Área do associado

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Clipagem do dia 26 de março

26.3.2014

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE 26.03.2014

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

Proibido show de fogos no Guns

A empresa Fogos Rei Tiro e Cor, de Nova Trento, encaminhou ao comando geral do Corpo de Bombeiros requerimento solicitando autorização para montagem de espetáculo pirotécnico durante o show da banda Guns N Roses (foto), dia 1o de abril, na Devassa One Stage. Antes mesmo da análise técnica da proposta, o Corpo de Bombeiros Militar já decidiu indeferir o pedido com base em legislação municipal e estadual que restringe tal prática.
A restrição ao show de fogos de artifício não impede a apresentação da banda. O laudo com a autorização definitiva ainda não foi emitido, porque depende de vistoria dos bombeiros in loco.
A assessoria da Devassa One Stage informou que a casa vai cumprir o que determina a legislação e acatar a orientação. As medidas ainda levam em conta o efeito do incêndio da Boate Kiss, de Santa Maria, no qual 242 pessoas morreram.

Conexão Brasília

Tão logo tomou conhecimento do conflito entre agentes da PF e estudantes dentro do campus da UFSC, a reitora Roselane Neckel entrou em contato com a ministra Ideli Salvatti para relatar o episódio. Ideli, então, acionou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Roselane soube pela PF que ações da inteligência contra o tráfico estavam em andamento ainda ano passado, mas garante não ter sido informada sobre a ação da polícia deflagrada ontem. A relação entre a reitoria e a PF ficou ainda mais delicada.

Confronto

A Reitoria vai enviar ainda hoje relatório detalhado à Secretaria Nacional de Direitos Humanos contra o que classifica de atos truculentos praticados pelas polícias no campus.

Data marcada

O governador Raimundo Colombo definiu para o próximo dia 2 de abril a entrega da medalha de honra ao mérito Anita Garibaldi ao delegado Renato Hendges, o Renatão. A comenda é a mais importante concedida pelo Estado de SC.

 

ASSUNTO: TENSÃO NA UFSC

VEÍCULO: Diário Catarinense

Dia de fúria na universidade

Prisão de rapaz com maconha causou reação de estudantes e terminou em confronto com a polícia e com o prédio da Reitoria ocupado

