Área do associado

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Clipagem do dia 28 de março

28.3.2014

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE 28.03.2014

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

Ironia do destino

Caso se confirme a necessidade de eventual intervenção para a retirada dos ocupantes da UFSC, adivinha a quem a Reitoria terá de recorrer formalmente? Sim, à PF.

Zero dois

A turma não perde a esportiva: o superintendente adjunto da Polícia Federal, Paulo César Cassiano Júnior, já está sendo comparado ao Capitão Nascimento, de Tropa de Elite.

Praça abandonada

O consumo de drogas em uma pequena praça ao lado da Rua Professor Hermínio Jacques, nos fundos do Colégio Catarinense, em pleno centro de Florianópolis, não chega a ter uma
repercussão como o levante da UFSC. Mas pergunte aos moradores, pais e estudantes sobre a sensação de insegurança…

 

COLUNISTA MOACIR PEREIRA – Diário Catarinense

UFSC: a crise e a desordem

O boletim de ocorrência 027-2014, assinado pelo diretor do Departamento de Segurança da UFSC, Leandro Luiz de Oliveira, revela fatos novos sobre o conflito registrado esta semana no campus. Oficializa, por exemplo, que a ação da Polícia Federal era do pleno conhecimento da administração superior da Universidade, que alunos foram incitados contra os agentes federais e que havia gente fora do meio acadêmico infiltrada entre os manifestantes, alguns transformados em vândalos que destruíram dois veículos oficiais.
A Policia Federal continua enfatizando que agiu dentro da lei. E que professores e gestores confundem ação policial – federal, estadual ou militar – de caráter político (o que é vedado em qualquer área do “campus”) com intervenção legítima para combater qualquer ilícito penal, incluindo tráfico de drogas.
Equivoca-se a Reitoria quando anuncia uma audiência pública, com um critério secreto, aceitando esta absurda diretriz dos estudantes de impedir a presença dos jornalistas. A presença da reitora Roselane Neckel no prédio da Reitoria invadida pelos estudantes representa grave precedente que atenta contra a ordem, a legalidade e a própria instituição. Presença seria até elogiável numa assembleia estudantil, sim, mas depois que desocupassem a Reitoria.
A Reitoria anuncia providências enérgicas contra a Polícia Federal e a Polícia Militar. A população quer saber que medidas adotará contra os que destruíram veículos oficiais e dilapidam o patrimônio público.
A bandeira vermelha hasteada na Reitoria invadida é outro sinal emblemático do triste episódio.
A Polícia Federal informou que no interior da Reitoria estão também os invasores da SC-401.
Estudantes estão acampados na Reitoria desde quarta-feira

É crime

Seis juízes de varas criminais de Florianópolis enviaram um documento à direção do presídio feminino anunciando que os agentes penitenciários que não trabalharem estarão sujeitos à representação criminal. A greve foi decretada ilegal. Os magistrados dizem que os grevistas podem ser punidos por desobediência judicial e prevaricação.

 

ASSUNTO: Tensão na UFSC

VEÍCULO: Diário Catarinense

O relato do chefe de segurança da UFSC

Em relatório, diretor do Departamento de Segurança conta que acompanhou ação dos agentes federais no campus, relata consumo de drogas no local, registra furtos de objetos e dinheiro das viaturas viradas e narra como o confronto começou

