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Jornal Diário Catarinense destaca opinião do Diretor de Legislação Institucional PM da ACORS, Ten Cel Marcello Martinez Hipólito

22.7.2014

ARTIGOS

Futebol e segurança pública, por Marcelo Martinez Hipólito*

Cada brasileiro é um técnico de futebol, ainda mais quando se trata de Seleção. Tem sua escalação e sabe quando um time ou técnico vai mal. Infelizmente na segurança pública não é diferente. Todo cidadão e a maioria dos governantes e dirigentes das polícias sabe perfeitamente qual a fórmula de um trabalho eficiente: mais prisões de criminosos e mais policiais nas ruas. O problema da criminalidade é complexo, é efeito de inúmeras causas, e como tal não pode ser enfrentado com respostas simples e limitadas a mais policiais e mais prisões de criminosos que um dia serão soltos e em geral piores do que quando entraram.

A ciência provou há tempos que as pessoas não praticam crimes por uma série de razões. E a polícia e a prisão estão longe de serem as principais. Basta o leitor pensar em que medida a polícia ou a prisão contribuíram para que não se tornasse um criminoso. As cidades crescem de maneira desordenada e o preço que pagam é o aumento da criminalidade.

Não há caminho para a diminuição da criminalidade que não passe por integração das diversas forças, que de maneira direta ou indireta interferem nas condicionantes da criminalidade. Não se quer dizer que a polícia não seja importante: talvez seu surgimento tenha sido uma das principais conquistas da sociedade democrática. Da mesma forma a prisão. Mas só se enfrenta um fenômeno de causas tão complexas com rigor científico e ações diversas por parte da sociedade e dos diversos níveis de governo – em especial o local –, tais como educação, cultura, urbanização, assistência social, sistema prisional, justiça, polícia, imprensa, sociedade civil etc. Quem duvidar dessa receita procure saber um pouco mais do sucesso alcançado por Nova York (EUA), Bogotá e Cali (Colômbia), Diadema e Jardim Ângela (São Paulo, Brasl), entre outros.

*TENENTE-CORONEL DA PM, COMANDANTE DO 12O BATALHÃO. MORADOR DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ

* Extraído do Diário Catarinense em 22.07.2014.