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Leitores do DC elegem a Segurança Pública como tema de maior interesse

1.12.2015

 

Os efeitos da insegurança pública travaram a vida de Gislene Daiana Martins, 32 anos. A estudante de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSCsentiu na pele os problemas da segurança pública catarinense que transborda do sistema prisionale se soma aos efeitos das ruas.

 

 

 

Ao descer do ônibus na Rodovia Admar Gonzaga, no bairro Itacorubi, emFlorianópolis, em 29 de setembro do ano passado, Gislene ouviu tiros que vinham do confronto entre policiais e bandidos. Os suspeitos haviam atirado contra uma base da Polícia Militar (PM) momentos antes em um dos primeiros atos da quarta onda de atentados registrada no Estado desde 2012.

Com medo de ser atingida por uma bala perdida, se escondeu no ponto de ônibus mais próximo. E foi justamente ali que o carro dos suspeitos bateu quando o motorista perdeu o controle do veículo. Vítima gratuita da criminalidade, Gislene tornou-se um símbolo da necessidade de investimentos em segurança em Santa Catarina.

A mesma insegurança que passou a tomar conta da jovem depois do acidente, parece estar espalhada pelo Estado. Na votação promovida pelo Diário Catarinense para escolher a causa que será acompanhado pelo jornal por um ano no projeto DC de Olho, a segurança pública venceu com 23 mil votos, 86% do total. Falta de efetivo das polícias e sistema prisional são dois dos tópicos principais a serem explorados a partir da definição da causa.

Amputação e recuperação

Depois de 60 dias internada, Gislene saiu do hospital sem a perna direita, que teve de ser amputada. Além da sequela no corpo, ficaram as psicológicas. Por meses, precisou tomar antidepressivos. A dor física passou a se somar à revolta.

— A revolta não foi só em relação aos bandidos, mas à vida. Me senti revoltada também com a falta de preparo dos policiais, que abriram um tiroteio em via pública, perto de um hospital — conta a jovem, que já havia sentido na pele a insegurança ao ser assaltada em Palhoça.

Um ano e dois meses depois do acidente no Itacorubi, Gislene ainda acostuma-se à prótese colocada na perda direita, pouco abaixo do joelho. Ela contou com a ajuda de familiares e amigos, que segundo a jovem, foram fundamentais no apoio com campanhas. 

— Me adaptei bem, sei que na maioria dos casos isso não acontece com as pessoas — revelou.

No final do ano que vem, pretende se formar na faculdade. A rotina da jovem resume-se entre a universidade e a casa onde mora com os tios nos Ingleses, na Capital. No começo de 2015, ela fez um acordo judicial com o Estado e será indenizada com um salário mínimo vitalício, além de ter recebido um valor por danos morais. Como solução para a segurança em SC, Gislene pensa que são necessários investimentos na base. 

— O problema da segurança pública é estrutural. O que ocorre é um problema conjunto, que começa com a falta de investimento em educação. Para mudar essa situação, tem que mudar paradigmas sociais, na forma de pensar da sociedade. Precisa de uma perspectiva de cidadania — refletiu.

Além de ter passado pelo abalo de ser furtada no último dia 22 de novembro, domingo, Amy Katherine de Moraes ainda teve de enfrentar as dificuldades da falta de efetivo da Polícia Civil para registrar o boletim de ocorrência do crime. 

Depois de perceber que bandidos haviam levado a bicicleta e a prancha de surfe dela, a jovem diz ter procurado a delegacia da Polícia Civil na Agronômica. No local, um aviso alertava que o registro de boletins de ocorrência só poderia ser feito de segunda à sexta-feira, em horário comercial.

Insatisfeita, Amy procurou a Polícia Militar no bairro Santa Mônica para ter acesso às câmeras de segurança. Os policiais responderam que somente com o boletim de ocorrência em mãos para que as imagens fossem cedidas. Em casa, ela tentou fazer o registro do crime pela internet, o que não foi possível pois o site da Polícia Civil informou que o fato não se enquadrava nas condições do boletim eletrônico. 

— Ou seja, como proceder nesta situação, se não há a presença da polícia onde deveria haver, e se não aceitam minha ocorrência pela internet? Onde está a polícia quando se mais precisa dela? Me senti completamente desamparada. Isto que não é um dos casos mais graves. E se fosse alguém que tivesse sofrido uma agressão? Como prestar queixa? — desabafou a vítima.

 

 

Resultado da votação

Entre 31 de outubro e 22 de novembro, o DC disponibilizou aos leitores os temas de segurança pública, rodovias e clima para serem escolhidos como causa do jornal por um ano. 

Abaixo o resultado da votação que ocorreu online e em urnas espalhadas pelo Estado: 

Obras em rodovias federais de SC — 1.990 votos — 7.4% da preferência
Monitoramento climático e prevenção contra desastres naturais — 1.592 votos — 5.9% da preferência
Melhoria nos índices de segurança pública — 23.192 votos — 86.6% da preferência
Total: 27.090 votos

 

 

* Publicado no jornal Diário Catarinense de 28.11.2015.