Boletim de ocorrência número 027/2014 registrado pelo diretor do Departamento de Segurança (Deseg) da universidade, Leandro Luiz de Oliveira, confirma que a operação realizada por agentes da Polícia Federal no campus foi realizada com ciência e acompanhamento do departamento encarregado de zelar pela segurança física e patrimônio da instituição – contrariando versão apresentada até o momento pela Reitoria.
O boletim é uma espécie de ata, registrado pelo diretor para constar no próprio Departamento de Segurança. Até ontem à noite a reitora não teria conhecimento do documento, segundo sua assessoria. Em entrevista ao Diário Catarinense na noite do confronto a reitora Roselane Nieckel afirmou não ter sido informada de operação policial no campus da instituição.
Ex-policial, bacharel em Direito, Oliveira prefere não comentar o assunto e limita-se a dizer que o que tem a declarar “está no documento”. O boletim de 45 linhas registrado no fim da tarde de terça-feira – com data de comunicação de 22/03/14, mas relatando os fatos do dia 25 – fornece relatos minuciosos do que ocorreu no campus naquela terça-feira desde a manhã até o final do tumulto. De manhã, segundo o boletim, três agentes já monitoravam a região com o conhecimento da UFSC “pois no local havia vários consumidores de drogas e suspeita de tráfico”. O local, chamado de bosque, segundo o relato, “é conhecido há muitos anos como palco para este tipo de prática”.
Os agentes federais, segundo Oliveira, solicitaram ao Deseg acompanhamento da operação. “Ao chegarem ao local já se podia, visivelmente, observar o consumo de substância conhecida como maconha por algumas pessoas”, relata o diretor do departamento. A PF, segundo Oliveira, iniciou a abordagem de alguns usuários. “Os agentes conduziam com tranquilidade a operação”, descreveu, “tendo já conseguido pelo menos quatro pessoas detidas”.
Oliveira relata ainda no BO que “os agentes explicavam aos referidos alunos os procedimentos legais que iriam efetuar na Superintendência da PF. Que a situação estava sendo conduzida pela PF de maneira tranquila, dentro dos princípios da administração pública e que, inesperadamente, ouviram palavras de ordem contra a polícia no campus vindas da região do bar do CFH” (Centro de Filosofia e Humanas). Oliveira descreve que “juntamente com a vice-reitora do CFH, professora Sonia Maluf, e o professor Wagner (ele não dá sobrenome), vários alunos cercavam outro agente da Polícia Federal que vinha conduzindo mais um aluno que portava drogas”.
Segundo ele, “os alunos foram incitados e que muito rapidamente a região foi tomada por estudantes que cercavam as viaturas da PF e da segurança do campus”.
Segundo o relato do chefe de Segurança da UFSC “alguns dos envolvidos nem sequer têm vínculo com a universidade e utilizam-se da região para ‘outros assuntos’, não inerentes ao meio acadêmico”. Oliveira relata ainda que da viatura do Deseg tombada “foram retirados uma máquina fotográfica da UFSC, um colete de segurança e a carteira” de um servidor, com todos os seus documentos e R$ 300.
Da viatura da Polícia Federal, segundo o boletim de ocorrência, “foram subtraídos GPS, carteira com toda a documentação” de um dos agentes presentes à operação, “talonário de cheques, R$ 182, além de 50 dólares”. De outro agente da PF envolvido na operação “foram subtraídos a carteira funcional, toda a documentação e R$ 60, que se encontravam no interior da viatura ora destruída”.
Oliveira ressalta em seu relato que “por várias horas diversas pessoas tentaram negociar a situação”, entre eles o chefe de gabinete da Reitoria, Carlos Vieira, e o diretor do CFH, Paulo Pinheiro Machado.

O xerife do campus

Leandro Luiz de Oliveira entrou na UFSC no último concurso para vigilantes, em fevereiro de 1994. Ex-policial militar, o atual diretor do Departamento de Segurança da UFSC (Deseg) passou por todas as funções do órgão que tem por princípio a ação preventiva para segurança do patrimônio institucional. Foi vigilante predial, motorista de viatura, fiscal, supervisor e chefe de divisão.
Nascido em Florianópolis, com formação no Colégio Militar, Oliveira se formou em Direito pelo Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina (Cesusc) e tem especialização em Desenvolvimento Gerencial. Recebeu o convite para assumir a chefia do Deseg em maio de 2008, na gestão do ex-reitor Alvaro Toubes Prata, permanecendo no cargo com a posse de Roselane Neckel, em 2012.
Com ele na direção, os números de ocorrências no campus diminuíram, com acompanhamento 24 horas por meio de câmeras e alarmes para a cobertura de cerca de 4,5 mil salas de aula. Somente em 2013, 41 pessoas foram abordadas, com 34 alunos cadastrados por uso de drogas e 94 pessoas no entorno da UFSC cadastradas por posse de entorpecentes. Ele coordena servidores e seguranças terceirizados e mantém parceria com Polícia Militar, Delegacia de Repressão a Roubos e Polícia Federal no combate ao tráfico e crimes que ocorrem no campus.

Clima de divisão entre estudantes no campus

Polarização entre os alunos foi acentuada com hasteamento de bandeira do Brasil à meio mastro em resposta à ocupação da Reitoria.