U ma operação da Polícia Federal (PF) contra o tráfico de drogas no campus da UFSC, no bairro Trindade, em Florianópolis, resultou em cenas de violência envolvendo policiais, estudantes e professores. Houve corre-corre e gritaria por cerca de 15 minutos. A Tropa de Choque da Polícia Militar, chamada pela PF, ocupou o local usando bombas e gás lacrimogêneo. O saldo do dia: dois carros virados e depredados, cinco universitários detidos e liberados, pequena quantidade de maconha apreendida e a Reitoria ocupada pelos estudantes.
 A confusão teria se iniciado por volta das 15h. Quatro universitários estavam sentados do lado do Centro de Filosofia e Humanas (CFH), próximos das salas de aula, quando três policiais federais à paisana se aproximaram. Segundo a PF, um dos jovens estaria fumando maconha, informação negada pelos outros três rapazes que o acompanhavam. Na mochila de um deles, os agentes disseram encontrar uma pequena quantidade de droga, suficiente para cinco baseados.
O estudante que estava com a mochila, matriculado no curso de Geografia, foi levado para a viatura descaracterizada da PF estacionada um pouco mais adiante, no bosque da UFSC. Ele seria encaminhado para a sede da PF a fim de prestar esclarecimentos, mas a transferência foi impedida pelos alunos e professores que cercaram o automóvel Astra da PF, sem identificação.
Iniciou-se a negociação. Os agentes falaram que levariam o estudante para a Delegacia da PF. Professores e alunos queriam que o universitário assinasse ali mesmo o Termo Circunstanciado e fosse liberado. No meio da discussão, pneus do Astra foram esvaziados pelos manifestantes e o aluno foi transferido para a caminhonete do Departamento de Segurança da UFSC. Gritos de “fora PM” passaram a ecoar pelo bosque. Uma professora teria impedido a saída do carro da PF ao se colocar na frente do automóvel e gritado:
“Ninguém vai sair daqui!”
A situação fugiu do controle quando a Tropa de Choque da PM decidiu tirar o universitário do local. Os policiais militares usaram gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar os estudantes e professores que estavam rodeando o carro onde estava o estudante. Houve gritaria e corre-corre. Quando a Tropa de Choque se afastou, já com o jovem, os veículos foram virados. Dois policiais federais se feriram, diz a PF. Ninguém deu entrada no Hospital Universitário à procura de atendimento.
Passava das 18h quando PMs e agentes federais deixaram o campus, o que não bastou para encerrar a confusão. Centenas de universitários se dirigiram à Reitoria, onde montaram barricada com mesas e cadeiras. Pouco antes das 20h, ocuparam o saguão, onde permaneciam até a meia-noite, alguns com barracas.
Cinco estudantes (um aluno de Geografia, dois de Engenharia de Produção, um de Antropologia e um aluno do Ensino Médio, que não é aluno da UFSC) foram levados em viaturas da PM para a sede da Polícia Federal para prestar depoimento. Por volta das 22h os cinco foram liberados e, segundo a PF, vão responder a Termo Circunstanciado por posse de droga.
A principal reivindicação dos universitários que ocuparam a Reitoria é a proibição da atuação de policiais no campus. Exigiam da reitora Roselane Neckel até a assinatura de um documento sacramentando esse compromisso.
– Só sairemos quando conseguirmos um documento que nos garanta isso – disse a estudante de Psicologia Gabriela Celestino, uma das primeiras a ocupar o prédio.
O chefe de gabinete da Reitoria, Carlos Antonio Vieira, informou aos universitários que uma audiência para tratar do assunto está marcada para as 16h de hoje. O Ministério da Justiça comunicou que ainda hoje entregará um dossiê a Roselane sobre a ação da PF no campus.

CENÁRIO DO CONFRONTO

REITORIA

Estudantes viraram uma viatura da segurança da UFSC e um veículo sem identificação usado pelos policiais federais. Após a saída da polícia do campus, eles invadiram o prédio da Reitoria e anunciaram que permaneceriam lá até terem garantia de que não haverá mais presença policial dentro da universidade.

BOSQUE

Policiais federais com cães farejadores revistaram estudantes que estariam fumando maconha e encontraram pequena quantidade da droga. A saída da PF com os alunos rumo à delegacia foi bloqueada por centenas de estudantes e o Choque da PM foi acionado, iniciando-se um confronto.

 

PF diz que fazia operação

A presença da Polícia Federal à paisana dentro do campus da Universidade foi justificada ontem à noite à reportagem do DC pelo superintendente em exercício da Polícia Federal em Santa Catarina, delegado Paulo César Barcelos Cassiano Júnior, que informou que os policiais estavam em uma operação contra o tráfico de drogas.
– A própria UFSC nos comunica do consumo de entorpecentes no campus. Isso não é segredo pra ninguém. É muito conhecido que pessoas adentram o espaço público da universidade para consumir entorpecente. Especialmente naquele local, que é ermo, bucólico e parece um bosque.
O superintendente acrescentou que a operação não foi deflagrada exclusivamente na universidade. Policiais federais que atuaram na investida dentro do campus reforçaram ontem à noite, na Delegacia da PF, que investigadores com dois cães farejadores – um pastor-alemão e um pastor-belga – estiveram também no Aeroporto Hercílio Luz, segunda-feira, e em uma unidade dos Correios, ontem pela manhã, para identificar a presença de drogas.
Um dos cães foi trazido de Brasília e participou da ação que os policiais chamam “trabalho treinado”.
Ação é independente da recomendação do MPF
A Polícia Federal também reforçou que a ação foi programada, independentemente de recomendação do Ministério Público Federal.
– O MP não recomendou nada, até porque o ministério recomendar que nós coibamos o uso de entorpecentes é chover no molhado. Nós não fizemos nada de extraordinário.
O delegado ressaltou ainda que a Polícia Federal tem investigações que conduzem a informações sobre o uso de entorpecentes no local conhecido como bosque, ao lado do Centro de Filosofia e Humanas, o que motivou a presença da PF.

