessoas que querem brincar? É preciso sempre se conscientizar, seja na passarela ou nos estádios. A Polícia Militar poderia usar sua bola de cristal para esclarecer homicídios, combater o tráfico e a violência.

 

COLUNISTA PAULO ALCEU – Notícias do Dia

Sociedade primitiva

Quem faz justiça com as próprias mãos, não deixa de estar fazendo violência com as próprias mãos. Foi o que ocorreu, nesta semana, em Itajaí, quando populares pegaram um ladrão, bateram nele e o amarraram num poste, até a chegada da polícia. Ou seja: atitudes que acabam os igualando ao criminoso. Justiça com as próprias mãos é atributo de uma sociedade primitiva. A meta não é retroceder, mas sim avançar. O que deve ser observado nessas reações emocionais e de revolta é o sentimento de insegurança e descaso das autoridades. Isso é que vem gerando um certo descontrole da sociedade, que não suporta mais ser refém de uma criminalidade que vem crescendo e se sustentando em leis, muitas vezes brandas, que recolocam marginais na rua, os quais retomam a rotina de assaltos e assassinatos. É condenável qualquer reação justiceira. Não há justificativas.

E fica claro que o avanço da violência está levando o cidadão comum a um limite perigoso. Até porque, ninguém está realmente seguro em lugar nenhum. Nem dentro de casa. Essa é a questão que deve ser debruçada e debulhada. A criminalidade não pode tomar proporções provocando, inclusive, ações condenáveis de uma sociedade primitiva. Uma sugestão: faça justiça, mas como os próprios dedos, quando for à urna nas eleições deste ano. Essa sim é importante…

 

COLUNISTA RICARDINHO MACHADO – Notícias do Dia

Aliás

Prefeito Cesar Júnior saiu às pressas na última quinta-feira, adiando seus compromissos para atender um chamado do secretário de Segurança, César Grubba. A pauta era justamente o Congresso Técnico da Copa do Mundo, que vai acontecer nesta semana no Costão do Santinho. A pedido de Brasília, todos os poderes precisam estar atentos ao primeiro pré-evento da Copa no Brasil. Se der algo errado por aqui, é mais um motivo para desesperar o COB (Comitê Oficial do Brasil).

Segredo

São cerca de 280 policiais federais especializados em ações antiterroristas que já estão baseados no resort Costão do Santinho. Sabem tudo de bombas químicas, líquidos explosivos e desarmamento de artefatos bélicos. Pode ter gente interessada não somente em pichações em chafariz. E não pode ter esguicho fora da pichorra.

 

ASSUNTO: Crack

VEÍCULO: Diário Catarinense

Cai fluxo de pessoas na Cracolândia

No balanço de um mês do programa Braços Abertos, completado sexta-feira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), estimou que o tamanho do chamado “fluxo” diário da Cracolândia – ponto onde os dependentes de crack ficam consumindo e vendendo a droga – está 70% menor do que era. Por lá, circulavam cerca de mil pessoas. Agora, são cerca de 300, disse Haddad.

 

ASSUNTO: Manifestações

VEÍCULO: Diário Catarinense

Governo planeja lei para conter violência

O governo federal vai enviar ao Congresso Nacional, em regime de urgência, um projeto de lei para tratar do direito à liberdade de manifestação e para estabelecer sanções para casos de vandalismo, lesão corporal e homicídio. O texto não deve prever veto ao uso de balas de borracha.