O hasteamento de uma bandeira nacional a meio mastro em protesto à bandeira vermelha estendida pelos ocupantes da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) acentua a polarização dentro da instituição entre alunos favoráveis à ocupação e contrários. O posicionamento da reitora Roselane Neckel contra a presença da polícia no campus irritou um grupo de alunos da universidade, que marcaram um ato de repúdio à ocupação para hoje.
Todas as manhãs, um servidor da universidade hasteia uma bandeira brasileira no mastro localizado em frente ao prédio da Reitoria. Após o início da ocupação, isso parou de ser feito, e os estudantes resolveram erguer uma outra, vermelha, com a frase “Reitoria ocupada”.
Alguns estudantes do Centro Tecnológico (CTC) se sentiram ofendidos pelo ato e hastearam uma bandeira nacional no prédio das engenharias, a meio mastro, como forma de protesto à ocupação. A decisão de hastear a bandeira do Brasil foi tomada após órgãos estudantis do CTC declararam que não tomariam partido.
Dentro da universidade, já é conhecida a diferença entre centros como o de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) – onde ocorreu o confronto entre estudantes e policiais – e o CTC, apontado como a unidade que recebe mais investimentos de instituições interessadas em pesquisas desenvolvidas ali. O primeiro reúne cursos como Ciências Sociais, Filosofia, Antropologia e Psicologia. O segundo, as engenharias, Ciências da Computação e Arquitetura.
Estudantes envolvidos com a ocupação discutem frequentemente o tipo de movimentação que está se formando dentro do campus. A estudante de Jornalismo atingida por estilhaços durante o confronto de terça-feira preferiu não se identificar em entrevista ao DC por medo de possíveis represálias de outros universitários.
– Posso estar andando sozinha na UFSC à noite e apanhar de alguém que me reconheça.
Alunos contrários à ocupação criaram um grupo no Facebook, onde chamam estudantes para um protesto hoje, a partir das 16h, em frente à reitoria e à biblioteca universitária. Eles querem mostrar que a UFSC não é feita apenas de “maconheiros”. Os alunos também pedem mais policiamento e a reabertura da biblioteca e do restaurante, fechados devido à greve dos servidores técnicos. Outro evento parecido foi criado durante a semana, mas nada aconteceu.

Reitoria não vai retirar bandeira vermelha
A Reitoria da UFSC, por meio da assessoria de imprensa, disse que a prioridade é a desocupação do prédio para que as atividades possam retornar à normalidade – retirar a bandeira vermelha poderia gerar ainda mais tensão e um novo conflito. As bandeiras oficiais estão no prédio ocupado, já que são retiradas todas as noites. Além disso, a Reitoria ainda está verificando quem colocou a bandeira vermelha.
Diante do fato, o Procurador da República Walmor Alves Moreira disse que estuda possíveis medidas em relação ao caso da bandeira e toda a situação, mas não adiantou quais seriam as possíveis ações.

Negociação antes do conflito

Vídeo divulgado ontem revela a conversa entre o diretor do Centro de Ciências Humanas da UFSC e o delegado responsável pela operação no campus. Confira o diálogo ao lado e os perfis dos dois protagonistas

O Telejornal Diário do curso de Jornalismo da UFSC publicou no YouTube imagens que mostram a tentativa de negociação entre o diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), Paulo Pinheiro Machado, e o superintendente em exercício da Polícia Federal em SC, Paulo César Barcelos Cassiano Junior, antes dos conflitos entre policiais e estudantes na terça-feira. Confira o diálogo:
Professor Paulo Pinheiro Machado – Queria apelar para o seu senso de humanidade. É um apelo, um apelo mesmo, de coração. Para que não haja um incidente de grandes proporções aqui. Sobre a nossa negociação resulta consequências sobre vidas. A formalidade legal pode ser cumprida tranquilamente. Eu, como diretor, o chefe de gabinete, o procurador federal… vamos com o carro da segurança. Com um agente da polícia também, delegado, acompanhando. Vamos lá. Levamos. Faz o termo circunstanciado. Vocês abrem um processo. Normal…

Delegado Cassiano Júnior – O senhor tem todo o direito de acompanhar qualquer um… da universidade, o professor… qualquer um.

Machado – A gente está tentando uma negociação para distensionar.

Cassiano – Tá bom, tudo bem.

Machado – Eu quero, eu quero viabilizar uma saída…

Cassiano – Eu entendo, entendo…

Machado – … para os dois lados.

Cassiano – Entendo, entendo, reconheço a sua boa intenção. Reconheço, eu reconheço…

Machado – Mas assim… eu continuo apelando pro bom senso…

Cassiano – Eu continuo apelando para o bom senso do senhor para que nós saiamos daqui com o preso imediatamente. Sem desforço físico.

Machado – Eu não tenho comando sobre essas pessoas…

Cassiano – … sem o uso da força.