“Ação violenta e desnecessária da PF fere autonomia”

Nesta página e na seguinte a reitora da UFSC, o líder da PF em Santa Catarina, o comandante da PM da Capital e a advogada dos estudantes detidos analisam os confrontos de ontem no campus.

 

Diário Catarinense – Quais são as medidas que a universidade pretende tomar?
Roselane Neckel – A UFSC foi surpreendida por uma ação violenta e desnecessária da Polícia Federal, que feriu a autonomia universitária e os direitos humanos. Em vários momentos tentamos diálogo com a PM e a PF. Quaisquer ações que envolvam diligências com este perfil precisam ser imediatamente comunicadas à Reitoria. Isso não foi feito. Não fomos informados da ação. Fomos informados por terceiros … Imediatamente liguei para o superintendente da PF, solicitei esclarecimentos e informei a ele o estranhamento a respeito da ação com camburões, cachorros e armamentos pesados a 200 metros do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI), onde ficam crianças que, inclusive, sofreram com o gás de pimenta lançado pelos policiais.

DC – A universidade não tinha informação sobre a ação?
Roselane – Não. Não deveria ser feita nenhuma ação policial dentro do campus. As ações deveriam ser feitas onde está o problema social. Imagine o que poderia acontecer se traficantes resolvem reagir dentro da universidade?

DC – A senhora pediu para que houvesse combate ao tráfico de drogas na universidade?
Roselane – O que foi solicitado pela PF, que me intimou, é porque havia ocorrido uma denúncia anônima em relação ao uso de drogas nas imediações do NDI. Fui intimada a depor como gestora a respeito das providências que estavam sendo tomadas. Reconhecemos o problema social que é a questão das drogas. No entanto, acreditamos que a PF tem condições de monitorar o tráfico de drogas dentro da UFSC, como quaisquer outro espaço em Florianópolis, e valorizar operações que combatam os traficantes, mas que preservem a tranquilidade da universidade. E que todas as ações sejam feitas fora da UFSC.

DC – E que ações preventivas a UFSC tem em relação às drogas?
Roselane – A Pró-reitoria de Assuntos Estudantis está fazendo um programa contra o uso abusivo de drogas. Inclusive, a UFSC é responsável por um programa junto à Secretaria Nacional Antidrogas de capacitação e conselheiros municipais. As nossas práticas são educativas, não são repressoras. Isso não nos cabe. Cabe, sim, proteger a comunidade de ações que coloquem em risco a vida das pessoas. Essa era nossa apreensão que foi dita às polícias Federal e Militar. Nós tínhamos um diálogo, mas no sentido de que a PF deveria apenas fazer um monitoramento. Mas, por favor: quaisquer ações que envolvam armamentos que não aconteçam no campus da UFSC…

DC – A senhora entrou em contato com a PM quando a confusão começou?
Roselane – Não. A PM é que me ligou para me informar que havia sido solicitada e que havia estranhado este tipo de ação.

DC – A senhora vai encaminhar algum relatório a Brasília?
Roselane – Estamos buscando todos os relatos que foram colocados pelos estudantes presentes lá. Nós temos vários depoimentos que precisamos registrar com relação a essa situação para que possamos fazer a melhor análise. Agora, é indubitável o registro da intransigência em mediar o conflito.

DC – Onde a senhora estava durante a confusão?
Roselane – No gabinete da Reitoria e estava negociando com outras instâncias do governo federal diante da percepção de que o diálogo que estava sendo realizado pela nossa equipe junto ao superintendente da PF não iria ter sucesso.