 

ASSUNTO: Entrevista com Renato Hendges – Delegado

VEÍCULO: Diário Catarinense

“O bandido sempre deixa rastro”

Desde 1980, quando atendeu ao primeiro sequestro, o delegado Renato Hendges, 65 anos, tornou-se símbolo da Polícia Civil catarinense na investigação e prisão de um dos crimes que mais traz pavor e transtornos psicológicos às vítimas e familiares.
Agora, a luta contra o segundo câncer interrompe a saga de 34 anos contra sequestradores. O pedido de aposentadoria para cuidar da saúde representa o fim da era Renatão, como é conhecido, na Divisão Antissequestro da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Florianópolis.
Foram mais de três décadas, pelo menos 30 casos de sequestros resolvidos somente em Santa Catarina – além de casos em outros Estados. Com a saída do agente mais experiente da Polícia Civil catarinense, foi dissolvida a equipe da divisão. Alguns policiais o acompanhavam há décadas. O grupo alcançou resultados impressionantes: esclareceram todos os sequestros praticados no Estado, libertando vítimas de cativeiros e prendendo quadrilhas – algumas internacionais e que causaram pânico em todo o Brasil entre as décadas de 1980, 1990 e 2000.

Diário Catarinense – Como foi a decisão de se aposentar?
Renato Hendges – Profissionalmente, acho que cumpri a minha missão como policial. Me considero realizado. Podia ter me aposentado há 18 anos. Sou totalmente satisfeito com minha família, que hoje está unida me dando força; com os amigos, as manifestações das pessoas e da sociedade.

DC – Em quantos sequestros atuou?
Hendges – Todos em Santa Catarina a partir de 1987 como delegado. Antes, em 1980, atendi um como comissário. Também dois no Mato Grosso, um em Maceió (Alagoas) e um na Argentina (representante da Busscar de Joinville), que graças a Deus foi solto. Fui lá para salvar. Porque o anterior mataram e o posterior também. Lá na Argentina a lei não permite, em tese, pagamento de sequestros, e a imprensa divulga fatos. Num deles, publicou que a polícia tinha rastreado um telefonema. Foram lá e mataram o cara no cativeiro.

DC – O senhor aconselha o pagamento do resgate?
Hendges – O sequestro tem que negociar e pagar. Mas depois a polícia tem que agir. Tem que pagar o menor valor possível porque se oferecer logo o dinheiro eles são capazes de exigir o dobro. Deve-se negociar exaustivamente por causa da segurança da vítima e só com orientação da polícia. Deve-se entrar em contato imediatamente com a polícia. A técnica é assim: temos uma equipe pronta para atuar e já vou orientando o delegado da cidade a tomar algumas providências.

DC – Qual a prevenção para evitar os sequestros?
Hendges – Evitar muita exposição na mídia. Tem ainda a questão de funcionários que podem estar envolvidos com pessoas… É difícil. O sequestro diminuiu muito no Brasil. A polícia se organizou e começou a ter experiência. O auge ocorreu nas décadas de 1990 e 2000. Aqui íamos para um hotel, onde era feita a reunião. Era 24 horas ali. Nunca na casa da família. A gente transferia até o telefone da família.

DC – Teve sequestro de pessoa humilde?
Hendges – Teve uma menina de Barreiros, de oito anos. A mãe, às 6h, quando recebeu o telefonema, reconheceu a voz do sequestrador, que era o próprio padrinho. Em 24 horas tivemos que agir senão iam matar a menina. A mãe chamou o sequestrador pelo nome.

DC – Além da inteligência policial, o que é preciso para investigar sequestros?
Hendges – Tem que ter malandragem. Na minha delegacia fizemos a primeira interceptação de telefone celular no país, a primeira de MSN (caso de uma grávida desaparecida em Joinville). Ela fugiu e nem estava grávida. Tive que movimentar operadoras e provedores. Ela trocava mensagens com o marido, com suposto nome falso. Também fizemos a primeira interceptação da quebra da caixa do IMEI em caso de pedofilia. O cara ia na lan house, abria o endereço e botava todo o conteúdo de pedofilia na rede. Onde fica esse material? Na operadora da Microsoft, nos Estados Unidos. Vieram 300 gigas de material de pedofilia. Foi a primeira quebra de endereço eletrônico.

