Área do associado

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Clipagem dos dias 2 e 3 de outubro

3.10.2014

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 02 DE OUTUBRO

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

DESINTELIGÊNCIA

Um promotor de Justiça que fazia o trabalho de monitoramento do crime organizado dentro do sistema prisional catarinense recebeu em agosto a determinação para deixar a questão de lado, acredite, porque não era mais prioridade. Logo que explodiu a quarta onda ainda na sexta-feira, foi procurado por delegados e até pela cúpula da SSP em busca de informações. Ele apenas relatou que estava fora do caso.

MESMA FRENTE DE BATALHA

Tullo Cavallazzi Filho, presidente da OAB-SC, reagiu com tranquilidade à afirmação do governador em exercício de que um advogado estaria agindo a serviço do PGC. Lembra que a entidade já se manifestou, ainda no ano passado, favorável à instalação de parlatórios em todos os presídios, revista dos presos antes e depois da conversa com o advogado e instalação de bloqueadores de celular.

NO MAIS

Vale lembrar que até a eclosão da nova onda de atentados, ninguém falava sobre combate ao crime organizado em SC nas campanhas.

 

ASSUNTO: Atentados a ônibus

VEÍCULO: Diário Catarinense

Prisões em xeque e com desafios a superar

O sistema penitenciário estadual virou o calcanhar de aquiles da Segurança Pública de Santa Catarina desde que as ações terroristas ordenadas de dentro do cárcere ganharam as ruas e tornaram a população refém. Nos últimos dois anos, após ter sido deflagrada a primeira série de ataques, melhorias foram realizadas, mas há lacunas que ainda precisam ser preenchidas
Com a confirmação pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) de que a quarta onda de atentados também parte de criminosos recolhidos em penitenciárias, o sistema prisional catarinense está mais uma vez colocado em xeque.
O maior problema é que as autoridades não conseguem conter a ação de facções. A melhora na gestão das unidades, a diminuição das fugas e o bom índice de detentos trabalhando nas cadeias não impediram que criminosos comandassem do cárcere ataques a ônibus, a policiais e aos próprios agentes penitenciários, além do tráfico de drogas.
Segundo a SSP, parte das ações são comandadas de presídios pelo PGC, mas também há ordens nas ruas. Essa realidade é facilitada por uma série de problemas como a presença de celulares nas prisões, inexistência de bloqueadores do sinal e também a ausência de uma ala de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) que pudesse manter o preso mais afastado das possibilidades de obter e repassar informações criminosas aos comparsas externos.
As investigações policiais, ainda em sigilo, apontam que haveria ordens vindas de presos da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, quartel-general da quadrilha. A unidade é também motivo de um embate de versões entre o Departamento de Administração Prisional, que diz ter melhorado as condições, e a juíza corregedora Alexandra Lorenzi da Silva, que afirma haver falha do Estado no apoio às condições aos detentos. Entre lacunas e avanços, custodiar criminosos não significa a certeza de avanço na diminuição da criminalidade.
Juíza diz que há falhas do governo em penitenciária
Responsável pela Vara de Execuções Penais em São José, que abrange a Penitenciária de São Pedro de Alcântara, a juíza Alexandra Lorenzi da Silva vê falhas do governo do Estado no sistema prisional. Em entrevista ontem ao programa Notícia da Tarde, apresentado pelo jornalista Renato Igor na Rádio CBN Diário, a magistrada disse que as condições não ideais de tratamento aos detentos se refletem na “bagunça de toda uma cidade”, em referência à nova onda de atentados que parte das cadeias e amedronta os catarinenses há uma semana.
Na segunda-feira, a juíza recebeu uma carta com reclamações dos presos e a encaminhou à Secretaria da Justiça e Cidadania. No ofício, ela não afirma que a violência está relacionada aos problemas na prisão, mas lembra que o manifesto acontece na mesma semana em que são registrados ataques em Santa Catarina.

