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Clipagem do dia 27 de junho

27.6.2014

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE 27.06.2014

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

Mãos ao alto

Casos de assaltos à mão armada contra motoristas, principalmente ao chegar em casa e na região do Continente, preocupam a polícia da Grande Florianópolis. É um dos crimes mais apavorantes e o risco é maior ainda quando adolescentes são os autores, pois são destemidos e confiantes na impunidade. Levam os carros geralmente para cometer outros roubos ou buscar drogas.

Cadeião à vista

Durante solenidade na OAB-SC, ontem à tarde, o governador Raimundo Colombo comentou que o Estado obteve liminar na Justiça que autoriza a construção de uma central de triagem em São José.

 

COLUNISTA HÉLIO COSTA – Notícias do Dia

Segurança

Julho começa com a inclusão de mais de mil policiais nas fileiras da Polícia Militar de Santa Catarina. A partir do dia 1o serão incluídos 854 PMs em cerimônias de formatura que acontecerão em São José, Caçador, Herval D’Oeste, Canoinhas, Chapecó, Concórdia e São Miguel do Oeste. Em meados de agosto, de acordo com a PM, está prevista a inclusão de mais um grupo de cerca de 200 policiais femininas.

 

COLUNISTA CARLOS DAMIÃO – Notícias do Dia

Barriga

É inacreditável que, em pleno século 21, o sistema de rádio da segurança pública catarinense ainda funcione com equipamentos analógicos, defasados e ineficazes, como mostrou reportagem do ND publicada ontem. Mais incrível ainda é a forma displicente como o caso é encarado pela coordenadoria do Sistema de Videomonitoramento da SSP, cujo titular é o coronel Vânio Dalmarco. O Estado não pode empurrar com a barriga um problema tão grave.

 

ASSUNTO: ACIDENTE EM JOINVILLE

VEÍCULO: Diário Catarinense

Motorista fugitivo é identificado

O motorista suspeito de abandonar uma passageira morta em um acidente na madrugada de quarta-feira, no bairro Fátima, zona sul de Joinville, foi detido pela Polícia Militar após dar entrada no Hospital Municipal São José por volta das 19h de quarta. Leandro José de Oliveira, 28 anos, foi levado para a Central de Polícia e liberado após prestar depoimento.
Segundo a PM, Leandro relatou aos policiais que conheceu Aline Farias Pereira, 24 anos, em um bar naquela noite. Ele a levava para casa quando Aline disse ter reconhecido o carro do ex-marido os seguindo. Ela afirmou que o homem estaria armado e pediu que Leandro andasse mais rápido. Foi neste momento, de acordo com Leandro, que ele furou a preferencial na esquina entre as ruas Mário César Machado dos Santos e Miosótis e bateu em um Fiat Uno, por volta de 0h30min.
Documento foi deixado no local do acidente
A batida foi tão forte que, além de arrancar um poste, os dois ocupantes foram arremessados para fora do veículo. Leandro afirmou aos policiais que, como estava sem carteira de motorista, havia bebido e temia o ex-marido da vítima, fugiu do local.
O documento com o nome de Leandro encontrado no local do acidente ajudou a polícia. Os policiais repassaram o nome ao Hospital São José e solicitaram que, caso ele desse entrada na unidade, fossem informados.
A unidade informou que Leandro apresentava escoriações nos braços e foi liberado por volta das 22h30min.
O depoimento que ele prestou ao delegado Douglas de Cinque, na Central de Polícia, deve ser encaminhado para a Delegacia de Trânsito, que investiga o caso. Ele pode responder por dirigir sem carteira de habilitação, por homicídio culposo e por omissão de socorro.

 