Machado – Eu não tenho comando sobre essas pessoas. As pessoas me ouvem porque eu sou professor, apenas. Entendeu?

Cassiano – Se necessário, se precisar ser usado. Será usado. Se preciso será…

Machado – O senhor não acha que é uma reação desproporcional ao acontecimento?

Cassiano – Não.

Machado – Não é uma condução desproporcional?

Cassiano – Não. Não.

Machado – Há uma desproporção em tudo isso. Estou achando muito estranho tudo isso.

Cassiano – O senhor tem alguma outra proposta a me fazer além dessa?

Machado – A minha proposta…

Cassiano – Além dessa.

Machado – … é que haja uma alternativa sem violência…

Cassiano – Ok. Beleza. Vamos lá. Vamos lá (em tom de despedida)

Machado – … sem o uso da força.

 

Um carioca colecionador de polêmicas

Ele prendeu dois prefeitos no Estado do Rio de Janeiro. Foi acusado de partidarismo e sofreu representação encaminhada ao ministro da Justiça. Mandou para a prisão o tio por envolvimento com caça-níqueis. Polêmico, estilo durão nas ações e muitas vezes considerado esquentado entre os próprios colegas.
No centro da confusão que coloca em lados opostos a UFSC e a Polícia Federal, o delegado Paulo Cassiano Júnior, 35 anos, foi proibido pela direção geral da PF de se manifestar sobre o episódio com os estudantes, e muito menos sobre as declarações que disparou contra a reitora Roselane Neckel.
“A reitora quer transformar a universidade numa república de maconheiros”, “A UFSC é um antro da prática de crimes”, disse nos últimos dias, depois do confronto de terça-feira entre policiais e estudantes no campus de Florianópolis. Colegas afirmam que é comum ele agir sem meias palavras, expor o que pensa e adotar o tom forte nas abordagens.
Há 12 anos na PF, é o atual número 2 da instituição policial em SC. Foi transferido para atuar no Estado há menos de um ano a convite do superintendente Clyton Eustáquio Xavier.
Antes atuava como chefe na delegacia de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu. Esteve também em Brasília na delegacia de imigração e corregedoria e no Amapá, onde foi chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Os episódios mais emblemáticos que até então havia comandado foram as prisões de prefeitos nas cidades de São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, ambas no Rio de Janeiro. A PF diz que foram casos de corrupção e compra de votos. Apesar disso, costuma afirmar ser avesso a assuntos políticos.
As operações contra os prefeitos lhe renderam popularidade, além de uma queixa enviada por um deles ao Ministério da Justiça – diz que o procedimento foi arquivado.
Conhecedor dos meios de comunicação, afirma não ter contas nem perfis em redes sociais, mas inspirou a criação de uma página no Facebook intitulada “Fãs do delegado Paulo Cassiano”, iniciativa da qual afirma desconhecer a autoria.
Cassiano é evangélico há cinco anos. Frequenta a Comunidade Evangélica Discípulo de Jesus. Visto sempre em terno impecável, gel no cabelo, também tem seus momentos de extravazar. O maior deles é pelo Fluminense.
Desde a terça-feira, tem recebido o apoio de colegas em sua sala.

A polícia e a UFSC

A reitora da UFSC deveria ter dito ao delegado da Polícia Federal que o seu acesso à universidade só se daria pelo vestibular, parodiando Pedro Calmon, reitor da Universidade do Brasil em 1950. Não se trata de defender a democratite e nem se contrapor à tese de que a violência também é gerada pelas drogas. Mas o delegado da PF exacerbou-se ao menosprezar uma instituição de mais de 50 anos: A reitora quer transformar a UFSC numa república de maconheiros. Sendo assim, o governo também quer transformar o Estado em um reduto de traficantes e a prefeitura a Ilha numa república do crack.
O crack é droga proibida? Então a PM precisa percorrer as ruas centrais da Ilha, onde o tráfico e o consumo não esperam o sol se pôr. Os craqueiros são doentes? No campus os maconheiros são estudantes. É inócuo querer aleatoriamente combater o tráfico e consumo de droga sem uma política de combate com investigação, estratégias e ações sociais bem definidas, sob pena de os maconheiros continuarem a ser os principais alvos da pirotecnia policial.
Esse episódio enseja outro questionamento: por que a autoridade da cidade – o prefeito – sempre é omisso nesses casos? Minutos depois do episódio das torres gêmeas, o prefeito de Nova York já estava diante da imprensa comandando operações de resgate das vítimas. Afinal, quem manda em Florianópolis? O governo estadual? O serviço de patrimônio público? A polícia? Isto denota que somos uma cidade sem rosto por falta de identidade. Por isso, para o delegado carioca, a UFSC é “um antro da prática de crimes”. E o mais deplorável é que parte da sociedade e da mídia só enxerga a maconha como justificativa, como se o legalismo da ótica do Direito Penal bastasse para condenar a UFSC e seus dirigentes. Onde estão os nossos valores?
A UFSC precisa pisar e sentir o século 21, sim. É impossível querer se isolar da cidade. Os que nela vivem e circulam precisam de segurança, e a polícia é uma presença necessária. O macarthismo, senhores docentes e alunos, é apenas história.
A universidade precisa pisar e sentir o século 21, sim. É impossível querer se isolar da cidade. Os que nela vivem e circulam precisam de segurança.