“São Pedro hoje é outra unidade”

Alexandra Lorenzi da Silva - Juíza corregedora em São José

Agência RBS – A senhora acredita que a ordem dos ataques está partindo de dentro do sistema prisional?
Alexandra Lorenzi da Silva – Isso é difícil de responder. Existe todo o serviço de inteligência indo atrás, investigando e tudo leva a crer que é o PGC. Existem diversas hipóteses, até porque existem outras facções criminosas tentando entrar no Estado, como PCC, Primeiro Comando da Capital, que já está no Paraná e está querendo também vir para Santa Catarina. Tem ainda a questão de uma prisão em Itapema algum tempo atrás onde houve algumas mortes, a questão do sistema penitenciário. São várias frentes. É difícil dizer o que está por trás.

Agência RBS – Nos últimos atentados havia clareza que as condições dadas aos presos era o problema. De lá para cá, melhorou ou não?
Alexandra Lorenzi da Silva – Posso dizer que são duas realidades distintas. Houve mudança de gestor, e a linha de atuação do Alexandre (Camargo Neto) é diferente. Ele se preocupa mais com as políticas públicas dentro da unidade prisional. Ele está reformando São Pedro de Alcântara, mas dependemos muito do apoio do Executivo, que infelizmente tem falhado, e a Secretaria da Justiça e Cidadania não está fazendo a parte dela. Estamos com esse problema de vagas há mais de quatro anos. São Pedro de Alcântara carece de algumas reformas inclusive no sistema elétrico. Não estão dando os kits de higiene. Muitos não têm visita dos familiares, ficam sem aparelho de barbear, sabonete, sandália de dedo. Mas isso não diz respeito à administração, que eu aprovo e digo que é muito boa.
Leandro Lima - Diretor do Departamento de Administração Prisional

Diário Catarinense – As falhas estruturais nos sistema penitenciário apontadas por presos na carta enviada à Justiça existem?
Leandro Lima – Contestamos a veracidade dessa carta, apresentada em dois espaços, em papéis diferentes. O advogado entrou e saiu da unidade com uma carta sem passar pelos meios legais de segurança. Como pode a magistrada receber um documento sabendo que ele foi tirado irregularmente da penitenciária? Tenho o direito de questionar isso. Vamos levar todos os meios que a lei permite para questionar. O que acrescenta uma carta num momento desse? A minha indignação é porque ontem pela manhã eu estendi sobre o corpo de um agente penitenciário a bandeira do Estado. É a quarta vez que faço isso. Não é uma atividade que me dá nenhum tipo de prazer e as pessoas ficam divulgando coisas como se fossem pétalas ao vento. É uma divulgação irresponsável e inconsequente.

DC – E com relação aos problemas na alimentação, estrutura física e agentes denunciados no passado por tortura e que continuariam trabalhando?
Lima – São Pedro de Alcântara tem um setor que atende as demandas primárias de saúde e divide com o SUS a corresponsabilidade. A cozinha está sendo reformada. A alimentação está sendo fornecida por uma empresa terceirizada especializada, dentro de um cardápio balanceado, feito por nutricionistas. É incabível a questão da alimentação. A questão dos agentes denunciados: todos os processos onde houve alguma denúncia e na decisão o magistrado solicitou que determinado agente não ficasse trabalhando, nós assim o fizemos. Não serão afastados sem que haja determinação judicial. A questão de infraestrutura: quem conheceu São Pedro de Alcântara e conhece agora vê unidades diferentes. Oito novas oficinas estão sendo construídas, tivemos parlatórios, foi construída área nova de recepção das famílias. Estamos construindo, com a OAB, uma sala do advogado.

DC – A juíza Alexandra da Silva, à CBN Diário, coloca exatamente uma visão contrária e diz que ainda há falhas da Secretaria da Justiça e do Executivo. Por quê?
Lima – Eu e até mesmo o Edemir Alexandre, que é o diretor da unidade, aprendemos neste tempo à frente do sistema prisional que temos de ter uma visão do todo e não simplesmente o somatório das partes. SPA hoje é a unidade com menor índice de superlotação do Estado. Ela poderia estar resolvendo mais os problemas de lotação que temos na Grande Florianópolis em função da falta da Central de Triagem e não está porque impõem limites descabidos. Porque ela (juíza) só olha para a unidade que ela faz a ação corregedora. Reconhecemos que temos de melhorar, mas essa penitenciária passa por reformulação nunca antes vista.