DC – O senhor manteve a mesma equipe ao longo desses anos?
Hendges – Tinha uma equipe. O Mário Rocha trabalhou 26 anos comigo. Agora foi para o expediente da Deic com a Rossi. O Martins e o Tiago foram para outras equipes. Não sei como fica. Quem vai atuar num caso de sequestro agora cabe ao diretor do Deic decidir. Só fui lá, peguei as minhas coisas. Não sei quem vai me substituir. Deixo a critério de quem vai ter essa responsabilidade daqui para a frente. Tem que continuar. Porque o crime de sequestro sempre vai repercutir, por causa da vida. Uma falha qualquer pode pôr em risco a sobrevivência da vida no cativeiro.

DC – Os casos de sequestros estão diminuindo em Santa Catarina?
Hendges – Totalmente. A própria imprensa dizia que aqui todos os casos eram resolvidos. Mas tem que manter porque hoje a maioria – vai numa roda de droga – o que eles pensam: “vamos sequestrar o filho do dono do jornal, o dono da empresa tal, que tá aparecendo”. Houve um período em que havia quadrilhas.

DC – E o sequestro mais tenso?
Hendges – Foi o dos Brandalise (dois filhos da família, de 8 e 14 anos, em Videira, em 1988). Teve tiroteio mas não participei porque comandava a negociação em Videira com a família, orientando e tal. Quando entrevistei os garotos, repassei à equipe a informação. Em Camboriú houve o pagamento, as ligações, o cativeiro era por ali e um Buggie vermelho foi abordado. Trocamos informações e em duas horas levantamos quem estava envolvido, um policial inclusive. Eram do Mato Grosso, Neder Vicente Nunes e Lafaiete Nunes. Depois fizeram o sequestro do Wagner Canhedo (empresário dono da Vasp).

DC – Houve um caso em que um refém morreu?
Hendges – Um único caso, do ex-prefeito de Papanduva (Nataniel Ribas, em 2007). Ele já tinha sido morto. Mataram na abordagem e colocaram ele num cemitério. Uma semana depois prendi os autores. Quando eu cheguei já orientei a família para continuar negociando, mas já sabendo que…

DC – Tem contato ainda com vítimas?
Hendges – Tenho. Algumas ainda me ligam. Meu método é de coordenar e no momento vou junto. Antes ia mais. Tomei até um tiro. Alguém tem que coordenar, comandar. É experiência, coordenação e depois execução. Enquanto o sequestro perdura você tem que aproveitar as informações e a equipe atuando sem colocar em risco a vida do refém. A polícia sempre diz que não está, mas está atuando.

DC – O senhor já falou com algum sequestrador no andamento do sequestro?
Hendges – Já libertei do cativeiro por telefone. Porque ele soube da prisão de colega. Foi do golpe do chute (venda de mercadoria que não existe). Tem o sequestro de cativeiro clássico e tinha o golpe do chute. Na operação cativeiro foram 36 presos, 31 condenados e me parece que recorde de 1,9 mil anos de penas aos condenados.

DC – E o crime organizado, atentados, PGC (Primeiro Grupo Catarinense) no Estado?
Hendges – Tem que investir no combate, pegar gente experiente, trazer gente de fora. O Brasil num dado momento, quando veio essa onda de sequestro, a polícia estava totalmente despreparada. Agora vejo ameaças. Aqui em SC somos uma população muito pacata. O crime organizado está pegando pesado. Está solidificando o tráfico de drogas, hoje o crime do momento. Por que SC teve toda essa queimação de ônibus? Porque o Estado falhou. Penitenciária, superpopulação, maus-tratos. Todo mundo sabe. Vi pela imprensa que com o PGC o governo não cumpriu acordo. Não é que o governo fez acordo. Veio uma comissão de Brasília visitar a cadeia, “nós vamos acertar”. E depois não acertou. Em todo presídio tem crime organizado. É fácil identificar alguém da quadrilha, muito fácil, mesmo não usando celular, só telefone público. Sempre fazem contato com a família. É uma questão de inteligência e perspicácia. O bandido sempre deixa rastro.