ARTIGO DE LAUDELINO JOSÉ SARDÁ JORNALISTA E PROFESSOR. MORADOR DE FLORIANÓPOLIS

Lições do confronto

A melhor maneira de se chegar aos traficantes é por meio das operações de inteligência, que compreendem o emprego de ações especializadas, planejadas e sigilosas para a captura de dados e informações. Treinados no emprego das técnicas de engenharia social, agentes disfarçados de forma verossímil com o meio deveriam ter se aproximado amistosamente dos acadêmicos e com eles estabelecer um relacionamento inicial, frágil, porém promissor, e que seria aprofundado com a devida habilidade até começar a produzir um fluxo de informações a respeito do contato que lhes fornece a droga.
Os agentes precisariam usar uma estória-cobertura (EC) para criar uma justificativa para estarem ali, onde sua presença “fardada” seria inadmissível. Com a EC, seria possível permanecer e relacionar-se com seus alvos, até mesmo se houvesse necessidade de detê-los, o que deveria ser feito num ambiente menos hostil, para onde seriam conduzidos dentro do enredo da estória. É a melhor opção quando a abordagem clássica não é segura.
A reação da comunidade acadêmica deveria ser prevista e até esperada. Não que tenha sido correta – não foi –, mas o Estado não pode se deixar surpreender dessa forma. E essa aberração que na UFSC não pode entrar polícia é balela. Não há metro quadrado no território do Brasil onde a lei não alcance, e a polícia é seu braço mais visível e sua fiadora.
Às polícias brasileiras faltam capacitação e habilidade para conduzir operações em ambientes historicamente hostis à presença delas, em especial onde ainda há cicatrizes que teimam em doer de ferimentos de décadas passadas. O meio acadêmico é rico em oportunidades e um manancial de informações, mas traiçoeiro na sua aparente fragilidade.
Às polícias brasileiras faltam capacitação e habilidade para conduzir operações em ambientes historicamente hostis à presença delas.

ARTIGO DE EUGÊNIO MORETZSOHN ESPECIALISTA EM INTELIGÊNCIA E SEGURANÇA. MORADOR DE FLORIANÓPOLIS

 

ASSUNTO: QUADRILHA

VEÍCULO: Diário Catarinense

PF prende três por estelionato

A delegacia de Polícia Federal de Itajaí prendeu três pessoas e cumpriu cinco mandados de busca e apreensão. As prisões são fruto da operação Irmandade, deflagrada ontem com o objetivo de desmantelar uma quadrilha especializada em fraudes contra a Caixa Econômica Federal. A investigação apurou que o prejuízo chega a R$ 1 milhão.
As prisões por estelionato e associação criminosa ocorreram em Rio dos Cedros e Timbó, no Vale do Itajaí. Mas o grupo é suspeito de atuar também em uma cidade do interior do Paraná.
De acordo com a investigação da PF, a quadrilha agia fazendo saques de precatórios, dinheiro de ações judiciais contra a União de uma ação coletiva do Nordeste. Eles apresentavam documentos falsificados para poder sacar o dinheiro em nome do beneficiário na Caixa.
O grupo teria feito pelo menos seis saques, que somam R$ 1 milhão. Foram expedidos quatro mandados de prisão temporária para a operação, mas um dos investigados não foi localizado. Os presos foram levados para a delegacia da PF em Itajaí e depois encaminhados para o presídio da Canhanduba.
Além deles, outras 12 pessoas são suspeitas de participação no esquema e devem prestar depoimento nos próximos dias. A Polícia Federal também investiga se outras quadrilhas se beneficiaram do mesmo esquema.
A fraude foi percebida pela Caixa Federal e comunicada à PF, que vinha investigando o caso há um ano. Apesar da investigação, nenhum valor ou bem dos presos foi apreendido.