DC – Os presos ainda conseguem se comunicar. Qual é a dificuldade em isolar melhor o preso?
Lima – A Lei de Execução Penal não prevê clausura, prevê custódia. Não enclausuramos, custodiamos presos. Como a carta chegou à juíza?

DC – Pelo que sabemos, foi por um advogado.
Lima – Precisou de um bloqueador ou de um escâner corporal para evitar que essa carta chegasse ou saísse?

DC – Mas então não teria que melhorar as revistas?
Lima – Não há como você conseguir evitar que as informações circulem. Nas penitenciárias federais isso acontece de uma forma ou de outra. Há necessidade sim de colocação de bloqueadores de celular e de outros recursos, mas é bom lembrar que temos uma lei estadual que determina que as operadoras de telefonia de celular façam o bloqueio. Estamos na fase de multa às empresas, que serão acionadas judicialmente.

DC – Em Blumenau foram recolhidos recentemente mais de 100 celulares. Há facilidade na entrada desses aparelhos nas prisões.
Lima – Um celular pode entrar sim por meio de facilitação, pode ser arremessado numa unidade como a de Blumenau. Até mesmo na própria revista alguns telefones foram flagrados introduzidos no corpo das pessoas. Com uso de detectores, portais e banquinhos de metais a gente consegue evitar. O processo dos bloqueadores não está parado.

DC – Agentes penitenciários e policiais relataram que na semana passada foi detectado um alerta de que poderia haver ataques da facção. A questão das inteligências pode ser melhorada?
Lima – Cada secretaria, órgão de segurança, tem a sua agência de informação. O conjunto está disciplinado por um decreto do governador. Essa troca de informações já existe. A inteligência não é do Deap, é vinculada ao gabinete do secretário. Como gestor do sistema prisional não recebi nenhuma informação prévia de que haveria um ataque.

DC – O que deve ser feito para aniquilar o crime organizado?
Lima – Não temos essa pretensão. O sistema prisional tem por objetivo oferecer trabalho e oportunidade de readaptação para os apenados.

Em tom de indignação e desabafo, Leandro Lima não considera legítimas as reclamações sobre o sistema prisional que novamente vêm à tona. Confira nesta página os principais trechos da entrevista concedida pelo DC, publicada na íntegra no site www.diario.com.br

Força Nacional está descartada

Titulares das pastas de Segurança e de Justiça e Cidadania do governo estadual garantem que as polícias locais podem conter a violência que tomou as ruas e afirmam que transferência de mandantes para fora de SC está sendo providenciada

Em entrevista ao Jornal do Almoço, na RBS TV, ontem, o secretário de Segurança Pública do Estado, César Augusto Grubba disse que ainda não há necessidade de o Estado pedir ajuda para a Força Nacional com o intuito de sanar os ataques da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC) em Santa Catarina.
– Por unanimidade, sem exceções, se entendeu que não há necessidade de pedir ajuda da Força Nacional para SC – disse o secretário, que afirmou não ter como garantir um prazo para que os ataques sejam contidos.
A decisão foi tomada por um grupo que reúne magistrados, policias, promotores e, algumas vezes, o governador em exercício Nelson Schaefer Martins. Grubba afirmou que o encontro tem ocorrido diariamente para analisar fatos ocorridos no dia anterior e traçar as próximas estratégias.
O secretário de Segurança, assim como colegas de governo, atribuiu a quarta onda de atentados no Estado ao acirramento do combate ao crime organizado. Citou a apreensão de três toneladas de drogas em três meses, a captura triplicada do número de armas e a prisão de 200 pessoas ligadas à facção nos últimos dois anos. Ao ser questionado sobre como o Estado não consegue impedir novos ataques, Grubba respondeu:
– É difícil. Uma coisa é ver de fora, a outra é estar dentro do sistema. As inteligências estão ligadas. Também criamos um grupo de acompanhamento permanente de facções criminosas.
Envio dos detentos para outro estado
O secretário de Justiça e Cidadania, Sady Beck Júnior acompanhou a entrevista e comentou a carta emitida pelos detentos de São Pedro de Alcântara mostrando descontentamento com as condições e estrutura da unidade. Garantiu que a maioria das reivindicações do comunicado já foram atendidas e que o documento relata problemas já superados.
– Inclusive houve uma inspeção do Conselho Nacional de Justiça que atestou isso – disse.
Sobre a possibilidade de novas transferências de detentos, Sady afirmou que, identificados os mandantes, o envio para fora do Estado ocorrerá.
– Já estamos trabalhando nas transferências para desarticular a ação dessas facções e desestabilizar o seu cérebro.