 

“Só pode ser brincadeira da direção da UFSC”

Por que o senhor foi pessoalmente ao campus?
Paulo César Barcelos Cassiano Junior – A partir da informação de que nossos policiais estavam ilhados no campus em virtude de terem efetuado prisões em flagrante, fui pessoalmente. Constatei que nossos policiais estavam limitados no direito de agir e, imediatamente, acionei a PM e o Choque para dar apoio.

Quantos foram presos?
Cassiano – Cinco, nenhum na confusão. Todos receberam voz de prisão antes, por uso de entorpecente, posse de maconha.

Qual a quantidade?
Cassiano – Não sei, o procedimento está em andamento (ontem).

Qual o motivo para a PF estar no campus?
Cassiano – Entorpecentes. A própria UFSC nos comunica do consumo no campus. Isto não é segredo pra ninguém. É muito conhecido que alunos da UFSC. Pessoas adentram o espaço público da UFSC para consumir entorpecente. Especialmente naquele local ermo, bucólico, parece um bosque.

Há inquérito ou solicitação do Ministério Público?
Cassiano – O MP não recomendou. O MP recomendar que nós coibamos o uso de entorpecentes é chover no molhado. Com um cachorro que veio de Brasília, a gente fez um trabalho treinado no Aeroporto Hercílio Luz. Hoje (ontem) fomos à UFSC. Nada de extraordinário.

Tratava-se de um teste com o cão farejador?
Cassiano – Não era teste. Era uma operação policial.

A Reitoria disse que vai tomar medidas cabíveis sobre a operação da Polícia Federal.
Cassiano – Só posso achar que isto é uma brincadeira por parte da direção da UFSC. Só pode ser um pronunciamento em tom jocoso. Talvez a reitoria devesse é empreender ações efetivas que pudessem cooperar para que crimes que estejam ocorrendo no campus sejam prevenidos. A ação da PF foi legítima. Todas as tentativas de solução que não ferisse a legalidade e nem o padrão de conduta policial foram esgotadas. Mas nenhuma proposta por parte dos manifestantes que pudesse redundar em um fim pacífico foi apresentada. A Reitoria em nenhum momento apresentou alternativa viável do ponto de vista legal para que saíssemos de lá de maneira pacífica. A prova de que os manifestantes não tinham interesse em cooperar é que nos receberam a pedradas e uma viatura foi destruída, o que revela um comportamento de vândalo. Criminoso por parte dos estudantes. Comportamento desonroso e vergonhoso para estudantes de ensino superior e que estudam às custas do Estado e desonrosos por parte da Reitoria que fica contra a PF.

DC – Houve a proposta de que o procedimento da PF fosse feito lá para não agravar a situação…
Cassiano – Correto. Não falei que não houve proposta, falei que não houve proposta que atendessem às prerrogativas do protocolo da Polícia Federal. A PF não é um órgão recreativo. Não é dedicada a sentar em um bosque da universidade para lavrar seus procedimentos. Nós não fazemos piquenique. A PF é um órgão de repressão criminal e diante de uma intervenção criminosa a PF atua com energia e rigor próprios de uma instituição que tem as armas e instrumentos dados pela lei. Simples assim. Não havia condição de a PF lavrar um procedimento cartorário em um bosque da UFSC, diante do olhar de estudantes indignados com o comportamento da polícia. Esta alternativa foi descartada porque é absurda.

 

 “Temos informação de que há consumo de drogas na UFSC”

 

Diário Catarinense – Quem acionou a Polícia Militar para ir ao campus da UFSC?
Araújo Gomes – A Polícia Federal e o departamento de Segurança da própria UFSC.
 

DC – O senhor sabe por qual razão?
Gomes – Que na operação eles realizaram prisões e que um grande número de alunos havia cercado e estava impedindo a saída dos agentes da Polícia Federal, dos detidos e pediram apoio para a segurança dos agentes.