 

ASSUNTO: Sistema prisional

VEÍCULO: Diário Catarinense

TENSÃO NA CENTRAL: Juiz exige retirada de 80 detentos

Insegurança causada por celas superlotadas motivou a decisão judicial

O juiz da Vara de Execuções Penais da Capital, Laudenir Fernando Petroncini, determinou na noite de ontem a retirada imediata de 80 presos da Central de Triagem, no bairro Estreito, em Florianópolis. A decisão judicial levou em consideração as condições de insegurança em decorrência da superlotação da unidade e a ameaça de rebelião.
De acordo com o Departamento de Administração Prisional (Deap), a medida não pôde ser executada na noite de ontem, porque os agentes dificultaram a transferência, mas o órgão vai agir hoje para que a retirada seja concluída.
Os agentes penitenciários, que estão em greve há 10 dias, querem que todos os 201 detentos sejam retirados do local para a reforma nas celas. Na tarde de ontem, a categoria aceitou a entrada de 50 presos no Centro de Triagem, conhecido como Cadeião. Com a chegada dos detentos, houve um princípio de rebelião. Antes da entrada do grupo, os presos amarraram panos nas celas em protesto enquanto gritavam “aqui ninguém entra mais”. Cerca de 20 agentes penitenciários utilizaram bombas de efeito moral para conter os ânimos no interior da unidade e possibilitar a entrada dos novos presidiários.
De acordo com a determinação judicial da noite de ontem, 80 presos seriam deslocados para outras unidades na Grande Florianópolis: 10 para o presídio masculino e 10 para a penitenciária, na Capital, e 60 para presídios da região.
Durante a tarde, representantes do Deap já haviam oferecido a alternativa de transferir 90 detentos para vagas que surgiram em Tubarão, no Sul de SC, Itajaí, no Litoral Norte, Joinville, no Norte, e Lages, na Serra.
A proposta foi rejeitada pelos agentes prisionais. De acordo com o efetivo que trabalha no local, a superlotação causou danos em quase todas as celas e seria preciso retirar toda a população carcerária para que sejam feitos os reparos.
O diretor do Deap, Leandro Lima, informou que hoje vai buscar alternativas para efetuar as transferências.
– Há uma situação complicada, que não depende somente do Deap. Esperamos que haja bom senso por parte do sindicato para que possamos retirar estes presos de lá – disse.
Segundo o agente penitenciário Carlos Giovani, que trabalhou como diretor da Central de Triagem, o local destinado para os presos, incluindo o pátio, tem 157 metros quadrados e conforme a Lei de Execução Penal cada preso deve ficar retido em seis metros quadrados. Hoje, cada detento fica limitado a um metro quadrado. Até a meia-noite de ontem, a transferência dos presos não havia ocorrido.

Mais seis presos são soltos

A juíza da Vara Criminal de Jaraguá do Sul, Anna Finke Suszek, também corregedora do Presídio Regional da cidade que fica no Norte de SC, determinou ontem a soltura de seis presos em flagrante por tentativa de assalto a um caixa eletrônico, ocorrido no último fim de semana.
Os homens estavam presos desde domingo em duas celas da delegacia de Jaraguá do Sul. Em cada uma delas, cabem duas pessoas, mas havia 11 presos no domingo, entre estes, dois adolescentes ocupavam uma cela e os outros nove detidos ficavam na outra. Ao longo da semana os menores foram retirados do local e três presos foram soltos. Segundo a juíza Anna, os presos alojados provisoriamente nas celas da delegacia estavam em condições precárias, sem banho e alimentação adequada.
–Esperamos que a greve seja logo resolvida para que a população não seja ainda mais prejudicada – disse.

 