ASSUNTO: MORRO DA CAIXA

VEÍCULO: Diário Catarinense

PM ocupa morro na Capital

O protesto contra uma ação policial e a morte de um morador do Morro da Caixa, na região continental de Florianópolis, terminou em confronto no começo da noite de ontem. Dois ônibus foram incendiados e um grande efetivo da polícia foi deslocado para o local.
Pedras e rojões foram atirados contra a guarnição. A avenida Ivo Silveira, em Capoeiras, ficou interditada e os policiais ocuparam o morro por tempo indeterminado.
A manifestação começou por volta de 17h, motivada pela morte de Anderson Camargo de Jesus, de 19 anos, na noite de quarta-feira. Segundo a polícia, ele teria reagido em uma operação da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) no Morro da Caixa, que resultou na apreensão de duas armas e grande quantidade de drogas. A polícia afirma que o jovem tentou atirar antes de ser morto. Outro suspeito foi baleado e fugiu.
Ontem, moradores afirmavam que Anderson não trabalhava para o tráfico, mas que teria problemas mentais e foi atingido pelas costas. Comandante-geral da PM, o coronel Valdemir Cabral confirmou que dois ônibus – das empresas Jotur e Santa Terezinha – foram queimados em represália à operação de quarta. Os bombeiros contiveram o fogo por volta das 18h.
Segundo o motorista do primeiro veículo incendiado, da empresa Jotur, o ônibus seguia no sentido bairro-Centro quando quatro mulheres pararam o veículo segurando uma faixa que dizia “A polícia assassinou um inocente”. Então dois rapazes subiram e mandaram todos descerem, derramando combustível no interior do ônibus e ateando fogo.
O motorista, que não quis ser identificado, conta que registrou boletim de ocorrência na 1a Delegacia de Polícia da Capital.
O segundo veículo, da empresaSanta Terezinha, foi queimado alguns minutos depois na mesma avenida, cerca de 300 metros atrás. Um ônibus da empresa Estrela que passava no sentido Centro-bairro, foi apedrejado e uma mulher ficou ferida na cabeça com os estilhaços.

 

ASSUNTO: MORRO DA CAIXA

VEÍCULO: Notícias do Dia

Incendiados por retaliação

Passageiros, motoristas e cobradores passaram por momentos de tensão no fim da tarde de ontem na avenida Ivo Silveira, próximo ao Morro da Caixa, na área continental de Florianópolis, após algumas pessoas entrarem em dois ônibus, da Jotur e Santa Teresinha, e atear fogo. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. O atentado foi considerado consequência de uma incursão da Polícia Civil, que resultou em um intenso tiroteio entre policiais e traficantes no Morro da Caixa, na noite de quarta-feira. Na ocasião, Anderson Camargo de Jesus, 19, foi morto e Ezequiel Kafesta, 19, baleado no braço.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na 1a Delegacia de Polícia pelo motorista da empresa Jotur, quatro mulheres carregaram uma faixa com os dizeres “Polícia mata inocente” e se posicionaram em frente ao ônibus. Em seguida, duas pessoas sem máscaras, com álcool em mãos, entraram no veículo que levava passageiros ao Centro de Florianópolis e começaram a atear fogo. Segundo um dos fiscais da empresa, os vândalos deram tempo para que os passageiros saíssem do ônibus.

Além dos coletivos, um papa entulho também foi queimado e um ônibus da Estrela alvejado com pedras. O cobrador e uma passageira ficaram feridos. A mulher precisou ser encaminhada ao hospital. Durante a noite, os vândalos também atiraram pedras em veículos que passavam na passarela. A Polícia Militar afirmou que não teve nenhum registro de carros alvos das pedras e a situação foi controlada na sequência.

De acordo com a porta-voz da PM, tenente-coronel Claudete Lehmkuhl, a equipe de policiais garantirá a segurança durante toda a noite, com equipes monitorando o Morro da Caixa. “Devemos permanecer lá, até amanhã [hoje], se necessário, para controlar totalmente a situação no local. Todos os batalhões estão em alerta para o caso uma ocorrência mais grave. Também estamos com o departamento de inteligência mobilizado, realizando o acompanhamento das articulações na região”, afirmou. Tropas do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), Choque e PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático) estão no Morro da Caixa.

A incursão policial da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), que resultou na retaliação dos ônibus queimados, aconteceu no período da manhã e da tarde de quarta-feira. Na segunda investida ocorreu intenso tiroteio entre policiais e traficantes. Anderson Camargo de Jesus, 19, foi morto e Ezequiel Kafesta, 19, baleado no braço. Anderson tem 13 passagens policiais e Ezequiel, 23. Outras três pessoas foram capturados e autuados em flagrante por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma e resistência à prisão.

O delegado da Divisão de Repressão a Entorpecente, setor investigação ligado a Diretoria Estadual de Investigações Criminais, Cláudio Monteiro, apresentou os três suspeitos capturados no Morro da Caixa ainda na quarta-feira. Ao final da operação foram apreendidos 50 quilos de maconha, duas pistolas, 160 cartuchos de diversos calibres, 2.000 pedras de crack e de petecas de cocaína, 8.000 comprimidos de ecstasy, balança, celulares e rádio HT analógico, que era utilizado para rastrear a polícia.