Adolescentes na linha de frente

Assim como nas outras ondas de violência, são jovens que executam as ordens da facção

Afacção Primeiro Grupo Catarinense (PGC) muito provavelmente teria poder de atuação reduzido se não contasse com dois importantes aliados na disseminação das ordens de ataques e na linha de frente da execução dos atos terroristas. Advogados que atuam a serviço dos membros da quadrilha e adolescentes responsáveis por ataques a bases policiais e incêndios de ônibus continuam, ao que tudo indica, sendo parte importante desta quarta onda de atentados, assim como já tinha ocorrido em 2012 e 2013, conforme apontou a investigação policial em torno do crime organizado em Santa Catarina.
Do lado de fora das cadeias os presos contam com a utilização de adolescentes no crime. A tática usada pelo PGC está, inclusive, em uma cartilha instituída para divulgar as diretrizes a serem seguidas para que eles possam ascender na organização criminosa. O público alvo é chamado “de menor” e o texto recomenda que eles representem a facção e o “crime correto”. As revelações fazem parte do processo criminal que trata do assassinato da agente penitenciária Deise Alves, executada por integrantes da quadrilha em 26 de outubro de 2012, episódio anterior ao que viria a ser a primeira onda de atentados.
A cartilha explica que a expressão “crime correto” significa basicamente vender drogas e praticar atentados. Tratada como documento pelo PGC, garante aos seguidores das regras espaço no local onde atuam. Isto significa ser responsável por alguns pontos de venda de drogas e ficar com parte dos lucros, divididos com o bando.
Estratégia para fugir de missões
Durante todas as ondas de ataques, a participação da faixa etária em questão se tornou evidente. Nas duas primeiras séries de violência, foram 21 apreensões de suspeitos com menos de 18 anos.
Interceptações revelaram que, sem querer se expor nas missões de atear fogo em ônibus ou atirar em prédios de segurança, os interlocutores sugerem “pegá uns muleque” ou “arranja uma gurizada”. Na atual onda de

COOPTADOS PELO CRIME

Advogados continuam servindo de elo de comunicação ao PGC

Conforme declaração do governador em exercício Nelson Schaefer Martins terça-feira à coluna Visor, de Rafael Martini, um advogado a serviço do PGC teria entregue à Justiça um manifesto de detentos da Penitenciária de São Pedro de Alcântara reivindicando melhoria na unidade prisional. A carta foi publicada no Diário Catarinense de ontem.
Além disso, mensagem de texto a que o DC teve acesso, disseminando a ordem para execução de atentados, cita a participação de um “gravata” (advogados) na divulgação do último “salve-geral” (ordem de ataque).
Há mais além da relação profissional, como revelam escutas telefônicas. Os gravatas levam e trazem cartas, recados e até cartões de memória com áudios e vídeos. Alguns advogados também recebem ligações diretas de detentos, via celulares, como revelaram os processos judiciais referentes ao crime organizado.

Ônibus cancelados após as 19h

As seis badaladas do sino da Catedral Metropolitana de Florianópolis apressaram o passo de quem deixava o trabalho mais cedo pelo segundo dia consecutivo no fim da tarde de ontem, devido os atentados.
Com a circulação de ônibus cancelada depois das 19h, o cenário no Terminal de Integração do Centro (Ticen) foi mais uma vez de filas extensas, correria e ônibus lotado. Alguns veículos extra saíram até as 20h das plataformas A e B, quando restavam poucas pessoas esperando para voltar para casa.
Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana, os ônibus devem partir das garagens a partir das 6h de hoje (ontem foi às 6h15min). A demora no início do serviço deixou muita gente plantada no ponto de ônibus nas primeiras horas do dia de ontem. Fabiana Tozi, de 29 anos, chegou duas horas atrasada no serviço. Desde 5h30min na parada, nos Ingleses, ela viu seis ônibus lotados passar sem parar até 6h50min.