DC – O senhor passou a maior parte das investigações na escuta telefônica?
Hendges – Só na escuta, na coordenação, no viva voz. Teve um caso em Xavantina (2002) em que o sequestrador chegou num orelhão, ligou para a mãe e falou que se alguém ligasse para ele era para retornar a ligação para esse orelhão, que ele morava bem na frente. O refém foi solto pelo carcereiro porque não aguentava mais. Eles abandonaram o cativeiro, não levaram comida, o rapaz ficou no mato, com frio, luz de vela, não tinha barraca. No fim de semana o sequestrador batizou uma filha. Nós filmamos. E quando o refém foi solto, recolhemos ele na estrada e já começamos a prender. E para prender esse em Curitiba, ele tinha dito “liga para esse telefone que alguém atende e me chama”. Aí o doutor Ênio (Matos) fez essa ligação para um telefone público, “quer falar com quem?, Ah com o Vilmar”. Ah, o cara (sequestrador) veio na hora e foi preso.

DC – E o sequestro em 2005 com bandidos paraguaios em Joinville?
Hendges – Foi duro. Eram os dois mais procurados, estavam com extradição, tinham sido resgatados de um presídio de Curitiba com 15 elementos na quadrilha. Negociação difícil. Eles compraram chip na véspera de receber o dinheiro. Sabíamos que o pagamento ia ser dia 30 de dezembro. O homem (pai da vítima) já tinha o dinheiro. Na véspera, num dos telefones que estavam, habilitaram esse chip. No dia seguinte já estava interceptado o chip. Acompanhamos tudo. Eles se comunicavam entre eles. O cara pegou o dinheiro e correu para a casa da mulher que estava dando apoio. Botaram as armas no forro. Estava na escuta e a equipe em Curitiba com o Tigre (grupo da polícia do PR esperando). Tínhamos levantado essa casa de apoio.

DC – E o caso mais complicado?
Hendges – O do Batistella (empresário Carlos Batistella, em 1991, em Lages), foram 66 dias de cativeiro. É o que mais me deu trabalho pela periculosidade. Resgatamos no cativeiro. Alugamos uma casa do lado. Pegaram US$ 130 mil. Eu disse que não iam libertar porque não houve finalização da negociação. Compraram uma casa na praia do Grant, em Piçarras. Tinha um carcereiro, a vítima acorrentada. Conseguimos interceptar o telefone depois de 60 dias. Fui a Goiás e ao Mato Grosso. Faziam pouco contato, a cada 10 dias. Peguei o avião do governo e fiz essa turnê. Com a interceptação alugamos uma casa do lado do cativeiro. Tinha gente em Itapema, era a maior quadrilha, com mais de 20 assaltos (a gerentes de bancos). Há pouco tempo fizeram em Lages de novo, essa é uma modalidade que vai continuar (contra gerentes de bancos).

DC – E a síndrome de Estocolmo (estado psicológico em que a vítima cria laços afetivos com o raptor)?
Hendges – Existe. A filha do Silvio Santos queria distribuir cesta básica. Em todo o sequestro a partir do primeiro instante já começa a ocorrer. É sintomático pela necessidade de sobrevivência.

