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Música e vida militar em perfeita sintonia: boletim impresso de fevereiro destaca a trajetória do Cap Walfredo Raymundo Pinho

16.3.2015

     Capitão da Reserva da PMSC, Walfredo Raymundo Pinho cresceu rodeado por músicos e embalado por músicas. Natural do Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, desde cedo acompanhava o pai, Raimundo Nestor Pinho, em seus concertos pelo bairro. Tanto que com apenas sete anos, sem sequer ter tomado aulas, já tocava cavaquinho. Pouco tempo mais tarde, tirando proveito de algumas lições em casa mesmo, aceitou o convite para tocar clarinete na banda Nossa Senhora da Lapa. Mas foi no saxofone que descobriu o quanto a paixão da infância – compartilhada por apenas um de seus 12 irmãos - seria uma condição irreversível pela vida afora.

     Escalado para servir na Aeronáutica, fez do instrumento seu fiel companheiro nos cinco anos em que prestou serviço militar em outros estados. “Onde eu morava, já buscava outros músicos e participava das apresentações”, lembra o Cap Walfredo, que aos 23 anos desistiu da carreira militar, mas jamais de tocar. Tanto que foi a música, nos tempos áureos da Jovem Guarda, que trouxe para a Polícia Militar o então Cabo do Exército, como saxofonista auto-didata convidado para integrar a lendária Band Show.

     Apesar do expediente acirrado, das sete da manhã às 10 da noite, afinal as aulas de música se somavam às matérias de cunho geral e aos temas específicos da PMSC, o Cap Walfredo abraçou a oportunidade com o mesmo fôlego com que extrai do sax canções mundialmente aclamadas, como Emoções, de Roberto Carlos, e New York New York, imortalizada por Frank Sinatra. “Mesmo sendo aluno ouvinte, e não regular, aquela era a minha chance de viver da música”, explica.

     Com um desempenho surpreendente, o Cap Walfredo acabou galgando uma série de postos, como a “promoção” para aluno regular – por concessão do então Comandante-geral -, promoção a Sargento e Subtenente da PMSC, sempre como primeiro colocado do curso e das provas. A promoção para Tenente veio um pouco mais tarde, após preparar os alunos, criar uma banda da Polícia Militar na cidade de Canoinhas e, como já era de praxe, ser aprovado em primeiro lugar, quase que simultaneamente pela proximidade das provas, para 2º e 1º Tenente.

     “Nesta época havia apenas duas bandas da PMSC, em Florianópolis e em Chapecó, e a criação de outra em Canoinhas rendeu grande repercussão”, conta o saxofonista que a estas alturas dedicava-se mais aos músicos que formava, incluindo Jeovanny de Luch, que hoje mantém uma banda e uma casa de shows, do que ao próprio instrumento. Quando assumiu a regência do conjunto musical da PMSC, que incluía a banda de música, uma banda de cornetas e a Band Show, comandava 130 músicos. “Foi uma honra e um prazer substituir o Ten Cel Roberto Kel na regência”, frisa.

     Das apresentações, sempre aguardadas e aplaudidas, o Cap Walfredo lembra de uma em especial: quando foi um dos regentes da orquestra formada por 100 músicos e 700 vozes para a missa do Papa (hoje Santo) João Paulo II em Florianópolis. Outro concerto inesquecível foi sua despedida do “púlpito”, quando a banda da PMSC dividiu o palco do CIC com a Associação Coral e o grupo de dança Shapanã. “Um pouco depois passei para a Reserva e desde então troquei a regência pelo sax, que pratico regularmente, seja em casa com play-back, em serestas e encontros com amigos”.

     Apesar da qualidade profissional do seu trabalho, o Cap Walfredo sempre se negou a fazer da música um negócio. Prefere mantê-la como hobby, para deleite da esposa, os dois filhos, três netos, muitos vizinhos e todos os amigos que o sax lhe proporciona. “Por não fazer da música um compromisso, o prazer de tocar continua o mesmo”, comemora o artista do CD “Vivendo Emoções”, gravado em estúdio e com 500 cópias distribuídas aos fãs e familiares.

     Aos 70 anos, morando em Balneário Camboriú, o Cap Walfredo não deixa de visitar a banda da PMSC, composta hoje por 50 músicos, cada vez que viaja para Florianópolis. Satisfeito com a qualidade do trabalho e dos instrumentos, lamenta apenas o fato de não haver mais Oficiais no elenco. “Estou na torcida para que deem certo os esforços para ampliação do efetivo e para que o mestre seja um Oficial”, revela o Capitão que conciliou na polícia duas vocações, para músico e militar.

 

* Publicado em 16.03.2015.