Área do associado

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Clipagem do dia 9 de abril

9.4.2014

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE 09.04.2014

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

Banho-maria

Há exatos dois anos após afastar o delegado Cláudio Monteiro do comando da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), em abril de 2012, a Polícia Civil instaurou comissão de processo disciplinar para investigar o suposto uso de diárias em benefício próprio. Há quem veja aí um processo de fritura do delegado conhecido pela eficiência no combate ao tráfico de drogas.

Aliás

Repercutiu positivamente entre delegados e oficiais da PM as críticas do promotor Flávio Duarte de Souza à falta de planejamento estratégico no combate ao crime organizado, publicadas na edição de ontem do DC.

 

COLUNISTA MOACIR PEREIRA – Diário Catarinense

Vermelhos no radar

Serviços de inteligência da Secretaria de Segurança Pública estão em alerta. Detectaram movimento de partidos radicais de esquerda e movimentos populares marxistas que anunciam o “Abril Vermelho”.
Será marcado por invasões de órgãos públicos, manifestações e bloqueio de estradas.

 

COLUNISTA ROBERTO AZEVEDO – Notícias do Dia

Vitória

A Aprasc conseguiu o apoio dos deputados e reverteu o texto da lei que prejudicava a promoção e subsequente aposentadoria de pelos 150 praças militares e dos bombeiros militares que ficaram de fora em janeiro passado. O presidente da entidade, soldado PM Elisandro Lotin, comanda, a partir de agora, outra batalha: a discussão da jornada de trabalho da categoria.

 

COLUNA HÉLIO COSTA – Interino Colombo de Souza – Notícias do Dia

PF na UFSC

Nos próximos dez dias a Polícia Federal deve começar a ouvir estudantes e servidores da Universidade Federal de Santa Catarina que participaram do protesto de março, tentando impedir que um aluno detido com um cigarro de maconha fosse levado pelos agentes. Toda a ação policial que resultou em violência de ambos os lados – carro virado e depredado, alunos feridos, gás de pimenta e bombas de efeito moral lançados contra os estudantes – foi gravada pela própria Polícia Federal. A PF informa que um agente foi furtado. Uma parte do vídeo, distribuído à imprensa, mostra uma professora subindo no carro da Polícia Federal. Outra imagem comprometedora é a de uma estudante, com uma pedra na mão, avançando em direção à viatura. A Polícia Militar foi chamada e os ânimos dos estudantes se alteraram. A ação policial causou polêmica e repercutiu nas redes sociais. A PF entrou na UFSC para investigar o tráfico de drogas. Vamos aguardar o desfecho.

 

ASSUNTO: Reajuste no funcionalismo

VEÍCULO: Notícias do Dia

Governo concede gratificação

O governo de Santa Catarina recorreu pela segunda vez neste ano às MPs (Medidas Provisórias) para reajustar benefícios e salários de servidores. Na segunda-feira, último dia previsto no ano pela Lei Eleitoral para conceder aumentos, o governo publicou duas medidas que reajustaram o valor referencial de vencimento dos funcionários da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e instituíram gratificações para 6.000 servidores de oito setores do Estado.

A primeira medida, 195/2014, reajusta em 6,5%, de R$ 285,90 para R$ 304,22 o valor referencial de vencimento dos servidores da Udesc e fixa o valor unitário do auxílio- alimentação em R$ 19,50. Já a segunda, 196/2014 concede gratificação, denominada Retribuição Financeira por Desempenho de Atividade para analistas técnicos e agentes fiscais de oito secretarias: Planejamento, Casa Civil, Infraestrutura, Porto São Francisco, Fatma (Fundação de Meio Ambiente), Deter (Departamento de Transportes e Terminais), Deinfra (Departamento de Infraestrutura) e Jucesc (Junta Comercial).