DC – Como vê a divulgação pela imprensa do sequestro em andamento?
Hendges – Nunca escondi nada da imprensa e por isso sempre tive o apoio. É uma faca de dois gumes. No do Wellington Camargo (irmão dos sertanejos Zezé di Camargo e Luciano), a imprensa foi responsável pelo corte da orelha. Tive contato com esse caso, forneci até o equipamento para acompanhar o digital. A família acertou, ia pagar US$ 300 mil. Polícia, todo mundo quieto. Veio uma emissora e divulgou um 0800 para levantar o dinheiro. Aí os sequestradores estavam assistindo. O valor passou a ser US$ 2 milhões ou iam cortar a orelha. Foi uma tragédia (cortaram a orelha e mandaram para a emissora). Num caso em Xanxerê ligaram “tamo com o filho, queremos tantos milhões e quando vocês tiverem o dinheiro botam a caminhonete no bar tal, com a luz acesa”. A família morava em Xanxerê e o sequestro foi em Rondonópolis (1999). No sétimo dia reuni a imprensa e divulgamos uma nota, agradecendo o silêncio, dizendo que “estamos negociando e em breve esperamos o nosso filho de volta”.A imprensa publicou. Não deu meia hora e uma ligação: “mas nós que estamos com o sequestrado”. Aí foi mais 15 dias e resgatamos ele num cativeiro numa fazenda. A imprensa precisa colaborar.

 

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 17 DE FEVEREIRO

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

Braço forte padrão Fifa

Quem seguia pela BR-101 norte na direção de Florianópolis, ontem à tarde, ficou impressionado com o comboio de veículos militares e homens do Exército rumo à Capital. Oficialmente, a segurança do congresso da Fifa não fala sobre o assunto, mas como não estamos em guerra…

Prevenção é tudo

O Corpo de Bombeiros Militar já vistoriou 757 edificações residenciais transitórias (hotéis, motéis e pousadas) desde a assinatura do termo de cooperação com o Ministério Público em novembro último. Os números sobre os problemas identificados ainda não foram divulgados.

 

COLUNISTA HÉLIO COSTA – Notícias do Dia

Menores infratores

No próximo mês, quando deve ser inaugurado o novo Centro de Atendimento  Socioeducativo da Grande Florianópolis, no local do antigo São Lucas, o judiciário terá outra vez melhores condições para abrigar os menores infratores da região. Com apenas o Pliat (Plantão Institucional de Atendimento ao Adolescente) funcionando, muitos dos jovens infratores acabam sendo levados para outras regiões, o que contraria a lei vigente e, nós sabemos, causa transformações nada positivas na vida de um adolescente em formação. O novo Case terá 90 vagas e promete ser mais humanizado, diferente do que era o São Lucas, que chegou a ser comparado com as masmorras da Idade Média pelo judiciário em 2010. Na semana passada, em Tubarão, a unidade do município foi reaberta com mais 12 vagas. Foram mais de quatro anos de espera por novas vagas no sistema, o que ao que tudo indica deve sair este ano. Ano de eleições.

 

ASSUNTO: MEDO DE ASSALTO

VEÍCULO: Diário Catarinense

Banco opera sem dinheiro vivo

Depois de sete ocorrências de roubo em três anos, agência do Banco do Brasil de Luis Alves trabalha só com cheque e cartão