Disparos para defender abrigo de drogas e armas

De acordo com o delegado Cláudio Monteiro, os policiais foram ao Morro da Caixa na quarta-feira, focados em dois objetivos: apreensão de drogas e de armas. “Temos informações de que os traficantes estão bem armados. Eles têm fuzil e submetralhadora, mas ainda não localizamos estas armas de longo alcance”, disse Monteiro.

Conforme o policial, na primeira incursão foram detidos um adolescente, uma mulher armada com uma pistola israelense e um homem que havia sido preso na terça-feira com um carro roubado. “Fomos buscá-lo na cadeia para enquadrá-lo no tráfico, porque na casa dele havia drogas”, comentou o delegado.

Na segunda ação, que se estendeu até as 20h de quarta-feira, quando ocorreu o confronto armado, moradores atiravam pedras na polícia e os traficantes atiravam com pistolas e armas de longo alcance para tentar defender o búnquer – instalação fortificada fechada, onde estava guardada a droga.

 

ASSUNTO: Príncipe da Inglaterra no Brasil

VEÍCULO: Diário Catarinense

Príncipe vai à Cracolândia e conversa com usuários

O príncipe Harry, da Inglaterra, no Brasil desde o dia 23, provocou tumulto ao visitar a região da cracolândia, centro de São Paulo, ontem, antes de embarcar para o Chile. Quarto na linha sucessória do trono britânico, Harry atraiu a curiosidade até de usuários de crack.
Acompanhado do prefeito Fernando Haddad (PT), o príncipe foi visitar as instalações do programa Braços Abertos, projeto que a prefeitura implementou para ajudar a reabilitação de usuários de drogas.
O britânico chegou à praça Julio Prestes e, de lá, entrou no posto de monitoramento, seguiu para a Tenda de Acolhimento, passou diante dos hotéis sociais e pelo Galpão do Trabalho.
– Ele é muito humildade. Ele veio lá do outro lado conhecer o lado feio de São Paulo. Aqui é a boca do lixo – disse o usuário de drogas, Marcos Vinicius, 21, que participa do programa.
Harry atraiu tanta atenção que o passeio teve de ser encurtado. Foi embora sem conhecer, por exemplo, o largo Coração de Jesus, que estava na programação.
Ao chegar ao Brasil, o príncipe esteve em Brasília, onde visitou o Hospital de Reabilitação da Rede Sarah e assistiu ao jogo entre Brasil e Camarões.
Em seguida, o membro da realeza britânica esteve em Belo Horizonte, onde acompanhou o jogo da seleção inglesa. Também se encontrou com tenistas do esporte do Minas Tênis Clube, que tem parceria firmada até 2016 com a Associação Olímpica Britânica.
Já em São Paulo, Harry foi a Cubatão conhecer um projeto de preservação da Mata Atlântica anteontem. Conheceu ainda uma entidade de assistência social a crianças.

 

ASSUNTO: Mulheres policiais

VEÍCULO: Notícias do Dia

Pelotão feminino em formação

Seis turmas exclusivas colocarão 202 mulheres nas ruas de Santa Catarina neste ano Ser policial militar não é novidade na família de Mariana Nunes, 29. Dos oito irmãos, duas seguiram na profissão e, em agosto deste ano, quando se formar no Centro de Ensino da Polícia Militar da Grande Florianópolis, ela será a terceira na família. A turma de Mariana, do 8o Pelotão da 1a Cia. do CFAP (Centro de Formação de Aperfeiçoamento de Praças), é algo raro dentro da PM.

Contituído somente por mulheres, o pelotão de 42 alunas forma-se com outras cinco turmas femininas de batalhões espalhados pelo Estado, colocando 202 mulheres nas ruas de Santa Catarina neste ano. Com a formação deste grupo, serão 859 policiais mulheres trabalhando no Estado, de um total de 11.265 profissionais.

O caso raro de turmas formadas somente mulheres se deu porque as vagas masculinas não foram completamente preenchidas no último concurso público. Desta forma, os 6% de vagas garantidas para mulheres no Estado pela PM, acabaram aumentando na turma de 2014. Para Mariana, é preciso profissionalismo, técnica, ética e honestidade para ser PM, independente do sexo. “Fui muito bem recebida aqui. Sabia e sei dos desafios que vou enfrentar como recém-formada e ainda mais por ser mulher. Ainda tem muito preconceito, é mais difícil de ser respeitada, mas estamos aqui para mudar isso”, diz ela.