A gratificação varia de 20% a 100%, dependendo do grau de escolaridade, e a retribuição será paga de forma parcelada em 24 meses: 25% a partir de 1º de setembro de 2014, 50% em 1o de março de 2015, 75% em 1o de setembro de 2015 e 100% em 1o de março de 2016. A mesma MP estende aos médicos dos centros cirúrgicos gratificação de 50%, a ser paga a partir de 1o de maio deste ano. O impacto na folha de pagamento, segundo o governo, será de R$ 16 milhões em 2014 e R$ 60 milhões em 2015.

Não é a primeira vez que o governador Raimundo Colombo recorre às MPs, já que as medidas têm força imediata de lei, antes mesmo da tramitação no Legislativo. Em agosto de 2013, o Pró-Gestão concedeu reajustes imediatos aos servidores da saúde no Estado por meio de três medidas provisórias. Neste ano, os professores também foram contemplados pelas MPs. Apesar de garantirem os reajustes em lei, a Alesc (Assembleia Legislativa do Estado) terá 60 dias para aprovar as medidas.

Categorias em greve ficam de fora do aumento

O secretário da Fazenda, Antonio Gavazzoni, afirmou que as medidas provisórias reajustam os salários dos servidores que não foram contemplados pelo pacote de aumentos concedido em 2013. “Ficamos devendo essa negociação”, disse ele ao justificar porque só as oito secretarias foram beneficiadas. “Todos os outros foram contemplados no ano passado. Quem está reclamando é porque está em greve e há uma regra no Estado: o governo não negocia com grevistas”, declarou Gavazzoni ao se referir às secretarias de Educação Especial, de Esporte, Cultura e de Turismo, que suspenderam a greve na tarde de ontem para tentar negociar com o governo. “Esperamos essa negociação, porque eles tiveram aumento de 60% em 2013 e os outros 40% serão reajustados em agosto deste ano, de 2015 e de 2016”, alegou o secretário.

As medidas provisórias não agradaram ao Sintespe (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado). “O governo está usando pesos e medidas diferentes. Para essas oito secretarias, concede o segundo reajuste de 100% e para as demais, nem sequer pagou os 100% do primeiro aumento”, criticou o secretário do Sindicato, Mário Antônio da Silva, ao reivindicar a extensão das MPs às demais categorias.

Sobre a suspensão da greve dos servidores das secretarias de Educação Especial, Esporte, Cultura e Turismo, Silva afirmou que duas novas reuniões, uma na manhã de hoje e outra na sexta-feira, tentarão acordo com o governo para o pagamento da data-base, segundo ele, “congelada há dois anos”.

 

ASSUNTO: Treinamento militar

VEÍCULO: Diário Catarinense

POR AR MAR E TERRA: PM forma policiais multimissão

Em curso de 735 horas, 21 selecionados passaram por testes físicos e táticos para atuar em operações sob condições extremas

Atenção, rapidez, agilidade e serenidade trabalham junto nas operações de resgate a vítimas em alto mar. O mar agitado, o vento forte, as condições climáticas adversas não interferem na concentração de 21 policiais militares em treinamento na praia do Campeche, no Sul da Ilha de Santa Catarina.
O trabalho realizado ontem foi uma avaliação de procedimentos operacionais que integram o curso Tripulante Operacional Multimissão da Polícia Militar de Santa Catarina. A sexta turma vai se formar nesta sexta-feira, no centro de ensino da Polícia Militar, em Florianópolis. Há quatro meses, os policiais recebem treinamento tático e adquirem conhecimentos específicos como tráfego aéreo, resgate veicular, salvamento em altura e aquático, técnicas de operações especiais e tiro embarcado.
No treinamento de resgate em alto mar, piloto e co-piloto do helicóptero AW119 Koala acompanham a ação do socorrista, que pula na água para resgatar a vítima, coloca-a no cesto com capacidade para até três pessoas (puçá), depois eles são levados pela aeronave até a praia.
Observando, até parece um procedimento fácil. Mas a habilidade vem com treinamento intenso e dedicação de todos os envolvidos, conforme afirma o capitão da Polícia Militar, Igor Gonçalves de Castro, que é co-piloto do helicóptero Águia 2 da PM.
– Para que o trabalho ocorra de forma normal, temos que ter bastante treinamento e sintonia. Cada um tem que fazer sua parte e bem feita – explica.
E para chegar ao fim do curso Multimissão, a turma precisou suar muito na seleção e em testes físicos forçados, como natação em alto mar, rapel e apneia. Os policiais formados serão direcionados às bases de Criciúma e Lages. O grupamento aéreo da PM existe desde 1986.
 