DC – Na sua avaliação não tinha como negar o pedido mesmo com a questão da jurisdição de que a PM não pode fazer a segurança na UFSC?
Gomes – Na verdade, a questão de jurisdição não entra em pauta. Porque se o pedido vem da Polícia Federal, que tem jurisdição, se vem da própria universidade através do seu departamento de Segurança, que tem responsabilidade administrativa, essa discussão – em que nós entendemos que podemos sim atuar em flagrante – não vem nem ao caso. Mesmo supondo que não houvesse jurisdição, que não é o que a Polícia Militar acredita, a condição para a intervenção seria uma solicitação. E a solicitação houve.
 

DC – Alguns estudantes questionaram o fato de a PM atuar em um campus, que é de atribuição federal.
Gomes – Isso foi tema de discussão no ano passado. Entendemos é que não faz sentido uma força estadual fazer policiamento dentro de área federal sem que haja acordo, entendimento, articulação com a comunidade universitária no que diz respeito ao policiamento de rotina. Seria a mesma coisa que entrarmos dentro do saguão do prédio do Incra, que é aberto ao público, para fazer policiamento sem que antes houvesse um entendimento entre os dois órgãos. Pode, mas não faz sentido. Outra coisa é a intervenção em situações de flagrante delito ou quando acionado para prestar socorro. Nesses casos a PM pode entrar inclusive em residências, que dirá num espaço aberto, mesmo sendo ele de responsabilidade federal.
 

DC – Qual a sua avalição sobre o uso da força, das bombas e do gás lacrimogêneo?
Gomes – É preciso deixar claro que a ação se iniciou através da Polícia Federal. Atendemos a um chamado da universidade e da PF para garantir a segurança dos policiais, das pessoas envolvidas. Houve um esforço da PM para evitar qualquer tipo de confronto. Esse esforço foi testemunhado pelo chefe de gabinete, o representante da reitoria, pelos professores, pela própria deputada Carminatti (Luciane Carminatti, deputada estadual), por autoridades e comunidade que estavam lá. Mas a decisão era do delegado da Polícia Federal, que executou a prisão. A nossa postura, quando eles procuraram concluir a prisão, tirando o preso das mãos da multidão, era a de proteger os policiais federais, garantir que houvesse o mínimo de danos ao patrimônio. A PM empregou o escalonamento do uso da força. Inclusive avisamos o interlocutor de que a partir de determinado momento, pela postura da PF de cumprir a prisão até o final, era possível o uso da força. E pedimos a ele que avisasse os manifestantes sobre isso: de que um distensionamento fosse possível,. Mas infelizmente não aconteceu.
 

DC – Tem ocorrido ação da PM na UFSC?
Gomes – Esse apoio é usual. Fazemos, com frequência, em casos de furtos. Nas festas que ultrapassam os horários também somos chamados e fazemos a intervenção. Essa não é uma conduta atípica.

DC – Há informações extraoficiais de que a UFSC teria acionado a Polícia Federal para investigar o consumo de drogas no campus?
Gomes – Temos, sim, informações de que há sim consumo de drogas no interior da UFSC durante a semana, nas festas. E nós, por algumas vezes, em ações ao redor da UFSC, em pontos de drogas, fizemos a detenção, a identificação de alunos da UFSC como usuários, comprando drogas. O caso mais evidente é de um local nos fundos da UFSC, conhecido como boca do Cesinha, no Pantanal, onde foram realizadas dezenas de operações e, em muitas delas, estudantes da UFSC foram identificados e autuados como usuários.

 

“A Polícia Federal agiu de forma desproporcional”

Os cinco estudantes presos na UFSC ontem à tarde foram liberados pela Polícia Federal às 22h, após exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, no bairro Itacorubi. Nenhum integrante do grupo quis conversar com a imprensa sobre os acontecimentos da tarde, mas por telefone a advogada Daniela Felix, que representa os jovens no caso, concedeu entrevista.

