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ACORS lidera mobilização contra possível transferência do Quartel do Comando-Geral da PMSC para a região Continental de Florianópolis

23.12.2015

 

     Os crescentes comentários sobre uma possível transferência dos Comandos-gerais PM e BM para as torres da Secretaria de Segurança Pública, na área Continental, em Florianópolis, geraram as mais calorosas reações por parte de quem reconhece e valoriza o vínculo da Polícia Militar de Santa Catarina com o prédio histórico onde está instalado seu QCG, junto à Praça Getúlio Vargas, desde quando a região era emoldurada por trilhos de bonde e criticada por ser distante do Centro.

     Apesar das divergências entre historiadores – Osvaldo Cabral situa a transferência do QCG para sua sede atual após a Proclamação da República, em 1889, e Carlos Humberto Corrêa a antecipa para 1888 – é incontestável a relação de mais de um século da PMSC com o prédio originalmente construído para ser um colégio, testemunha ocular do progresso da cidade, a começar pela praça na qual se debruça, que já respondeu pelas alcunhas de Largo Municipal da localidade de Mato Grosso e Praça 17 de Novembro.

 

Confira, abaixo, alguns testemunhos de Oficiais PM sobre a relevância do prédio do Comando-geral para a corporação em Santa Catarina:

 

“Não aceitaremos a saída do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do prédio que o abriga desde o final do século XIX. Da mesma forma, abominaremos qualquer líder que não tenha a coragem de defender a nossa honra como fizeram outros no passado, a exemplo do Coronel Lopes Vieira. A ACORS defende a permanência dos Comandos-Gerais da PMSC e do CBMSC nos seus atuais aquartelamentos. De igual forma, entendemos como carga da Corporação o acervo e o local do Museu de Armas Maj PM Lara Ribas. Estamos vigilantes nessa cruzada do Governo contra aqueles que juram morrer para que outros possam viver”.

Cel PM RR Fred Harry Schauffert, presidente da ACORS.

 

“Nosso QCG faz parte da nossa história. Nossas tradições estão todas tão entranhadas naquele prédio que mudar seria como fazer um transplante mal sucedido. Nossa vida, nossa história, nossos valores, tudo passou por esse prédio. Se necessário, que se crie melhores instalações para a representação militar junto à SSP, mas que se preserve o nosso QCG, com as histórias e tradições que pertencem não apenas aos PMs, mas à própria história de Santa Catarina. Sou virtualmente contra e não consigo conceber a ideia de instalarmos o comando da PM junto à SSP. Seria como propor transferir a Catedral para uma igreja a ser construída no Continente. Imaginemos a reação da comunidade, do clero”.

Cel PM RR Sidney Carlos Pacheco, ex-Comandante Geral da PMSC.

 

 “A história da PM e do QCG são paralelas em Santa Catarina. E os militares sabem que é no QCG que pulsa o cérebro e o coração da Polícia Militar. No período em que fui Comandante-geral, cheguei a propor a troca do terreno da PM com acesso à rua Nereu Ramos pelas obras necessárias na Trindade, no terreno onde hoje está instalado o Centro de Ensino do Corpo de Bombeiros Militar, mas em nenhum momento a permuta incluiria o prédio histórico junto à Praça Getúlio Vargas. O governador na época chegou a autorizar o negócio mas as empresas interessadas queriam a todo o custo incluir na troca o terreno do QCG. Aí fui irredutível e voltei atrás, porque o quartel do Comando-Geral tem um vínculo com a corporação e os PMs. É a nossa casa. Os demais quarteis são anexos”.

Cel PM RR João Lázaro Braga Filho, ex-Comandante Geral da PMSC.

 

Consultados pela comunicação da ACORS, os atuais Comandantes-gerais PM e BM preferiram não se manifestar sobre o tema, que obteve grande repercussão após divulgação na coluna de Moacir Pereira, nos jornais da RBS:

 

Diário Catarinense de 12.12.2015

 

 

Diário Catarinense de 15.12.2015.

 

* Publicado em 23.12.2015 com foto extraída da obra Ilha de Santa Catarina, de Gilberto Gerlach.