As folhas coladas na porta do Banco do Brasil da Rua 18 de Julho em Luis Alves, no Vale do Itajaí, alertam: “não estamos trabalhando com dinheiro, nem pagamentos, nem recebimentos”. Dentro da agência bancária, seis funcionários, dois vigilantes e apenas uma pessoa aguardam atendimento com alguns cheques na mão.
Antes mesmo de passar pelo detector de metais, os clientes são avisados pelos funcionários de que não há transações em dinheiro. Esse serviço pode ser feito só nos Correios, na lotérica ou em uma cooperativa de crédito no município de 10,4 mil habitantes. As atendentes recebem ligações e a resposta soa igual.
– Só transações com débito em conta ou cheque. Dinheiro não dá – fala uma das funcionárias do banco.
Do outro lado da cidade, moradores aguardam em fila nas agências dos Correios e da casa lotérica, que contam com dois atendentes em cada um dos estabelecimentos na maior parte do dia.
A rotina de quem paga contas em Luis Alves mudou depois da onda de furtos e roubos no Banco do Brasil nos últimos três anos. Em 2013, os moradores já começaram a sentir dificuldades em fazer saques e pagar contas em dinheiro. Após o último assalto ocorrido dia 28 de dezembro, quando três homens invadiram a agência armados e encapuzados e levaram o dinheiro que havia nos caixas, o banco tomou a decisão
De acordo com o gerente da agência, foram registradas sete ocorrências em três anos:
– Ocorreram duas explosões em caixas eletrônicos, um assalto, dois cortes com maçarico no caixa eletrônico, um sequestro de uma familiar de um gerente e o roubo de um caixa eletrônico. Sentimos falta de segurança pública na cidade. Não há rondas ostensivas. O comandante da Polícia Militar de Luis Alves, Gideão Casas, diz que não há como fazer rondas em função do baixo efetivo.
Hidelberto Wick, 47 anos, se desdobra para fazer as tarefas bancárias. Tira extratos nos Correios, paga contas em lotéricas e vai a Piçarras e Barra Velha para transações ou saques mais elevados.
– Está uma bagunça. Já fiquei das 11h às 15h na fila dos Correios. Dá vontade de mudar de cidade – desabafa Wick.
Um funcionário dos Correios afirmou que o movimento triplicou e houve acúmulo de função para os servidores públicos que antes só costumavam enviar cartas. O que mais preocupa o atendente é a segurança da agência, onde não há detector de metais, nem vigilantes. Segundo ele, na época de pagamento moradores chegam a ficar até três horas na fila do lado de fora da agência para pagar contas e fazer saques.

 

ASSUNTO: ASSASSINATO EM PALHOÇA

VEÍCULO: Diário Catarinense

Mistério em morte brutal de idosa

Olíria Lenhani foi encontrada morta em casa e as únicas pistas parecem ser as pegadas encontradas no banheiro

Já fez uma semana que Olíria Levatti Lenhani, 70 anos – conhecida por “Vozinha dos perfumes” – foi assassinada dentro da própria casa, na Rua Maria Vieira dos Santos, bairro São Sebastião, em Palhoça.
Ela foi encontrada com o rosto desfigurado e vários hematomas pelos braços. Para a polícia, um desafio. Para a família, um mistério angustiante.
Nenhum vizinho ouviu algo suspeito e a vítima não tinha inimigos. As únicas pistas são as pegadas encontradas no banheiro, que podem pertencer ao criminoso. A Delegacia de Investigações Criminais de Palhoça não divulga informações sobre o caso, mas os familiares de Olíria acreditam que um rapaz loiro foi o responsável pelo crime. O homem foi visto com a idosa no domingo, por volta de 21h.
– Passei na frente da casa dela pelas 22h e pensei “que velhinha maluca, deixou todas as janelas abertas” – conta a vizinha Maria Irene Araújo, 54 anos.
Ninguém sabe exatamente quando a senhora foi assassinada. Maria Irene descobriu que havia algo errado quando uma Fiorino chegou em frente à casa para entregar uma encomenda a Olíria. A vizinha ouviu palmas, mas ninguém atendeu. Uma terceira mulher recebeu o pacote e tentou por várias vezes chamar a idosa.
– Nós duas entramos no terreno e vimos muito sangue no chão. Eu achei que fosse barro, já estava meio seco – relata Maria Irene.
A vizinha então ligou para a filha de Olíria, Célia Regina Lenhani, que minutos depois chegou ao local. A polícia foi chamada e todos orientados a não entrar na casa. O genro, Adão de Oliveira, pegou a máquina fotográfica, colocou na janela do banheiro e tirou algumas fotos. Não disse nada, mas todos entenderam o que aconteceu.