Diário Catarinense – O que os estudantes relataram sobre os acontecimentos na UFSC?
Daniela Felix – Relataram que a Polícia Federal escolheu cada um aleatoriamente. Eram cinco estudantes que não tinham vínculo entre eles (dois eram da Engenharia de Produção, um da Antropologia, outro de Geografia e o quinto era estudante do Ensino Médio). Não tinham elementos que os identificassem como narcotraficantes, que não estavam fumando maconha e apenas dois do grupo tinham uma pequena quantidade. Juntando tudo era o suficiente para três baseados, algo que não justifica a ação despropositada, com a Polícia Militar, Choque e tudo o que se viu.

DC – Então por que a polícia efetuou as prisões?
Daniela – Eles estavam no bosque, que é frequentado por toda a comunidade acadêmica e que, historicamente, é usado como local onde os universitários fumam maconha. A Polícia Federal alega que havia um pedido da Reitoria, o que eu não acredito, para fazer operações no local em busca de entorpecentes. O que aconteceu foi uma ação truculenta, onde a Polícia Federal não abriu qualquer espaço para negociação. Todas as entidades estavam lá representadas e acabaram sofrendo os efeitos da ação, que teve bala de borracha e bombas de gás lacrimogênio.

DC -–O que a senhora acha que deveria ter sido feito?
Daniela – Poderiam, por exemplo, ter lavrado o termo circunciado ali mesmo, mas não foi o que aconteceu. A forma como a Polícia Federal agiu foi desproporcional, como disse. A PF não se ocupa por três baseados. E eles nem estavam fumando.

DC – Qual vai ser o próximo passo na defesa deles?
Daniela – Ainda não conversamos direito sobre isso. Depois da confusão, eles contribuíram com todos os procedimentos da Polícia Federal. Em nenhum momento dificultaram o trabalho da Polícia Federal. Foi lavrado o termo circunstanciado e, pelo procedimento padrão, deve haver uma audiência conciliatória na Justiça Federal. Mas existe um entendimento de que em casos como este, com tão pouca quantidade de entorpecente, o caso deve ser arquivado. Amanhã (hoje) vamos nos reunir para tomar alguma decisão sobre como proceder daqui para a frente.

 

Segurança no campus é tema polêmico

Em meio a uma onda de assaltos a mão armada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em maio do ano passado, a reitora Roselane Neckel alertou que pediria ajuda das polícias Civil e Militar para atuar dentro do campus.
Delicado e controverso, o tema segurança dentro do campus é alvo de discussão antiga. O motivo está na jurisdição sobre quem compete atuar nessa área dentro da universidade.
Legalmente, a área é federal e, naturalmente, a segurança interna e externa compete à Polícia Federal, ao departamento interno de segurança e não às polícias estaduais nem à Guarda Municipal.
A UFSC conta com um Departamento de Segurança Física e Patrimonial (Deseg). A ele compete a coordenação das atividades, planejamento, execução e avaliação de projetos e atividades na área de segurança. Além disso, cabe ao departamento fazer investigações e registros de anormalidade como furtos e roubos e atuar em postos de segurança nas entradas e vias de acesso. A equipe conta com servidores e veículos e costuma ser vista em ações pelo campus.
O tenente-coronel Araújo Gomes, comandante do 4º Batalhão da PM, afirmou que a corporação tem sido chamada pela própria universidade para auxiliar nos casos de crimes dentro do campus. No campus da UFSC circulam 35 mil pessoas diariamente, o assunto ganha proporções maiores. Isso porque há problemas como a criminalidade dentro e fora da área e outras queixas como perturbação do sossego.