Etapas do curso

– O sexto curso de Tripulante Operacional Multimissão teve início com fase de seleção, que começou em agosto de 2013. Nesta oportunidade os alunos realizaram um teste de capacidade intelectual.

– Para os aprovados, a próxima fase foi a inspeção de saúde, depois, o teste de aptidão física e o de aptidão específica. A avaliação envolveu: natação em mar aberto, natação em piscina, flutuação, apneia, tiro prático e manobras de rapel.

– Em 735 horas-aula, os policiais tiveram instruções de salvamento aquático, salvamento em altura, atendimento pré-hospitalar, tiro policial, resgate veicular, educação física, sobrevivência no mar e na selva, combate a incêndio, além de instruções de aviação: navegação, meteorologia, conhecimentos técnicos de aeronaves, segurança de voo e procedimentos operacionais com helicóptero.

– A turma iniciou em novembro de 2013, com 21 alunos. São seis da 1ª Cia. da PM, em Florianópolis, sete da 5ª Cia., em Lages, sete da 6ª Cia., em Criciúma, e um do Paraná.

– Após a formatura, os conhecimentos em tripulação de voo serão aperfeiçoados por mais 150 horas, no atendimento a ocorrências junto com outros tripulantes experientes.

 

ASSUNTO: LATROCÍNIO

VEÍCULO: Diário Catarinense

Empresária é morta em assalto

Assalto a um abatedouro de frangos resultou na morte da empresária Leandra Inez, 37 anos, atingida por um tiro. Segundo informações do delegado responsável pelo caso, Pedro Henrique Mendes, três homens invadiram o empreendimento pertencente à família da vítima. Armados com pistolas e armas longas, renderam cerca de 20 funcionários que estavam no local. O crime ocorreu na segunda-feira à tarde no bairro Pernambuco, em Tijucas, na Grande Florianópolis.
Após anunciarem o assalto, os criminosos teriam perguntado sobre o malote, no qual estaria o pagamento dos funcionários, e se dividiram. Um foi para o escritório, outro para o galpão e o terceiro para uma casa anexa ao estabelecimento, que serve de moradia aos trabalhadores.
Assustados, funcionários começaram a gritar, o que teria despertado a atenção de Leandra, no escritório. A empresária correu em direção à residência, localizada no mesmo prédio. Para se defender, fechou a porta. Percebendo a reação da vítima, um dos assaltantes teria disparado três vezes, perfurando a porta. Um tiro atingiu Leandra na altura do ombro. Ela foi encaminhada ao hospital de Tijucas e depois transferida pelo helicóptero Arcanjo, dos Bombeiros, para Florianópolis, onde faleceu.
Conforme o delegado, os assaltantes conheciam a rotina da empresa. Logo que entraram no estabelecimento foram diretamente aos locais onde poderia haver dinheiro. Para Mendes, o assalto foi premeditado por ocorrer no quinto dia útil do mês, com a esperança de que o malote com o pagamento dos funcionários estivesse no escritório. Porém, o depósito havia sido feito na sexta-feira. Os três homens levaram R$ 200 de um dos trabalhadores.
Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil para investigar o crime. Até o início da noite de ontem, porém, ninguém havia sido preso.