ASSUNTO: MULHER ARRASTADA NO RJ

VEÍCULO: Diário Catarinense

Comandante da PM é exonerado

O tenente-coronel Wagner Moretzsohn foi exonerado do cargo de comandante do 9o Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Rocha Miranda, na zona norte da cidade, segundo confirmou ontem o comando da PM.
Policiais subordinados ao tenente-coronel Moretzsohn protagonizaram recentemente dois episódios de grande repercussão: a morte da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira, arrastada por um carro da PM após ser baleada no Morro da Congonha, em Madureira, no último dia 16, e um tumulto no morro São José Operário, na Praça Seca (zona oeste), ocorrido na quarta-feira, após a morte de um suspeito que teria sofrido um enfarte ao ser abordado por policiais.
Segundo a polícia, o homem era traficante. Moradores do bairro, no entanto, negam e dizem que o rapaz morreu após ser agredido pelos policiais. Em protesto após o episódio, manifestantes queimaram cinco veículos.
Em fevereiro houve outro caso polêmico, de um homem supostamente morto a coronhadas por policiais desse batalhão. Segundo a PM, o comando do 9o Batalhão será assumido pelo tenente-coronel Luiz Octávio Lopes da Rocha Lima, que chefiava o 4o Batalhão, em São Cristóvão.
Justiça decreta prisão temporária de policiais
A Justiça do Rio decretou ontem a prisão temporária, por 30 dias, dos dois policiais militares que lideraram a operação policial que culminou com a morte de Claudia Ferreira, ferida por um tiro e depois arrastada por um carro da polícia.
O 1o tenente Rodrigo Medeiros Boaventura era o chefe da equipe que promoveu a operação policial, enquanto o 2o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno era o segundo líder do grupo. Ambos trabalham no 9o Batalhão e eram subordinados ao tenente-coronel agora exonerado.
– Sem a prisão será bastante improvável que se leve a bom termo as investigações, com o esclarecimento dos fatos. A prisão temporária é de caráter cautelar, sem culpa formada, provisória – afirmou o juiz Murilo Kieling em sua decisão.
Ele também determinou que a prisão de Ronald Felipe dos Santos, morador que testemunhou o tiro contra Cláudia, também foi atingido e indiciado por tráfico de drogas e tentativa de homicídio contra os policiais, seja transformada de preventiva em temporária por 30 dias. Três policiais que estavam no carro usado no socorro a Claudia, do qual ela caiu, chegaram a ser presos, mas foram libertados.

 

ASSUNTO: Valorem

VEÍCULO: Portal da PMSC

Polícia Militar realiza cerimônia de reconhecimento e valorização profissional

Para o Comando da Polícia Militar de Santa Catarina reconhecer o trabalho desenvolvido pelo policial militar é um objetivo que deve ser constantemente perseguido. Para isso, idealizou no início de 2012 o Programa Institucional de Valorização e Reconhecimento Técnico-Profissional (Valorem) que consiste no reconhecimento e a valorização profissional mediante avaliação de desempenho pautada em critérios objetivos de aferição.

O Valorem se baseia na apuração semestral do desempenho técnico-profissional do policial militar, através do acompanhamento de indicadores que abrangem as várias dimensões da atuação policial, desde a preparação intelectual, profissional e física até a sua conduta e desempenho no ambiente de trabalho. Os indicadores correspondem a pontos segundo a sua complexidade, resultando em um ranking que aponta o profissional que mais se destacou no período. Toda a apuração é informatizada.

O programa aproveita os registros dos diversos sistemas da Corporação e os importa automaticamente, propiciando rapidez e precisão nas informações.

Na quarta-feira (26), uma solenidade realizada no Quartel do Comando-Geral marcou a entrega da premiação aos vencedores da 4ª edição do programa. Com a presença do comandante-geral, coronel Nazareno Marcineiro, do subcomandante-geral, coronel Valdemir Cabral, do chefe do Estado-Maior Geral, coronel João Schorne Amorim, do ex-comandante-geral, coronel RR, Walmor Backes, do gestor do programa Valorem, tenente-coronel Joel Alves, entre outros oficiais da Capital e das Regiões Militares, além de familiares e convidados, os policiais militares destaques receberam as merecidas homenagens pelos excelentes serviços prestados em prol da segurança da sociedade.

Os melhores policiais do Estado, classificados no segundo semestre de 2013 nas 11 Regiões Policiais Militares (RPM’s), foram homenageados nas categorias: Pronta Resposta – ações como por exemplo a realização de prisões e os atendimentos de trânsito; e Proatividade – ações como atuação nos conselhos comunitários de segurança, ou, por exemplo, a abordagem preventiva de pessoas suspeitas.

Entre os 22 homenageados, os grandes vencedores da 4ª edição foram os soldados Marcelo Picolo da 6ª RPM (Araranguá) e Ederson Evandro Cabral da 7ª RPM (Brusque), que mais pontuaram em cada uma das categorias em todo o Estado. Os vencedores estaduais receberam como premiação a estrela em cristal, típica homenagem do Comando-Geral a personalidades que se destacam frente à Corporação, e também o Plano de Viagem que materializa a oportunidade de conhecerem uma Polícia Militar de outro estado da federação. Nesta edição os vencedores conhecerão a Polícia Militar de Minas Gerais.