Dois anos depois, nova invasão

Até então inédita na gestão da reitora Roselane Neckel, a invasão do prédio da administração central é um instrumento recorrente de reivindicação e protesto entre os estudantes da UFSC. Nos últimos anos, a maior invasão aconteceu em agosto de 2007, quando os alunos permaneceram nove dias na Reitoria – o que levou o então reitor, Lúcio Botelho, a despachar em um escritório da universidade localizado no Centro de Florianópolis.
Na época, os estudantes reivindicavam abertura imediata de concurso público para a contratação de professores e servidores efetivos com dedicação exclusiva, aumento no valor das bolsas de estudo e ampliação da moradia estudantil. Ainda na gestão de Botelho, os alunos haviam promovido ocupações em junho e setembro de 2005.
Também houve ocupação da Reitoria na gestão de Álvaro Prata, antecessor de Roselane. Foram três dias, entre 26 e 29 de agosto de 2011, tendo como principal reivindicação o reajuste do benefício bolsa-permanência de R$ 364 para R$ 420 – alcançada após negociação direta com o reitor.
Invasões da Reitoria também ganharem destaque na Universidade de São Paulo nos últimos anos. Em 2013, os estudantes paulistas ocuparam por 42 dias a administração central da instituição. A presença de policiais no campus era uma das principais críticas dos alunos, assim como na invasão iniciada ontem na UFSC. A Reitoria da USP foi desocupada após uma liminar do Tribunal de Justiça e a presença da Polícia Militar. A USP afirmou que os prejuízos foram de R$ 2,4 milhões por causa de danos ao patrimônio e furtos.

 

ASSUNTO: Estupro em Joinville

VEÍCULO: Diário Catarinense

CASO VITÓRIA SCHIER: Acusado é condenado a 42 anos

Carlos Alberto de Andrade, 39 anos, acusado de matar a adolescente Vitória Schier, 16 anos, foi condenado a 42 anos de prisão em regime fechado. A sentença foi proferida no meio da tarde de ontem pela juíza Karen Francis Schubert Reimer, durante audiência de instrução e julgamento no Fórum de Joinville.
Após ouvir quatro testemunhas, a juíza chamou o pai de Vitória, que prestou depoimento e, a seguir, a mãe. A audiência foi encerrada e a sentença lida a portas fechadas para a família.
– A Justiça dos homens foi feita. Agora, falta a de Deus –, disse Christiane Schier, mãe de Vitória.
Enquanto transcorria a audiência, familiares da jovem e a imprensa aguardavam no corredor do Fórum. Cartazes levados por conhecidos da vítima pediam pena máxima para Carlos Alberto de Andrade, que é autor confesso do crime.
Ele esteve foragido por três meses até ser localizado e detido em Paranaguá (PR). Com base na investigação do delegado Paulo Campos, o Ministério Público concluiu que o réu tinha a intenção de cometer um roubo quando chegou ao local do crime, no bairro Bom Retiro.
Defesa não poderá apelar com réu em liberdade
Ao perceber que Vitória passava, afirma a denúncia, o acusado a atacou e a arrastou até o matagal. Lá, Vitória foi estuprada e morta por asfixia. A adolescente voltava da escola e estava a poucos metros de casa. Houve roubo, acusa o MP, porque Carlos Alberto levou o celular e R$ 50 da adolescente.
Imagens de uma câmera e exame de DNA ajudaram na comprovação.
– Aos olhos do Ministério Público, foi feita justiça –, diz o promotor Ricardo Paladino.
Outra decisão da juíza foi que a defesa de Carlos Alberto não terá direito de apelar com o réu em liberdade.

 

ASSUNTO: Violência no ABC

VEÍCULO: Diário Catarinense

FALANDO AO CELULAR: Médico é assassinado na porta de academia

O ortopedista Dárcio Maurício Correia, de 36 anos, foi morto a tiros, por volta das 20h de segunda-feira em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Segundo a polícia, ele havia estacionado seu Mitsubishi Pajero branco no local, enquanto falava ao celular e se preparava para entrar na academia. Os dois atiradores fugiram sem levar nada. Quando a Polícia Militar chegou ao local, o médico já havia sido socorrido. Ele foi levado ao hospital, onde morreu. A Polícia Civil busca testemunhas do crime.