O treinamento diário e intensivo de oito meses não tem praticamente nenhuma diferença do dos homens: aulas diárias das 7h30 às 19h de formação militar, defesa pessoal, técnica de polícia, como patrulha, barreira, abordagem e atendimento pré-hospitalar, entre outros. Só a parte física que é levemente menor que a dos homens. “Elas fazem aulas de defesa pessoal e atividade física todos os dias para estarem preparadas para as ruas. Elas têm qualidade muito grande e tão boa quanto os policiais masculinos, não tem diferença”, avalia o tenente Thiago Matias, comandante do pelotão em formação de policias femininos da Grande Florianópolis, que também formará duas turmas mistas em julho deste ano, totalizando 800 novos PMs.

DADOS

A Polícia Militar Feminina comemora hoje 31 anos de existência com um evento interno no salão nobre do Quartel General, em Florianópolis. Na solenidade, serão entregues medalhas e destacadas policias do operacional de todo o estado. Segundo a tenente-coronel Claudete lehmkuhl, chefe de comunicação da PM, e uma das primeiras alunas do curso em 1983, desde 1998 não há essa diferenciação entre os sexos no efetivo, mas se comemora a entrada das mulheres na polícia em santa Catarina.

Qualidade de vida

Em busca de qualidade de vida, Denize Caineli, 27, veio de Votuporanga, São Paulo, para o curso do Centro de Ensino da Polícia Militar da Grande Florianópolis. Ela sempre admirou a profissão e a estabilidade de ingressar na carreira e, quando surgiu a oportunidade, aproveitou. “A cultura é bem diferente aqui, mas encontrei boas pessoas. Consigo conciliar o trabalho com a vida pessoal e a segurança na cidade é melhor que em São Paulo”, comenta ela. Para cumprir com o seu papel na segurança pública, Denize diz querer atuar como uma “PM de verdade”, ou seja, saber resolver as mais diferentes questões da melhor maneira possível e fazer a diferença, pensando na segurança, diz ela. “Estamos aqui para superar barreiras e ser firmes quando for necessário ”, comenta ela.

 

ASSUNTO: Editorial

VEÍCULO: Notícias do Dia

Mais eficiência para a segurança

A reportagem de ontem do ND mostrando a precariedade do serviço de radiocomunicação da Secretaria de Segurança Pública, que coloca em risco a vida dos policiais e tem um custo desproporcional em relação ao retorno que proporciona, repercutiu a ponto de levar o secretário César Grubba a anunciar a criação de uma comissão que estudará a adoção do sistema digital, mais seguro e eficente. Se o Estado de Alagoas, com orçamento muito menor que o de Santa Catarina, já usa equipamentos modernos de comunicação na polícia, por que aqui ainda predominam os rádios analógicos que cobrem áreas limitadas e já se tornaram tecnologicamente defasados?

Intriga também que a manutenção dos velhos aparelhos tenha um custo exagerado, sem resolver o problema. O Estado repassa em torno de R$ 1,1 milhão por ano à empresa contratada para cuidar dos equipamentos, fora os R$ 3,4 milhões referentes à prestação do serviço, que é deficiente. A matemática é simples: com poucos meses sem gastar com a operadora responsável pela manutenção seria possível investir em um novo sistema, bem mais eficaz que o utilizado hoje. Além disso, ele não seria tão vulnerável à captação das comunicações entre policiais pelos criminosos, como ocorre atualmente.

Viu-se, portanto, que de um dia para outro mudou a postura na SSP, que havia descartado a troca do sistema analógico pelo digital. Isso demonstra que o problema não é propriamente de recursos, mas de vontade para romper um contrato que é prejudicial à população e aos cofres do Estado.

Governo promete mudança

Um dia depois da denúncia feita pelo Notícias do Dia de que o serviço de radiocomunicação da SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) é deficiente e inseguro, o secretário César Grubba determinou a instalação de uma comissão para trabalhar no projeto de sistema de radiocomunicação digital. O atual serviço funciona na modulação analógica, frequência 800 MHZ. O serviço é tão ultrapassado que a Polícia Civil nem o utiliza mais, prefere o telefone celular. Somente a Polícia Militar fala ao rádio, mas com ressalvas porque sabe que o aparelho é facilmente rastreado pela criminalidade.

Perguntado sobre o assunto, o governador Raimundo Colombo afirmou ontem, após participar de ato na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que ao término do contrato com a empresa Direta Telecomunicações, em setembro, o Estado pretende abrir um novo processo licitatório com o intuito de fazer a migração para o sistema digital. “Nós queremos fazer o digital, mas teremos que seguir um processo licitatório”, afirmou.