 

ASSUNTO: ACIDENTE NA BR-470

VEÍCULO: Diário Catarinense

Produto de saque aparece em carro oficial

Imagens gravadas por um cliente de uma lanchonete à margem da BR-470, em Gaspar, no Vale do Itajaí, repercutiram ontem nas redes sociais. O vídeo mostra ocupantes do carro da Secretaria de Saúde de Camboriú com produtos saqueados de um caminhão que transportava refrigerantes e tombou na rodovia ao se envolver em um acidente, segunda-feira à tarde.
Na gravação, feita com celular, um homem aparece abrindo o porta-malas e se preparando para colocar dentro dele um fardo de refrigerantes. Quando percebe que está sendo filmado, ele vai para a lateral do carro e guarda o material no banco de trás.
O motorista do carro aparentemente percebe o que está acontecendo, mas mesmo assim entra no automóvel sem impedir a ação. Depois, o condutor também é filmado abrindo o porta-malas, mas as imagens não deixam claro se ele retira ou apenas mexe nos produtos no local.
Motorista diz ter exigido que carga fosse retirada
Segundo a secretária de Saúde de Camboriú, Márcia Regina Oliveira Freitag, teriam participado do saque ao caminhão pacientes que estavam no carro e fazem tratamento médico em outras cidades, encaminhados pela prefeitura.
– Vi o acidente e fui socorrer os feridos. Quando voltei, o paciente estava colocando a carga no carro, imediatamente eu disse que o material deveria ser retirado. Seguimos viagem sem qualquer produto – disse o motorista do carro oficial, Hainor Petri da Silva.
Conforme a secretária da Saúde, os pacientes devem ser ouvidos pela prefeitura de Camboriú paraque a confusão seja esclarecida.

 

ASSUNTO: TRÁFICO DE DROGAS

VEÍCULO: Diário Catarinense

Casal é preso no show de Fatboy Slim

Um casal foi preso em flagrante traficando drogas durante o show do DJ Fatboy Slim em Camboriú, Litoral Norte de SC, no sábado. Os suspeitos eram monitorados pela Divisão de Investigações Criminais (DIC) de Balneário Camboriú. De acordo com a DIC, o homem vinha sendo investigado por comercializar drogas sintéticas em casas noturnas região. Na bolsa da mulher, os policiais localizaram dinheiro, ecstasy, cristais de MD e metanfetaminas. O homem carregava micropontos de LSD.

 

ASSUNTO: ATENTADOS

VEÍCULO: Diário Catarinense

Novos ataques vêm das cadeias

O secretário de Segurança Pública de Santa Catarina, César Grubba, admitiu ontem ao DC que os novos casos de veículos incendiados nos últimos dias no Estado são uma resposta dos presos à crise que se instalou nos presídios, embora a polícia prefira, inicialmente, tratar como vandalismo os atos terroristas que estão de volta às ruas