 

ASSUNTO: Morte de PM

VEÍCULO: Diário Catarinense

DESAVENÇA DE VIZINHOS: Policial é morto em briga

O cabo da Polícia Militar Jorge Luiz de Andrade, 47 anos foi morto após uma discussão por volta das 21h40min de ontem, no Bairro Saco dos Limões, em Florianópolis.
O motivo do assassinato teria sido uma desavença com um vizinho dele, perto de um rancho de pesca.
O policial militar foi ferido com uma facada no pescoço e morreu ainda no local. Ele estava de folga. Andrade e o suspeito eram vizinhos. Policiais disseram que os dois teriam discutido à tarde e que tinham uma desavença havia cerca de dois anos.
Ainda conforme policiais que foram ao local do crime ontem, na segunda-feira, em outra discussão, o cabo teria disparado oito tiros na casa do suspeito. As marcas ficaram no portão da casa.
Até a meia-noite, policiais civis da Delegacia de Homicídios e PMs procuravam o autor do crime, que fugiu logo depois do ocorrido.
O cabo Andrade atuava no 4o Batalhão da Polícia Militar em Florianópolis e, após 28 anos de serviços prestados à PM, iria se aposentar em agosto deste ano.
Abalados com a morte, familiares do policial não quiseram conversar com a reportagem ontem à noite.

 

ASSUNTO: CADEIAS LOTADAS

VEÍCULO: Diário Catarinense

Decisão judicial solta 17 detentos

Determinação da juíza considerou a falta de vagas nas penitenciárias

Dezessete presos em flagrante por crimes graves, entre eles estupro, assalto, assassinato e tráfico de drogas ganharam a liberdade na tarde de ontem em São José, na Grande Florianópolis.
A delegada regional da Polícia Civil em São José, Sandra Mara Pereira, disse que a soltura aconteceu em atendimento a determinação da Vara de Execuções Penais.
Segundo ela, a polícia não conseguiu nos últimos dias vagas no sistema prisional para encaminhar esses detentos que estavam irregularmente em delegacias. Desde a semana passada, quando começou a greve dos agentes penitenciários em SC, os agentes não estão aceitando mais novos detentos.
Com isso, as carceragens pequenas das delegacias voltaram a ficar lotadas. Dos 17 presos, 15 estavam na Central de Polícia que fica no bairro Barreiros e dois na 1a Delegacia de Polícia, no bairro Forquilhinha.
A decisão é da juíza da Vara de Execuções Penais, Alexandra Lorenzi da Silva. Ela cita a greve dos agentes penitenciários no texto: “Entendo que o direito de greve dos agentes não pode ser considerado de forma absoluta, uma vez que há outros direitos fundamentais que devem ser tutelados”.
A magistrada lembra que as celas em que estavam os presos, a 2a DP onde funciona a Central de Polícia, haviam sido interditadas e não apresentam condições de manter qualquer pessoa. Além disso, recordou a decisão do Tribunal de Justiça de SC que determinou o imediato fim da greve.

 

ASSUNTO: HOMICÍDIOS EM SC

VEÍCULO: Diário Catarinense

Foragido é preso no PR

As policias civil e militar de Laranjeiras do Sul, a 360 quilômetros de Curitiba (PR), prenderam ontem o foragido da Penitenciária Industrial de Joinville Fábio Ferreira da Cruz.
Em 2012, ele escapou pelo portão da frente da penitenciária dentro de uma caixa de papelão. Fábio cumpria pena de 36 anos de prisão por ter cometido um dos assassinatos mais violentos registrados em Joinville.
Ele e outro homem mataram Julio César dos Santos, 24 anos, que tinha uma dívida de drogas. Fábio foi acusado de homicídio qualificado, associação ao tráfico, destruição de cadáver, furto qualificado, corrupção de menor e falsa identidade. O homicídio aconteceu em março de 2010.
O corpo de Julio foi enrolado em um lençol, colocado dentro do porta-malas do próprio carro, levado para um matagal no bairro Itinga e, posteriormente, queimado.
Fábio também responde pela morte de Creusa Nunes, 62, sua ex-sogra. O corpo dela foi encontrado concretado no quintal de uma casa, no Parque Guarani, em Joinville.
Segundo o delegado Helder Andrade Lauria, Fábio estava sozinho em casa no momento da prisão. A suspeita é de que ele estivesse morando com a esposa na cidade paranaense desde a fuga de Joinville.