Queda nas lojas chega a 80%

Informações foram divulgadas ontem pela CDL e pela Fecomércio de Santa Catarina

A onda de atentados que persiste há seis dias já impacta em toda a população e no comércio em Florianópolis. Dados da Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis (AEMFLO-SJ) e da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis apontam quedas de 80% e 40%, respectivamente, nas vendas no início desta semana.
Segundo o levantamento da CDL cerca de 99% dos estabelecimentos encerraram as atividades mais cedo no Centro de Florianópolis, na última terça-feira. No início da tarde de ontem, após uma reunião entre Secretaria de Transportes de Florianópolis, sindicatos das empresas e dos trabalhadores do transporte coletivo (Setuf e Sintraturb), Polícia Militar e Guarda Municipal ficou definido que os ônibus deveriam parar por volta das 19h, para evitar novos ataques. Com isso, a rotina dos trabalhadores foi mais uma vez alterada.
Segundo a CDL de Florianópolis, o horário de fechamento das lojas fica a critério de cada empresário. A presidente da entidade, Sara Camargo diz que será necessário buscar alternativas:
– Todo comércio que funciona depois das 19h é prejudicado, com perdas significativas. Os empresários terão que buscar uma logística diferenciada para suprir a falta de transporte para os funcionários, sem falar na queda do movimento, já que os clientes, além de não terem os ônibus para se locomover, não sairão de casa por conta da insegurança.
Comércio altera turnos de trabalho
De acordo com a Fecomércio SC, na última onda de atentados, em fevereiro de 2013, 81% do comércio de Florianópolis adotou alternativas para enfrentar a insegurança, como reduzir horário de atendimento, oferecer transporte aos funcionários e mudança nos turnos de trabalho. O diretor-executivo da federação, Marcos Arzua, observa que agora também há adequação de turnos, e isso reflete nos custos:
– Há também uma diminuição no movimento. O mais grave é que estamos vivendo esse ambiente de insegurança em um ano em que tivemos um comportamento não muito favorável de vendas e em um período que antecede o Dia das Crianças.

São José também registra baixa nas vendas devido a ataques

Em São José o clima de insegurança devido aos ataques também afetou o comércio. A sensação de medo e o horário reduzido dos ônibus têm feito com que os empresários dispensem os funcionários mais cedo. O presidente da AEMFLO e CDL-SJ, Marcos Souza, avalia que os atentados são recorrentes e refletem uma falha grave de segurança pública:
– Lojistas relataram uma queda de cerca de 80% nas vendas entre segunda e terça-feira. Nas indústrias as pessoas chegam mais tarde e precisam sair mais cedo preocupadas com a insegurança e a produtividade cai – observa.

Na pauta da segurança, enfrentar o crime organizado será prioridade

Mova série de ataques a ônibus mostra que o combate às facções que estão nas cadeias precisará ter grande atenção do próximo governante. O aumento do efetivo policial também é um desafio

Em meio à quarta onda de ataques ordenados diretamente das cadeias e que tem alterado a rotina dos catarinenses, não é difícil constatar qual é o maior desafio do governador que for eleito em outubro na área da segurança pública. O enfrentamento do crime organizado e das facções que dominam o sistema prisional está na ordem do dia do Estado.
Santa Catarina tem hoje cerca de 16,2 mil presos, 30% deles provisórios. Faltam 4.777 vagas no sistema prisional, gerando a superlotação que alimenta o poder das facções. Em 2008, eram 12,1 mil presos e faltavam 5,4 mil vagas, o que mostra um avanço nos últimos anos, mas também a dificuldade de ir além na solução dos problemas.
– Um debate mais amplo que pode ser capitaneado pelo próximo governador, junto ao Judiciário e ao Ministério Público para uma aplicação de penas alternativas e uma rediscussão da aplicação indiscriminada de prisões de crimes de quase nenhuma periculosidade e que acabam fazendo com que nosso sistema prisional esteja cheio – avalia o presidente da OAB-SC, Tullo Cavallazzi Filho.
Parte da solução também pode estar junto à iniciativa privada, como defende o consultor em segurança e coronel da reserva do Exército Eugênio Moretzsohn.
– A gestão, a inteligência do sistema, tem que ser estatal, mas a operação deveria ser privada. O agente terceirizado, se não estiver rendendo, é demitido e é contratado outro no lugar – avalia.
Outro gargalo que precisará ser enfrentado é a matemática perversa em que esbarram as intenções de aumento de efetivo policial. Na atual gestão, foram contratados 3,8 mil policiais militares. Mesmo com esse esforço, o número de PMs hoje é ligeiramente menor do que era em 2008. A justificativa são cerca de 4,4 mil aposentadorias no mesmo período.