Por meio da assessoria de imprensa, o secretário César Grubba informou que a migração do sistema analógico para o digital, conforme recomendado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) desde 2010, que será estudado pela comissão criada ontem, tem o objetivo de cobrir o litoral e outras regiões do Estado. Grubba entende que o sistema digital é o ideal, mas requer uma demanda de recursos.

O deputado estadual sargento Amauri Soares (PSOL), com grande experiência na PM, lembra que desde 2002, quando a empresa Direta firmou parceria com a SSP, o sistema apresenta falhas. “Na época eu trabalhava no Copom [Centro de Operações da Polícia Militar] e ouvia muitas reclamações de meus colegas”, diz. O tempo passou e a Direta não evoluiu. Continua oferecendo um serviço de péssima qualidade. O presidente em exercício da Aprasc (Associação dos Praças de Santa Catarina), sargento Pedro Paulo Boff Sobrinho, diz que existem locais em que o rádio não funciona, além da facilidade de os criminosos entrarem na frequência da polícia.

Manter o sistema analógico custa mais caro

“Uma comunicação bem feita é essencial na área de segurança pública”. A afirmação é de Diógenes Tenório, secretário de Defesa Social de Alagoas, estado que já adotou o sistema digital para os órgãos de segurança. “Decidimos dar início ao processo de migração do analógico para o digital não apenas para atender à norma da Anatel, mas também para termos um sistema mais eficiente de combate ao crime organizado”, concluiu.

Alagoas implantou recentemente o sistema digital padrão Tetra e investiu R$ 15 milhões. Sobre os benefícios da iniciativa, o secretário Tenório enumera a capacidade de transmissão de dados, a conectividade, localização e rastreamento por GPS . “É a tecnologia a favor da segurança”, pontua.

Engenheiro de produção elétrica e consultor na área de telecomunicações, João Marcelo Corrêa, que atua em Florianópolis, destaca que a operação em caráter secundário (analógica) expõe ainda mais as forças de segurança às interceptações de terceiros, uma vez que as ondas do sinal ficam vulneráveis, o que pode fazer com que a frequência caia mesmo sem o sinal ter sido invadido. “O sistema também é prejudicado, porque a empresa [Direta Telecomunicações] que presta o serviço em Santa Catarina não pode ampliar suas estações, melhorar a infraestrutura, nada. Então, se o sistema já é precário, nos próximos meses ele ficará pior”, afirma Corrêa, que tem 19 anos de experiência na área de telecomunicações.

Uma das justificativas do governo catarinense para não aderir ao rádio digital é o alto custo do sistema. Especialistas, entretanto, contestam esta versão com diferentes argumentos. “O custo do digital não justifica trabalhar com a ineficiência do analógico. Dinheiro investido em segurança tem retorno garantido para a população”, diz o engenheiro João Marcelo Corrêa.

Ele lembra que manter o sistema analógico custa mais caro, ao longo dos anos, que implantar o digital. Além disso, afirma, os órgãos de segurança de Santa Catarina não podem falar em custos do sistema digital sem antes fazer um estudo técnico das necessidades da polícia e da realidade geográfica do Estado. “Antes de dizer se é barato ou caro, é preciso estudar a realidade da região, a geografia, a quantidade de policiais. Enfim, fazer um estudo técnico, e não politiqueiro”, afirma.

Nelson Mendonça, gerente comercial da Alcon Engenharia de Sistemas, empresa com sede em São Paulo que implantou sistemas de radiocomunicação digital em 30 cidades brasileiras, lembra que no sistema digital os equipamentos têm garantia nos três primeiros anos de operação, sem custos de manutenção. “Você vai gastar menos e agregar mais”, diz.

Para Mendonça, o sistema digital também proporciona uma melhor relação custo/benefício entre o investimento e o retorno. “A convergência à tecnologia digital permite a utilização das redes de dados ethernet (IP ) para transporte das comunicações de voz e dados do operacional às centrais de controle, padronizando as topologias de rede, além de maior controle, confiabilidade e melhor atendimento à população”, avalia.

No Brasil, os Estados de São Paulo, Alagoas, Espírito Santo, Paraná, Distrito Federal, Sergipe e Pará já implantaram ou deram início à implantação do sistema de radiocomunicação digital em segurança pública. O secretário-adjunto de Segurança Pública de Sergipe, João Batista dos Santos Júnior, explica que o edital de licitação está em fase final, e que a agilidade do sistema será um diferencial para as forças policiais sergipanas. “O digital permitirá agilidade na troca de informações e comunicação mais rápida entre todos os órgãos de segurança”, diz.