Ao fazer o uso da palavra em nome dos homenageados, o soldado Picolo falou da honra e da felicidade em estar entre os vencedores do Valorem, parabenizou a todos os colegas, lembrou que muitos merecem receber esse tipo de homenagem, e também fez uma homenagem aos colegas mortos em serviço. Destacou a importância da família, que é o alicerce que dá apoio no enfrentamento da atividade diária, e por fim agradeceu a Deus, e a todos que estão sempre ao seu lado no desempenho da missão na Corporação.

O comandante-geral, coronel Nazareno Marcineiro, iniciou sua fala parabenizando os responsáveis pela gestão do Valorem, que cresce em todos os aspectos em cada edição. Em seguida, agradeceu os homenageados pela qualidade do trabalho que desempenham diariamente em prol da sociedade. Destacou, que hoje a PMSC é vista no país como referência, uma polícia preparada, técnica, de conhecimento e evolução, e isso se deve a qualidade dos homens e mulheres que fazem parte da Corporação. “Então, não esmoreçam, mesmo diante dos obstáculos, lutem com ardor para continuarem tendo um bom desempenho na carreira policial. Se orgulhem por este prêmio, se orgulhem por fazerem parte da Corporação. Parabéns a cada um dos vencedores”, finalizou o comandante.

 

ASSUNTO: Seleção para professores no CBM

VEÍCULO: Portal do CBM

DIRETORIA DE ENSINO ABRE PROCESSO DE CREDENCIAMENTO DE INSTRUTORES 2014

     
 

 

A Diretoria de Ensino do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) vai abrir entre 28 de março e 06 de abril o processo de credenciamento de instrutores para o ano de 2014. A seleção busca Bombeiros Militares interessados em atuar na atividade de docência no Centro de Ensino Bombeiro Militar (CEBM) e nos demais estabelecimentos de ensino da Corporação.

Os inscritos serão incluídos no cadastro geral de instrutores utilizado pelos responsáveis pelos cursos de capacitação no âmbito do CBMSC, de modo a facilitar a composição dos quadros de instrutores. A seleção é restrita aos Bombeiros Militares devidamente credenciados (conforme o edital) e a simples inclusão no cadastro não assegura vaga para a docência em determinado curso ou disciplina.

Para se inscrever, basta preencher o formulário online (ACESSE AQUI) no período de inscrições.

O acesso ao edital do processo de credenciamento está disponível no site do CBMSC, porém os anexos (B e C) contendo as grades curriculares e o ementário dos cursos só serão disponibilizados na sexta-feira (28/03).

Dúvidas podem ser encaminhadas ao serviço de Supervisão Escolar da DE pelo e-mail desupervisao@cbm.sc.gov.br ou diretamente com a Supervisora Paula Cabral pelo telefone (48) 3239-7304.

ASSUNTO: Camboriú mais Segura

VEÍCULO: Portal da Alesc

Na tribuna, secretário apresenta programa Camboriú Segura

O secretário de Assistência Social de Camboriú, John Lenon Teodoro, utilizou a tribuna durante a sessão plenária desta quinta-feira (27) para apresentar as iniciativas promovidas pelo município na área da segurança pública. Entre elas, disse, constam a criação do Núcleo de Prevenção às Drogas e à Pedofilia e o programa Acolher e Encaminhar, voltado às crianças e adolescentes infratores.

Entre as iniciativas que mais vêm apresentando resultados, segundo avaliou Teodoro, destaca-se o programa Camboriú Segura, voltado ao combate a violência e aos crimes associados ao tráfico de entorpecentes. “Somente em seu primeiro ano de vigência, a ação foi responsável pela diminuição em 43% dos números de homicídios e 50% nos casos de perturbação a ordem.”, revelou.

O resultado, disse o secretário, foi alcançado por meio da união de diferentes segmentos do poder público local e a participação de lideranças comunitárias. “Conseguimos realizar isso pelo esforço e o trabalho em rede, que contou com a participação de representantes da polícia militar, defesa civil, agentes de saúde, assistentes sociais e representantes de igrejas, escolas, comércio, entre outros.”

Uma das localidades mais beneficiadas, disse, foi o distrito Monte Alegre, que abriga uma população de 30 mil habitantes, considerada como vulnerável socialmente. “O programa deu visibilidade a esta comunidade, que agora conta com mais servidores públicos levando mais serviços e informação ao cidadão.”