Assim como nas ondas de atentados que amedrontaram Santa Catarina em novembro de 2012 e fevereiro de 2013, os últimos ataques registrados no Estado têm ligação com os presídios. A confirmação é do secretário de Segurança Pública, César Grubba, primeira autoridade da área a reconhecer o retorno das ações criminosas. Ele aponta o descontentamento dos detentos com o corte de benefícios durante a greve dos agentes prisionais como motivo.
– A massa carcerária, insatisfeita com a greve, já que não tinha banho de sol, visita íntima e uma série de direitos básicos, levou às ações.
Quando perguntado novamente se havia ligação com a insatisfação dos detentos, Grubba foi taxativo:
– Com certeza.
Desde sexta-feira, pelo menos nove incêndios a ônibus e carros foram atendidos pela Polícia Militar (PM), que prefere, inicialmente, tratar os casos como vandalismo. As ações ocorreram nas regiões Sul, Norte, Litoral Centro-Norte e Grande Florianópolis. As últimas foram na madrugada de ontem em Itajaí e Balneário Arroio do Silva (veja acima). Os casos nessas duas cidades ocorreram mesmo depois de os agentes prisionais terem decidido voltar ao trabalho momentaneamente, até pelo menos a próxima semana. Desde o último sábado, as visitas e banhos de sol foram retomados nas unidades.
Críticas sobre amadorismo no combate ao crime organizado
As críticas feitas pelo promotor de Blumenau, Flávio Duarte de Souza, responsável pelo maior processo no Estado que investiga o crime organizado em Santa Catarina, contra a forma com que o governo trata as organizações criminosas, foram rebatidas por César Grubba e representantes das polícias Militar e Civil. A entrevista com o promotor foi publicada na edição de ontem do Diário Catarinense.
Para o secretário de Segurança, o Estado não vem tratando o crime organizado de forma amadora, como afirmou o promotor. Segundo ele, Souza expressou um visão de quem está do lado de fora do governo, sem conhecimento.
– É natural (essa opinião). Ele não vive o dia a dia. Não dá pra aceitar essa colocação porque avançamos muito. O Estado vem tratando o tema de organização criminosa com muita responsabilidade – garantiu.
Para comprovar o que disse, Grubba lembrou da criação do grupo permanente de análise e monitoramento de facções criminosas, formado pelas diretorias de inteligências das secretarias de Segurança e Justiça e Cidadania, Departamento Estadual de Administração Prisional (Deap), polícias Civil e Militar, Justiça, Ministério Público, Agência Brasileira de Inteligência e integrantes das forças nacionais de segurança. Os encontros ocorrem a cada 10 dias e em prazos menores quando há situações de risco.

“Foi a insatisfação dos presos”

Entrevista com César Grubba, secretário de Segurança de Santa Catarina

Ao rebater as declarações do promotor de Blumenau Flávio de Souza, publicadas ontem pelo Diário Catarinense, que apontou como amadora a postura do Estado diante do crime organizado, o secretário de Segurança Pública, César Grubba, confirmou que a nova série de ataques ocorrida nos últimos dias tem origem nas prisões do Estado. Confira:

Diário Catarinense – Como o senhor avalia as declarações dadas pelo promotor Flávio Duarte, de que não há articulação entre as forças de segurança do Estado?
César Grubba – Com respeito ao doutor Flávio, esse tipo de declaração não ajuda, não constrói. Inclusive recebi ligações de policiais civis e militares de que causou um desconforto nas instituições. O promotor fala, no meu modo de ver, com uma visão de quem olha de fora, sem conhecimento. É natural de quem não vive o dia a dia. Tenho 30 anos de promotor, e quando olhava de fora tinha uma visão diferenciada da que tenho hoje. Não dá para aceitar a colocação pontual porque o Estado tem avançado muito. O Estado vem tratando o tema das organizações criminosas não com amadorismo. Muito pelo contrário. É com muita responsabilidade. Temos equipes permanentemente atuando. Em novembro de 2012 tivemos a primeira reunião de um grupo que criamos na secretaria. A partir de fevereiro, oficializamos esse grupo através de um decreto estadual.

DC – Como o senhor vê a afirmação de que não há integração entre as polícias?
Grubba – Acho que não existe nada que se possa generalizar. A generalização é muito ruim. As instituições não brigam entre si. Há algumas pessoas das instituições, em determinado local, em que um policial tem algum tipo conflito, de não-troca de informações, mas isso é pontual. Isso sempre existiu. Tentamos mudar a cultura, fortalecer a relação, mas isso é uma coisa até cultural, em razão de cada polícia ter sua forma de atuação. Existem situações em que podem haver conflitos de interesse, mas são pontuais. A gente não pode generalizar jamais.

DC – E como fazer as polícias trabalharem juntas contra a criminalidade?
Grubba – Fazer operações conjuntas é a melhor forma que tem. Operações que integrem as polícias Civil e Militar. São as duas que fazem ostensividade e investigações. Tem que trabalhar em conjunto. Quando são em conjunto, elas sempre redundam numa ação positiva.