 

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 03 DE OUTUBRO

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

ALIÁS

Defender a segurança dos motoristas e cobradores no exercício da profissão é papel legítimo do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo. Mas o fato é que, até hoje, nenhum ônibus foi atacado enquanto circulava sob escolta da PM. E a Polícia Militar tem se colocado de prontidão para garantir a segurança no transporte coletivo. Ou seja, nesta eterna queda de braço entre poder público e Sintraturb, quem paga o pato, mais uma vez, é o estudante que não pôde ir à aula nas últimas três noites. Ou o trabalhador que viu sua jornada de trabalho alterada. Sem contar a despesa extra de empresas com vans e táxis para garantir o retorno dos funcionários em segurança.

PREJUÍZOS MILIONÁRIOS

Desde 2012, 49 ônibus foram incendiados no Estado, prejuízo de R$ 17,1 milhões às empresas do setor. Só na região metropolitana, 18 viraram cinzas nos últimos dois anos. Cada qual ao custo de R$ 350 mil e sem seguro. Levantamento da FCDL constatou queda de 30% no movimento do comércio na Grande Florianópolis e pelo menos 10% nas demais regiões em que ocorreram atentados.

ÁGUA NA FERVURA

Somente no atendimento às ocorrências da Grande Florianópolis, o Corpo de Bombeiros Militar consumiu 19 mil litros de água para apagar incêndios causados pelos atentados.

FIM DA ESCUTA

Santa Catarina possui dois equipamentos de escuta telefônica, o chamado guardião, em operação. Um fica na Diretoria de Investigações Criminais (Deic) e o outro a serviço do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), liderado pelo Ministério Público Estadual. Até o mês de agosto, eram gerados relatórios quinzenais pelo MP sobre as conversas “grampeadas” entre lideranças do PGC, a partir do sistema prisional. Tudo com a devida autorização da Justiça. Mas surpreendentemente, veio a ordem para suspender as escutas. O assunto foi comentado no MP e gerou forte desconforto interno.

DOENÇA SEM CURA

Nas palavras de profissionais que trabalham nestas crises desde 2012, o combate ao crime organizado em Santa Catarina deveria ser tratado como uma doença sem cura, que exige monitoramento permanente.
– Nos especializamos em lidar com as consequências (os ataques), mas ainda não aprendemos a tratar os sintomas. Não adianta mandar 20 ou 30 líderes para fora do Estado, porque quase metade da massa carcerária está contaminada pela facção. – diz um deles.

TERCEIRA VEZ

A inteligência da segurança pública e do sistema prisional foi mais uma vez surpreendida, a exemplo do que ocorreu em 2012 e 2013.

 

COLUNISTA MOACIR PEREIRA – Diário Catarinense

COMBATE IMPLACÁVEL AOS CRIMINOSOS

O sistema estadual de segurança pública está devendo algumas explicações à população catarinense. Pelas informações, a inteligência chegou a identificar esta nova onda de atentados, deu o alarme, mas não teve capacidade de precisar os locais para imediata prisão dos criminosos. No segundo momento também não demonstra eficiência na repressão a bandidagem, que agora está mais ousada nos atos de violência contra a população. Ultrapassa todos os limites do tolerável e afronta até a instituição policial militar.
Está na hora de ação firme, mais enérgica e mais eficaz, para que seja restabelecido um mínimo de tranquilidade no Estado.
Ao que se informa, o Ministério da Justiça já autorizou o pedido de transferência dos mandantes destes atentados, instalados na Penitenciária São Pedro de Alcântara. É urgente que se agilizem as providências para matar o mal na origem. É alarmante a notícia de que o manifesto dos bandidos tenha vindo de Mossoró, onde estão criminosos dos atentados de 2013, e foram parar em São Pedro, com suspeita de advogado no papel de pombo correio.
Impossível dar trégua aos bandidos. Os catarinenses não podem ficar reféns da criminalidade. O governo não pode negociar e muito menos recuar um só milímetro.
Ao contrário, tem que agir com firmeza, dentro da lei, para mostrar ao Brasil que aqui estes delinquentes não se criam.