“Se tiver de ser digital, será”

O comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina, coronel Valdemir Cabral, confirma que o sistema de radiocomunicação não funciona em alguns locais e, além disso, a criminalidade ouve toda a conversa dos policiais. “Isso nos desagrada muito”, queixa-se. Cabral salientou que o contrato com a terceirizada Direta Telecomunicações termina em setembro, quando deverá que ser realizada uma nova licitação. “Não tem como fugir da legislação. Se a Anatel determina que o serviço deve ser digital ele será”, diz. “Ele explicou que na fronteira está sendo licitado um sistema para radiocomunicação digital, por meio do Enafron (Estratégia Nacional de Segurança Pública para as Fronteiras) e disse que estes dois sistemas têm de conversar.

Como deve ser a licitação?

Temos que ver o que está sendo feito na fronteira. O sistema que vamos licitar tem que casar com o da fronteira. O sistema que temos hoje atende apenas 80%. Temos algumas áreas de sombra, pois os nossos rádios não são digitais. Temos problemas com pessoas que escutam nossos rádios, isso nos dá muita insegurança. Os marginais se aproveitam para saber onde estão as polícias, para cometer os crimes.

Esta licitação é para analógico ou digital?

Se a Anatel determina que seja digital, será digital. Os rádios da PM operam somente no analógico. Eles vão para o lixo. Prejuízo de cerca de R$ 6 milhões? Terá que ser feito um estudo bem sério. Se tivermos que mudar o sistema, vamos mudar. O sistema que temos com a Direta é casado: nós alugamos os rádios, é feito um pagamento mensal para cada equipamento utilizado. As repetidoras também. Se forem todas da Direta, a empresa que ganhar a licitação terá que montar esta estrutura em todo o Estado.

A Direta só opera em 800 MHZ. A licitação é para o sistema digital que opera em 380 MHZ?

Ou ela se adapta ou outra empresa será chamada. Obviamente vai ter um período de carência, mas vamos ter que nos adaptar. Assim como antes, quando saímos do nosso sistema antigo ficamos um tempo sem conversar. Os bombeiros continuam no sistema antigo, eles não mudaram.

Digitais: opção de dois padrões internacionais

No mercado de radiocomunicação existem apenas dois padrões abertos e internacionalmente reconhecidos: Tetra e Apco P25. Em áreas de terra extensas, como Brasil, Estados Unidos e Austrália, o modelo mais utilizado é o Apco P25, que tem maior potência de transmissão das repetidoras, de acordo com o engenheiro João Marcelo Corrêa.

Outro ponto importante, reforça o engenheiro, refere-se aos rádios. “No Apco os rádios têm mais potência que no Tetra, e muitas vezes também são mais econômicos. Pela potência do Apco, o número de bases necessárias para cobrir o Oeste de Santa Catarina, por exemplo, seria dezenas de vezes menor que com o Tetra”, explica.

O Tetra é um modelo europeu que nasceu para cobrir ambientes relativamente fechados, onde a densidade demográfica é alta, como é o caso dos países europeus, aeroportos, plataformas petrolíferas e regiões densamente povoadas, exemplos de regiões Metropolitanas das grandes cidades, destaca Corrêa.

“O Tetra funciona melhor na Europa porque lá os países são pequenos em extensão e têm grandes concentrações populacionais, o que demanda menos torres de transmissão e estações”, diz. Independente do modelo, Corrêa lembra que é necessário sempre se fazer um estudo técnico antes de implantar qualquer dos dois sistemas, pois a Anatel trabalha com os dois modelos.

Traficantes ouvem o que a polícia fala

“Estão vendo este equipamento? É com ele que os traficantes ouvem o que a polícia fala. Por isso preferimos o telefone celular para nos comunicar”. A frase é do delegado Cláudio Monteiro durante entrevista coletiva da Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), quarta-feira (25), quando apresentou o resultado da operação realizada no Morro da Caixa, em Florianópolis.

O rádio HT foi apreendido junto com 50 quilos de maconha, 8.000 comprimidos e excstasy e de 2.000 petecas de cocaína. A preocupação do delegado é compartilhada com o comandante-geral da Polícia Militar, Valdemir Cabral. Ele afirma que a tropa se sente insegura quando fala ao rádio. A empresa terceirizada que fornece o serviço de radiocomunicação para a SSP , a Direta Telecomunicações, opera na modulação analógica e frequência de 800 MHZ.