DC – Com esse grupo criado pela secretaria, não há como prever ações pontuais como os últimos ataques?
Grubba – Na verdade, pela investigação, não houve uma informação de início dos ataques. Mas a massa carcerária, insatisfeita com a greve, já que não tinha banho de sol, visita íntima e uma série de direitos básicos, levou às ações. Temos sintomas de que alguma coisa possa acontecer, mas não tem por meio do monitoramento de saber dia, local e hora.

DC – Está confirmado, então, de que os últimos atentados no Estado têm alguma ligação com a insatisfação do presos?
Grubba – Com certeza.

 

Para polícias, há integração

A afirmação do promotor Flávio Duarte de Souza de que falta sintonia entre as polícias Militar e Civil repercutiu entre as forças de segurança do Estado ontem. O secretário César Grubba admitiu que há problemas pontuais, mas destacou a atuação das forças policiais, assim como a Justiça e o Ministério Público no combate ao crime organizado.
Via assessoria de imprensa, o comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Nazareno Marcineiro, disse que as falas do promotor mostrariam que ele não conhece algumas informações da Secretaria de Segurança Pública. Marcineiro afirmou que existe um bom relacionamento entre as polícias, com setores integrados. Segundo a tenente-coronel chefe da comunicação social da PM, Claudete Lehmkuhl, podem ocorrer atritos, mas que são logo resolvidos.
– Há uma rede de segurança, que depende do momento que se passa, se reúne com frequência. Há comunicação muito grande entre as polícias e trabalhos desenvolvidos em parceria. É isso que se busca – afirmou a tenente-coronel.
O delegado-geral da Polícia Civil, Aldo Pinheiro D’Ávila, declarou que há compartilhamento de todas informações que se têm sobre organizações criminosas. Ao dizer que não tem como analisar os motivos que levaram o promotor há apontar um distanciamento entre as polícias, destacou a integração das corporações:
– A nossa visão é de Estado. E dentro dessa visão estadual é que temos uma sincronia exemplar.

A violência que emerge de trás das grades

O passado recente diz que a violência nas ruas de Santa Catarina tem grande parcela de origem nos presídios. Isso ficou evidente nas cenas de ônibus sendo incendiados em 2012 e 2013. Os crimes tiveram como fatores desencadeadores, entre outras ações, denúncias de tortura e maus-tratos a presos nas cadeias.
Em novembro de 2012, os problemas surgiram na Penitenciária de São Pedro Alcântara. Ali ficavam os principais líderes do Primeiro Grupo Catarinense (PGC). Eles ordenavam mortes de detentos, ditavam regras e tinham poder paralelo de desafio à direção do complexo. Em meio ao corte de regalias implantado pelo então diretor Carlos Alves, disposto a encerrar o ciclo de anos de comando pelo crime na penitenciária, ocorreram também os atos de violência contra os detentos. A resposta veio primeiro com a morte da mulher do diretor, a agente Deise Alves, e depois nas ruas: o PGC ordenou ataques a tiros contra prédios públicos e atentados a ônibus pelo Estado. Setores de inteligência interceptaram as conversas entre bandidos por telefones e comprovaram que a facção orquestrou os ataques.
Na segunda onda de violência, em fevereiro de 2013, os incêndios criminosos nas ruas também surgiram da prisão. O PGC se revoltou com a transferência de um de seus líderes, o traficante Rodrigo da Pedra, com o descumprimento de um acordo por melhorias nas cadeias e usou a comemoração dos 10 anos da data de fundação da facção, em março, como justificativa às ações criminosas.
O processo para julgar os envolvidos tramita em Blumenau. Desde 11 de março, o documento está pronto para a sentença. A complexidade do processo o diferencia do restante dos casos. Por mais que a maioria dos 98 réus esteja preso, o que dá prioridade ao julgamento, a decisão final pode demorar para ser proferida.