 

ASSUNTO: Atentados a ônibus

VEÍCULO: Diário Catarinense

Profissionais da segurança no alvo

AS POLÍCIAS CIVIL, Militar e o Deap traçam medidas para garantir que os membros das corporações não sejam atingidos por ataques

Além da pressão por resultados diante da quarta onda de atentados, os agentes de segurança de Santa Catarina agora vivem sob a massacrante dor de terem suas casas e familiares como alvo. Policiais e agentes prisionais tiveram residências e veículos atingidos por incêndios e tiros em 14 das mais de 55 ocorrências registradas desde sexta-feira da semana passada.
– O carro é um bem material que podemos recuperar. A vida do meu marido, não. Ele é pago para dar segurança à população. Mas quem vai dar segurança para ele? – desabafou a mulher de um policial que teve o veículo atingido ontem, em Florianópolis.
Como nesta ocorrência, na maioria dos casos os familiares dos servidores estavam em casa. Ninguém foi atingido. A mesma sorte, entretanto, não teve Luís Carlos Dal’Agnol, agente prisional aposentado morto a tiros segunda-feira à noite em Criciúma.
ATENÇÃO NAS RUAS E TAMBÉM EM CASA
Os comandos pedem atenção total, tanto nas ruas como em casa. Segundo o diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Leandro Lima, a orientação é para que durante o transporte de presos, os gerentes de presídios autorizem o acompanhamento de outras viaturas.
– Pedimos para que estejam atentos e, no menor risco, não se exponham e chamem a PM.
O delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila, emitiu três avisos em uma semana.
– Além da população, também reiteramos para a segurança dos próprios policiais. Não só em suas residências, mas também quando estão desempenhando suas funções – detalhou o delegado, que também lembrou que policiais civis devem sempre andar armados, mesmo fora de serviço.
Na Polícia Militar, corporação que teve mais profissionais visados nos últimos dias, psicólogos foram colocados à disposição dos que tiveram ataques em suas residências. De acordo com a chefe de comunicação da PM, tenente-coronel Claudete Lehmkuhl, os membros da corporação são orientados a repassar dicas de segurança para seus familiares.
– O policial já é muito imbuído no sentimento de proteger. Passamos a eles orientações no sentido de conversar com os familiares, para estarem em contato diante da primeira observação suspeita.

Delegado reforça que foco está em policiais e agentes prisionais

O delegado responsável pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santa Catarina, Procópio Silveira Neto, afirmou que o foco desta quarta onda de atentados que assola o Estado desde sexta-feira da semana passada é atingir policiais civis, militares e agentes do sistema penitenciário.
Silveira participou ontem de reportagem exibida pelo Jornal do Almoço, na RBS TV, quando afirmou que as ordens para execução de novos atentados partiu mesmo da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC), responsável também por orquestrar as séries de ataques de 2012 e 2013, e que têm o objetivo de promover enfrentamento ao Estado.
– A ordem a princípio é matar policiais. Policiais de forma genérica, seriam agentes públicos em geral – afirmou.
O delegado garantiu que existe a comunicação entre os presos do PGC transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró (RN) e afirmou que o comando para o início dos ataques veio de lá para São Pedro de Alcântara, como antecipou o DC na quarta-feira.
– A ordem pode ser dada pela acompanhante íntima, por voz. O preso pode dizer e ela repassar. Isso é impossível de você conter.
Segundo Silveira, a polícia investiga a possibilidade de já existir um “contra-salve” (ordem para suspender ataques) dos líderes da facção, que não estariam de acordo com a continuidade das ações.
– Isso ainda está sendo apurado, para ver a veracidade e qual vai ser o resultado na rua. Não posso dizer até o momento se esses ataques vão continuar ou parar – falou.
Para ele, a razão dos atentados é a repressão policial ao crime organizado e uma suposta deficiência no sistema prisional.