Torturada e assassinada

Segundo Adão, ficou claro que a sogra foi torturada, morta na sala e arrastada pelas pernas até o banheiro. O sofá e praticamente todo o chão da casa estavam sujos de sangue. Ele acredita que algum conhecido de Olíria foi o responsável pelo crime, já que não há sinais de arrombamento.
O delegado responsável pela investigação, Attílio Guaspari Filho, não deu informações sobre o caso para não atrapalhar as investigações. Até a noite de ontem, ninguém foi preso.
Olíria vendia perfumes e cosméticos de porta em porta no bairro São Sebastião e no loteamento Madri. A vizinha Maria conta que ela saía mesmo quando já era de noite, para fazer cobranças.
– Era curiosa, sempre perguntava alguma coisa para a gente, mas era tranquila, não incomodava – conta Maria.
A vítima era religiosa e participava constantemente de novenas. A casa era adornada com santos e terços.
Um dos vizinhos, Ricardo Almeida, diz que a vizinhança está “estarrecida”. Segundo ele – e o delegado confirma essa informação –, o bairro é tranquilo e ninguém ouviu nada.
– Parece que o diabo cega a gente. Fizeram aquilo tudo com ela e ninguém ouviu. Agora tem que esperar, não existe crime perfeito – diz Almeida.

 

ASSUNTO: Violência no trânsito

VEÍCULO: Diário Catarinense

Motociclistas morrem em acidentes

Um motociclista morreu após colidir com um carro na madrugada de ontem na BR-280, em Araquari, no Norte do Estado. O acidente ocorreu por volta de 2h30min. O motorista da moto, Luiz Carlos Alpinhack, 33 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu na hora.
O motociclista Carlos Augusto da Rosa, 52 anos, morreu na madrugada de ontem em Navegantes, após se envolver em um acidente com uma pick-up. Ele morreu ainda no local. Conforme a polícia, um rapaz de 29 anos estava embriagado e acabou preso em flagrante. Ele foi levado para o presídio da Canhanduba, em Itajaí.

 

ASSUNTO: Violência no trânsito

VEÍCULO: Diário Catarinense

Sonhos interrompidos

Camila dormia no banco de trás do carro, no ombro do namorado. Eles voltavam de uma festa em Canasvieiras, no norte da Ilha, de carona com um casal de amigos. Eram 7h20min de sábado quando o motorista perdeu o controle e o veículo atingiu em cheio um guardrail próximo ao elevado de acesso ao bairro Itacorubi. O impacto foi tão forte que a barra de ferro atravessou o carro, foi do capô ao porta-malas. Camila Barbosa Weiss tinha só 17 anos.
Num pranto desolador, Maria Inês Barbosa narra os últimos segundos de vida da filha. Quando percebeu que o motorista havia perdido o controle do veículo, o namorado gritou quase que ao mesmo tempo em que tentou puxar Camila. No braço de Diogo Porto Camargo ficaram os machucados, ele foi o que se feriu com menor gravidade. Mari Tatiane Ruffer de Oliveira, 32 anos, estava no assento do carona e morreu no local do acidente. Cristian Gonçalves Mendes, o condutor, até a noite de ontem permanecia no hospital.
Camila morreu pouco antes de o celular que carregava na bolsa começar a tocar incessantemente. Do outro lado da linha, tentando contato, era Maria Inês. Elas se viram pela última vez por volta de 23h de sexta-feira, na porta de casa, pouco antes de a adolescente subir no carro para ir à festa. Garantiu à mãe que voltaria cedo, tinha que trabalhar no dia seguinte.
Mãe e filha alternavam os turnos de trabalho para conseguir cuidar da irmã, que teve paralisia infantil e quase não mexe o corpo. Maria Inês trabalhava como empregada doméstica durante as manhãs e Camila atendia em uma padaria no turno da tarde. Trabalhavam para pagar as despesas de casa alugada no bairro Jardim Aquários, em Palhoça, e custear as fotografias da menina, que sonhava com a carreira de modelo.
Maria Inês só largou o telefone depois das 9h, quando um primo de Diogo apareceu na casa da família e anunciou a morte.
– Ela saía, mas nunca voltava tarde. O Diogo contou que ela estava incomodando para voltar desde as 3h. Eu perguntei para ele, “mas por que vocês não voltaram?” e ele respondeu que o táxi custaria R$ 150. Os R$ 150 que salvariam a minha filha – desabafa a mãe.
A família da menina garante ter visto embalagens vazias de cerveja dentro do carro, depois do acidente. Porém, por enquanto, não há como provar se o condutor havia ingerido a bebida antes de dirigir. Como estava muito ferido, ele foi encaminhado para o hospital sem fazer o teste do bafômetro e as causas do acidente serão divulgadas somente após conclusão do laudo pericial.
Casais se conheceram na semana anterior
Camila e Diogo namoravam há um ano e quatro meses. Já os amigos com que pegaram carona, Maria Inês disse que não conhecia. Os casais saíram juntos pela primeira vez uma semana antes do acidente na SC-401.
Mari Tatiane, namorada de Cristian, era natural de Passo Fundo (RS) e trabalhava como frentista em um posto de combustíveis na Grande Florianópolis.
– Eles namoravam há um ano e quatro meses. Sempre saíam juntos. Cristian era muito tranquilo e trabalhador. Ele ainda está em estado de choque, nem cheguei a ver ele ainda. Mas ele sabe da morte da Tati – afirma Margaretti Gonçalves Mendes, mãe do condutor do veículo.