Juíza esclarece pontos relativos à carta com manifesto de presos

ALÉM DE REFORÇAR que o Executivo não dá respaldo às melhorias feitas pela administração da unidade de São Pedro de Alcântara, magistrada afirma que não tornou públicas as reivindicações

Em nota de esclarecimento divulgada ontem, a juíza da Vara de Execuções Penais de São José, Alexandra Lorenzi da Silva, esclarece pontos relativos à repercussão do texto assinado por presos de São Pedro de Alcântara, entregue a ela por um advogado na última segunda-feira e veiculado pela imprensa, o que foi criticado pelo governo estadual.
A magistrada reforça que não divulgou o conteúdo aos veículos de comunicação e que recebe cartas idênticas com reclamações iguais semanalmente. Sobre os problemas na penitenciária, garante que eles existem. Afirma que houve avanços, “muitos deles implementados pelo administrador da unidade”.
– Há problemas que não podem ser resolvidos tão somente pela administração, pois precisam de respostas do Executivo.
Sobre a higiene e o fornecimento de materiais básicos, alerta que eles também são necessários e frisa que há reclamação da alimentação. Mas como as inspeções não coincidem com as refeições, não houve verificação até o momento.

Gravação com suposto motivo em investigação

Um áudio a que a Agência RBS teve acesso ontem, divulgado no Jornal do Almoço, está sendo investigado pela Polícia Civil, que apura a veracidade da gravação e de onde ela teria partido. No material, em 13 minutos e 27 segundos, um homem não identificado emite ordens para atentados.
Além de citar a facção Primeiro Grupo Catarinense, o narrador do texto aponta problemas estruturais e nas condições de higiene, saúde e alimentação das cadeias à massa carcerária, principalmente aos apenados reclusos em São Pedro Alcântara e em Criciúma.
O conteúdo ainda cita as prisões de envolvidos na primeira e na segunda onda de atentados, com condenação já emitida pela Justiça neste ano. Segundo o narrador, boa parte deles estaria sem advogado de defesa para atuar nas ações em andamento.

TRE e PM traçam plano para a eleição domingo

A PARTIR DE amanhã, todos os 11,3 mil agentes de SC, além das quatro aeronaves, estarão à disposição, em serviço ou sobreaviso, para atuar

Os mais de 50 ataques criminosos que assustam os catarinenses desde sexta-feira levaram o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) e a Polícia Militar a montar um esquema de segurança para as eleições de domingo. Além das ruas, as atenções estarão voltadas aos locais de votação e armazenamento de urnas.
A orientação do TRE-SC às forças policiais, informando a localização das sessões eleitorais e o itinerário das urnas, é rotina em todos os pleitos.
Mas neste ano, devido às ações criminosas, a recomendação é para que se aumente o cuidado nos 295 municípios do Estado. Baseada no relatório final da última eleição, a PM elaborou há mais de um mês um planejamento para definir as estratégias nas cidades. A partir de sábado, todos os 11,3 mil agentes do Estado, além de quatro aeronaves para rápido deslocamento a qualquer parte do território, estarão à disposição, em serviço ou de sobreaviso, para agir diante de qualquer necessidade.
Em todos os 11 batalhões regionais existe um oficial de ligação entre a Justiça Eleitoral e o comando geral da PM para definir a modalidade de policiamento. Além disso, municípios mais vulneráveis a ocorrências receberão reforço de agentes de outros lugares com menor necessidade.

Policiamento será fixo nos locais considerados de maior risco

O tenente-coronel Edmilson Sagaz, responsável pela seção de operações do comando-geral da PM, diz que foi criado um gabinete de segurança integrado com entidades de inteligência estaduais e federais. Os comandantes dos batalhões foram orientados a colocar policiamento fixo em locais considerados de risco. Para esta eleição, explica Sagaz, a PM trabalha com três hipóteses principais. A primeira considera um pleito normal e tranquilo. A segunda leva em conta a eventual realização de manifestações pacíficas, com os policiais agindo para garantir segurança aos transeuntes e aos próprios manifestantes. A última cogita a quebra da ordem pública e a ocorrência de novos ataques. Aí serão empregadas as tropas especializadas, como o Bope, Choque, Grupamento Aéreo, Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) e Cavalaria.