Dois acidentes no sul da Ilha

Outros dois acidentes de trânsito marcaram o fim de semana em Florianópolis. Por volta de 4h de domingo, na rodovia de acesso a Tapera, no sul da Ilha, a colisão frontal entre um veículo Chevette e uma motocicleta CG 125 Titan matou André Luiz Machado Santos, 19 anos, e uma jovem que não teve o nome liberado até o fechamento desta edição. Conforme informações preliminares da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), o veículo teria invadido a pista contrária e houve a colisão frontal.
No sábado, o motociclista Raimundo Pinheiro Filho, 63 anos, morreu após colidir com um poste na Avenida Beira-Mar Norte. O acidente aconteceu às 17h55min, nas proximidades do supermercado Angeloni, no bairro Agronômica.

 

ASSUNTO: CONGRESSO DA FIFA

VEÍCULO: Diário Catarinense

Vigilância extrema

O Congresso da Fifa terá o um dos maiores esquemas de segurança já montados em SC com o envolvimento até das Forças Armadas

A partir de hoje será comum em Florianópolis o percurso de veículos escoltados pelas polícias Militar e Federal. A ação faz parte do esquema de segurança em prática desde sábado para o Congresso Técnico da Fifa, no Costão do Santinho.
Os 32 técnicos, comissões técnicas, dirigentes da Fifa e personalidades terão tratamento especial. O protocolo e o esquema de segurança vêm sendo mantidos em sigilo pela Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa do Cidadã. Pelo menos 13 instituições federais e estaduais, além da Guarda Municipal de Florianópolis, trabalham no esquema de segurança. Até a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, do Ministério da Justiça, está presente. Esta é a operação que movimenta maior número de órgãos de segurança já feita no Estado.
A Força Nacional de Segurança – a mesma que esteve em SC durante a segunda onda de ataques, em fevereiro de 2013 – chegou quinta-feira à noite. Tem como objetivo o “controle de tumultos e distúrbios civis, escolta e segurança aproximada dos Membros do Comitê Executivo da Fifa”. O contingente de militares envolvidos é mantido em segredo.
Os protestos são uma preocupação. A Agência Brasileira de Inteligência monitora, inclusive, a movimentação no acampamento Amarildo de Souza, terreno invadido na SC-401, em Ratones, uma das possíveis rotas usadas para o Costão do Santinho.
 

As forças de segurança

– Polícia Militar

– Polícia Civil

– Polícia Militar Rodoviária

– Corpo de Bombeiros

– Instituto Geral de Perícias

– Polícia Rodoviária Federal

– Polícia Federal

– Agência Brasileira de Inteligência

– Marinha

– Exército

– Aeronáutica

– Força Nacional de Segurança

– Guarda Municipal de Florianópolis

– Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos