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Clipping de 10 a 12 de agosto

12.8.2013

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 10 DE AGOSTO

 

COLUNISTA SÉRGIO DA COSTA RAMOS – Diário Catarinense de 09.08

Uma carreira

O Serviço Público estadual precisa, mais do que nunca, de um único estatuto, que contemple carreiras de Estado.
É incoerente a política que fica “negociando” cada vez com uma categoria diferente. Ficar só repondo inflação para uns – e dando ganhos reais para outros, com maior poder de barganha – é uma flagrante injustiça. O mais importante é dar forma a uma carreira de Estado em que a folha reflita a meritocracia, e não uma gincana entre sindicatos, cada um desfraldando a tese do “farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Estruturar planos de carreira, organizando-os segundo o mérito, requer, contudo, dois ingredientes em falta na administração pública brasileira: competência e credibilidade.

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

MESMA BANDEIRA

Os presidentes da Associação dos Praças da PM (Aprasc) e o do Sindicato da Polícia Civil (Sinpol) reuniram-se para fechar um pacto: vão trabalhar juntos na pressão ao governo do Estado por reajustas salariais.

DIREÇÃO DEFENSIVA

A Floripa Harley-Davidson encerra neste sábado o curso de direção defensiva e pilotagem em grupo para motociclistas da Grande Florianópolis. O treinamento será conduzido pelo instrutor de motociclismo da Polícia Rodoviária Federal, Roberto Reckziegel. As aulas práticas serão no bairro Pedra Branca, em Palhoça

 

COLUNISTA CACAU MENEZES – Diário Catarinense

Segurança

Mais de 300 policiais militares, civis e bombeiros participaram do II Seminário Internacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Segurança Pública, realizado de quarta a sexta, na Fiesc. Até os tenentes-coronéis que estão em curso intensivo para futuras promoções assistiram às palestras do encontro

 

ASSUNTO: Equipamentos para Bombeiros

VEÍCULO: Diário Catarinense

OPERAÇÃO VERANEIO: Equipes de resgate em SC ganharão reforço

Temporada de verão inicia em outubro, porém equipamentos ainda estão em fase de licitação

O serviço realizado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina durante a Operação Veraneio irá contar com novos equipamentos para resgate. No entanto, apesar de a temporada iniciar em outubro, o prazo para a chegada das novas aquisições ainda não foi confirmado pelo Governo do Estado. São R$ 11 milhões em recursos do programa Pacto por Santa Catarina investidos para cobrir a falta de estrutura para resgates durante a temporada, com reforço para o interior.
A compra de veículos, embarcações, rádios de comunicação e roupas de mergulho deverá reduzir os acidentes em locais menos acessíveis aos batalhões do Estado. Em 2012, o número de mortes nas regiões não protegidas e mais afastadas das grandes cidades foi cinco vezes maior que nos locais com suporte dos bombeiros; em 2011, foram quatro vezes mais mortes.
Entre as novas aquisições deste ano, já foi encomendada a primeira embarcação do Estado que irá combater incêndios (modelo FireStorm 40) em outros veículos de navegação e portos – no último ano, aconteceram três casos de fogo em alto-mar, que foram atendidos com dificuldade pelos bombeiros. O barco tem mais de 13 metros de comprimento e custa R$ 2,7 milhões, R$ 500 mil a mais que todo o dinheiro investido durante a Operação Veraneio da temporada de 2012 para 2013.
Compra será oficializada na segunda-feira
O governador Raimundo Colombo e o secretário de Estado de Segurança Pública, César Grubba, irão oficializar todas essas compras na segunda-feira, em Florianópolis. O valor de R$ 11 milhões é o maior repasse desde que a operação começou a ser feita.
– O turismo de verão contribui para que quase 12% do PIB catarinense seja resultado da grande movimentação de visitantes entre dezembro e março. Queremos oferecer segurança e tranquilidade aos visitantes que vêm curtir férias no Estado – disse Colombo.

“Vamos priorizar o interior”

Entrevista: Comandante geral do Corpo de Bombeiros: Investimentos do governo do Estado servirão para equipar municípios do interior que muitas vezes ficam sem atendimento


Diário Catarinense – Por que o valor investido é tão superior ao ano passado?
Marcos de Oliveira – Nessa compra para a temporada de 2013/2014 vamos priorizar o interior, que muitas vezes fica sem atendimento por falta de transporte e equipamentos. E é a primeira vez que isso acontece, não queremos que o nosso efetivo fique acumulado somente no litoral, já que existem outras cidades que precisam de atendimento durante o verão. A menina dos olhos é a primeira embarcação do Estado que irá combater incêndios em alto-mar, e que deve ajudar nos portos. Ela deverá ficar em Itajaí.

DC– E quando chegam esses equipamentos?
Oliveira – Acreditamos que eles estejam disponíveis no começo da temporada, mas não posso garantir. É um processo licitatório para cada equipamento, com datas e valores diferentes, e não temos um prazo para que acabe. Esperamos que em meados de novembro.

DC – Há efetivo para tantos equipamentos?
Oliveira – Sim. Vamos trabalhar com 1,2 mil civis e 300 militares. Em novembro, se formam mais 180 pessoas que começam a trabalhar no dia 1o de dezembro na alta temporada. Além disso, o reforço de 400 bombeiros, como ocorre todos os verões, será mantido.

DC – E estão todos treinados para trabalhar utilizando essas embarcações, veículos, roupas de mergulho?
Oliveira – Todos precisam se formar bombeiros e durante todo o tempo de curso aprender a fazer tudo isso. Se alguma coisa não estiver bem acordada entre os batalhões, realizaremos novos treinamentos, mas isso não deve ocorrer. Inclusive vai ser um prazer para eles, que aprenderam a trabalhar de uma forma e agora terão ainda mais facilidade para utilizar todo o conhecimento do tempo de batalhão

Sem prazo para entrega

A Secretaria de Estado de Segurança Pública não confirmou a data de entrega dos 648 novos equipamentos – desde embarcações até kits de mergulho – e isso ocorre devido aos diversos processos licitatórios abertos para cada um dos tipos de aquisição dos novos materiais.
Espera-se, no entanto, que todos estejam disponíveis para os batalhões próximos às margens de praias e balneários na alta temporada, que inicia em novembro, e tem o maior pico entre dezembro e janeiro. A temporada só será encerrada em abril.
Depois da finalização de todas as licitações, serão recebidos 18 embarcações (uma contra incêndio, outra de médio porte e 16 para operações no mar), 10 barcos bem equipados com motores de 25 hp, 26 quadriciclos, 26 motonáuticas (jet-ski), 26 veículos de ronda, três micro-ônibus para o transporte de tropa, 500 rádios de comunicação e 39 kits completos de mergulho.
Os equipamentos serão distribuídos de acordo com o grau de necessidade de cada batalhão: o Vale do Itajaí está entre as regiões com maior investimento na estrutura para resgate.

 

ASSUNTO: ATAQUES EM SC

VEÍCULO: Diário Catarinense

Justiça decide pela volta de oito presos ao Estado

Juiz entendeu que não havia indícios contra os acusados de integrar facção criminosa e data para retorno ainda precisará ser marcada

A Justiça Federal de Natal (RN) decidiu o futuro de 13 detentos catarinenses acusados de envolvimento com o chamado Primeiro Grupo Catarinense (PGC), que foram transferidos para unidades de segurança máxima federais em fevereiro. Por decisão do juiz Walter Júnior, publicada na última semana, oito presidiários deverão voltar ao sistema prisional de Santa Catarina.
A decisão tem como base a falta de indícios contra os acusados e a ausência de documentos que certifiquem a vida carcerária dos suspeitos, como informações sobre as penas, tempo de condenação cumprida e eventuais direitos a serem concedidos.
O retorno dos presos ainda terá de ser programado. Outros cinco suspeitos vão continuar detidos na Penitenciária Federal de Mossoró (RN) pelo menos até fevereiro de 2014, onde também permanecem mais 20 detentos catarinenses que já tiveram a permanência em Mossoró garantida até fevereiro de 2014 numa decisão anterior.
Grupo foi transferido para frear onda de atentados
Entre os cinco está Adílio Ferreira, conhecido como Cartucho ou Juninho, que em 2009 participou de um motim de internos do Presídio Regional de Joinville, quando agentes penitenciários foram feitos reféns e 10 detentos fugiram. Adílio ainda teve participação na rebelião de 2010, também em Joinville, que resultou na morte de um policial militar em perseguição a presos foragidos – a viatura foi atingida por um trem e o soldado não resistiu.
Ele também está na lista de denunciados pela morte da agente penitenciária Deise Alves, que atuava na Penitenciária de São Pedro de Alcântara. Como em junho a Justiça Federal já havia determinado o retorno de outros três presos para SC, resta apenas ser decidido o futuro de Érico Antônio Padilha, que também teve passagem pelo sistema prisional joinvilense.
O grupo dos 40 detentos transferidos para fora do Estado, numa tentativa de combater as ondas de ataques registradas em Santa Catarina entre novembro de 2012 e fevereiro, se completas com outros três presos catarinense que continuam no Presídio Federal de Porto Velho (RO).

Detentos mudam os depoimentos

Duas das quatro testemunhas protegidas de acusação mudaram seus depoimentos no julgamento da agente penitenciária Deise Alves. Os nove réus pertenceriam à facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC), segundo a Polícia Civil e o Ministério Público. O segundo dia de instrução, ontem, começou por volta das 9h15min e terminou cerca de três horas depois, no Fórum de São José. Por determinação do juiz titular da 1a Vara Criminal, Otávio Minatto, familiares e imprensa foram proibidos de assistir à sessão que contou com a presença das quatro testemunhas protegidas, dos advogados e do Ministério Público.
A versão contada durante a sessão foi diferente do depoimento dado a policiais da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), que conduziram o inquérito.
Elas teriam dito para a polícia que ouviram detalhes que incriminam pontualmente alguns dos nove acusados. No Fórum, não confirmaram essa versão. Para o promotor Giovani Tramontin, ficou claro que elas estão com medo ou foram identificadas e obrigadas a mudar a versão.
– Era esperado que fossem pressionadas. Até pela organização criminosa que estamos processando, da qual os componentes são os mais perigosos na hierarquia do crime catarinense – observou Tramontin.
Segundo ele, uma das testemunhas disse que se sente ameaçada e que tem medo de morrer. O promotor ressaltou que mesmo sendo protegidas, são facilmente identificáveis.
Para Tramontin, o defensor de um dos acusados, o advogado José Alencar, as testemunhas disseram que teriam sido forçadas pelos policiais da Deic a dar o depoimento que deram durante o inquérito.
MP diz que novas versões são resultado de ameaças
Segundo o MP, uma das testemunhas que teriam mudado a versão havia reconhecido quatro dos nove acusados como sendo integrantes do primeiro ministério do PGC. A pessoa havia dito também, na fase de inquérito, que o contato externo com os disciplinas da facção nas ruas era feito por advogados. Esta versão incrimina um dos nove réus, a advogada Fernanda Fleck Freitas, segundo o MP.
A testemunha também havia confirmado antes do julgamento a participação no crime dos réus Oldemar da Silva, o Mancha, Fabricio da Rosa e de Rafael de Brito, o Shrek, único foragido do grupo de acusados.
O MP disse que uma das testemunhas de acusação acabou beneficiando um dos réus, Marciano Carvalho dos Santos, pois disse que ele teria se machucado acidentalmente e não levado um tiro de terceiros, no caso da agente Deise Alves, quando esta se defendeu, antes de morrer, na noite de 26 de outubro de 2012. Deise teria morrido no lugar do marido, Carlos Alves, ex-diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara. O motivo seria a gestão linha dura de Alves, que é réu no processo que apura crime de tortura em São Pedro.

 

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 11 DE AGOSTO

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

LIBERADO

Depois de mais uma vistoria no final da tarde de sexta-feira, o Corpo de Bombeiros liberou o atestado de funcionamento total do Centro Integrado de Cultura (CIC). Agora só falta a assinatura do Habite-se, que deve sair esta semana

 

ASSUNTO: SEGURANÇA PÚBLICA

Veículo: Diário Catarinense

A polícia que o Brasil precisa

A desmilitarização da polícia pauta debate sobre a necessidade de se repensar a atual estrutura

Começou com a forte repressão da Polícia Militar (PM) de São Paulo nos protestos de junho e se fortaleceu com o recente desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, na favela da Rocinha, no Rio.
Tema de duas propostas de emenda constitucional esquecidas no Congresso, a desmilitarização da PM virou sinônimo do clamor popular por uma polícia mais próxima da comunidade e mais transparente na prestação de contas de suas ações. Na esteira do debate sobre a desmilitarização, temas como ciclo único (polícia responsável tanto pela prevenção e repressão ao crime quanto pela função judiciária), corrupção nas corporações e mais eficiência na investigação vem à tona.
O Brasil só perde para Venezuela e Colômbia em taxa de homicídios na América Latina, conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), e tem a maior quantidade de mortes violentas do mundo em números absolutos, com cerca de 50 mil por ano – a Índia, segunda colocada, tem 40 mil homicídios por ano, com população cinco vezes maior que a brasileira. Para piorar, a taxa de solução desse tipo de crime no Brasil é de apenas 8%. E ainda tem os cerca de 8,6 mil casos que não entram na estatística, conforme revelou na semana passada o Mapa dos Homicídios Ocultos, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Em maio de 2012, a Dinamarca chegou a recomendar, na reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que o Brasil extinguisse a Polícia Militar. A Anistia Internacional tem a mesma postura, em defesa da unificação das polícias num padrão civil. Já o sociólogo Marcos Rolim é adepto da ideia de manter as duas polícias, mas com ciclo completo em ambas, sendo os casos divididos por tipo de delito.
– O problema é que temos duas metades de polícia que ficam brigando uma com a outra e não compartilham informação – observa Rolim.

À semelhança das Forças Armadas

Por trás do termo desmilitarização há ainda outro aspecto sensível: a PM é constitucionalmente definida como uma força reserva do Exército, portanto, submetida a um modelo organizacional concebido à imagem e semelhança das Forças Armadas em questões de hierarquia e disciplina.
– Na medida em que não estão organizadas como polícias, mas como pequenos exércitos, os resultados são, salvo honrosas exceções, os desastres que conhecemos: ineficiência no combate ao crime, insensibilidade no relacionamento com os cidadãos – enumera o antropólogo Luiz Eduardo Soares.
Essa característica estrutural teria reflexos no treinamento dos soldados, voltado para combater o inimigo e não para mediar conflitos sociais. Na maioria dos Estados foi a tropa de choque que atuou nos protestos. Sobraram críticas e denúncias de abusos.

“Desmilitarizar é tirar a hierarquia e a disciplina”

Jair Tedeschi / Ex-secretário de Segurança do Distrito Federal

Coronel reformado da PM do Distrito Federal há 17 anos, Jair Tedeschi diz temer que a desmilitarização da polícia enfraqueça a hierarquia e a disciplina que sustentam a instituição há mais de 200 anos. Em entrevista, Tedeschi falou sobre mudanças na formação da polícia brasileira.

Tem sido cada vez mais frequente o questionamento sobre a ação policial. O Brasil precisa repensar o seu modelo de atuação da polícia militar?
Jair Tedeschi – A sociedade se rebela contra o cerceamento de qualquer direito, ela esquece que tem dever. Ela quer ter o direito de se manifestar de forma mais livre possível, então inventaram a nova bandeira da desmilitarização. A Polícia Militar recebeu essa denominação por causa da sua criação, mas hoje é muito mais cidadã. Ela é uma força militar reserva do Exército para ser empregada numa situação extrema, mas ela está à disposição do Estado. Ela vem se transformando cada vez mais numa polícia cidadã.

Você é contra a desmilitarização?
Tedeschi – Desmilitarizar é tirar a hierarquia e a disciplina. Você tem uma instituição como a Brigada Militar aí no Sul, e a Polícia Militar, que são bicentenárias e estão vivas até hoje porque são calcadas em hierarquia e disciplina.

Mesmo no modelo que está posto, o treinamento da polícia poderia ser menos voltado para o enfrentamento?
Tedeschi – O treinamento militar acabou. Se você pegar hoje o currículo de formação de qualquer academia vai encontrar matérias realmente muito mais voltadas para o social. Hoje nos quartéis não existe mais esse negócio de ficar em forma, de fazer educação física, de treinar tiro. À exceção das unidades de choque, que são um pouco mais aquarteladas.

E qual sua opinião sobre a unificação das polícias Civil e Militar?
Tedeschi – Falando como cidadão, não como policial, eu quero uma polícia que me proteja. Eu quero ter uma entidade que me defenda, que esteja na rua evitando crime e que esteja apurando crime. Se for uma polícia única, tudo bem. Acho bom unificar, mas será que todo mundo aceita? No início de Brasília, nos anos 60, era uma polícia única, a Guarda Especial de Brasília. Depois é que se separou. Poderia ter sido um embrião, mas não foi essa a ideia. Se funciona? Funcionou naquele período.

 

Pistas para repensar

MENOS VIOLÊNCIA

– A campanha pela desmilitarização ganhou força depois da repressão truculenta às manifestações de rua, principalmente no centro do país.

– Desvincular a PM das Forças Armadas. Acabaria com a hierarquia militar interna, abrindo mais a instituição.

– Poderia resultar em um enfraquecimento da instituição, calcada em hierarquia e disciplina inspiradas no Exército.

MAIS TRANSPARÊNCIA

– Há uma demanda por mais proximidade dos policiais com as comunidades e mais transparência na prestação de contas de suas ações.

– Aumentaria o índice de confiança popular na polícia.

– Não há contrariedade nesse ponto.

CICLO COMPLETO

– A PM começa o que não termina e a Civil termina o que não começa. Há quem defenda a unificação das polícias, sob estatuto civil. Outras correntes pregam pela manutenção das forças Civil e Militar, mas ambas com ciclo completo, desde o patrulhamento até o inquérito.

– Com polícias de ciclo completo, unificadas ou não, seriam solucionados problemas de concorrência entre as duas estruturas hoje existentes e de baixa cooperação mútua.

– Funções de patrulhamento e de investigação são consideradas muito distintas. Além disso, a separação aumentaria os mecanismos de controle, uma estrutura regulando a outra.

CARREIRA ÚNICA

– Há um corte horizontal na estrutura interna das polícias. Delegados e oficiais têm carreiras distintas de inspetores e soldados. Em outros países, um patrulheiro pode progredir até chefe de polícia.

– Aumentaria a perspectiva de progredir na carreira.

– Criaria uma demanda por recrutas mais especializados já no processo seletivo inicial.

PADRONIZAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS

– Os procedimentos das polícias, nem sempre claros, deveriam ser mais abertos. Na Inglaterra, a cartilha de procedimentos policiais é vendida em livrarias, disponível à população.

– Aumentaria a consciência pública em torno dos procedimentos policiais.

– As profundas diferenças regionais por vezes impediriam soluções padronizadas.

Fontes: Fábio Motta Lopes, delegado e diretor da Divisão de Ensino da Acadepol, Jair Tedeschi, coronel reformado da Polícia Militar do Distrito Federal, Luiz Eduardo Soares, antropólogo e ex-secretário nacional de Segurança Pública, Marcos Rolim, sociólogo e consultor em segurança pública, Maurício Santoro, cientista político e assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil.

 

“A PM é treinada para enfrentar o inimigo”

Maurício Santoro / Assessor da Anistia Internacional no Brasil

Em entrevista, o cientista político Maurício Santoro, assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, explicou o posicionamento favorável à extinção da Polícia Militar e unificação das polícias num padrão civil. Confira os principais trechos:
 

O atual momento do país gerou questionamentos em torno da estrutura da polícia brasileira. O Brasil precisa repensar o seu modelo de polícia?
Maurício Santoro – É uma pauta que não nasceu agora, mas ganhou um novo gás porque um conjunto muito significativo de pessoas da classe média, que não costumam ser vítimas da violência policial, passaram a ser, e isso gerou uma revolta. Em alguns lugares, como no Rio, tem havido uma interlocução entre os ativistas de classe média e os moradores das favelas. Isso ficou muito evidente no caso do Amarildo, que está simbolizando de uma maneira muito forte vários problemas que envolvem a Polícia Militar e a segurança pública.

O que você pensa sobre a unificação das polícias Civil e Militar?
Santoro – Nossa posição (da Anistia Internacional) é de que a polícia brasileira seja unificada num padrão civil. Uma polícia de ciclo único, responsável tanto pelas funções de prevenção e repressão ao crime quanto da polícia judiciária. O modelo policial do Brasil coloca duas polícias num nível de cooperação frágil, isso acaba criando um ambiente que favorece o crime. A persistência da impunidade, a enorme dificuldade da polícia investigar a si mesma, a existência de uma Justiça Militar dificulta muito qualquer reforma.

Uma polícia nesse formato seria mais transparente?
Santoro – Seria mais transparente, teria uma melhor prestação de contas, teria um outro tipo de relação com a sociedade. A lógica da Polícia Militar, sobretudo no Brasil, que é um braço das Forças Armadas, é de combate, ela é treinada para enfrentar o inimigo. Só que isso é uma situação de campo de batalha e não de segurança pública, que deveria ter um outro tipo de diálogo, um envolvimento mais forte com o dia a dia das comunidades onde ela atua. Uma outra situação que a militarização também atrapalha muito no Brasil é que ela cria uma estrutura hierárquica muito rígida, de modo que um policial que queira criticar um superior que esteja numa atitude ilegal não vai encontrar ambiente favorável, pelo contrário.

 

ASSUNTO: Pichações em Blumenau

Veículo: Diário Catarinense

DELITO: Pichações no alvo da polícia

A Polícia Civil começou investigações para tentar identificar os vândalos que picham edificações e monumentos. Por falta de denúncias, a própria prefeitura fez o registro que levou à abertura do inquérito policial.
O secretário de Defesa do Cidadão em Blumenau, Marcelo Schrubbe, revela que a polícia já teria, inclusive, um suspeito que estaria cometendo os delitos em diversas regiões. Na última semana, o aumento das pichações na cidade e a dificuldade em combater o problema foi assunto tratado pelo Jornal de Santa Catarina, do Grupo RBS, em Blumenau.
O tema foi levado à primeira reunião do Grupo de Gestão Integrada Municipal de Segurança Pública (GGIM), a pedido do prefeito Napoleão Bernardes. O grupo é formado por entidades de diversos setores do município, entre eles as polícias Civil e Militar.
Ausência de denúncias dificulta fiscalização
De acordo com o secretário, durante a reunião, a Polícia Civil relatou que não há denúncias da população, e por isso não existia um inquérito para investigar os atos de vandalismo.
– Nós pressionamos para que eles investigassem e há um suspeito, mas as investigações ainda estão em curso – declarou.
Mesmo com a apuração da polícia, Schrubbe destaca que as denúncias da comunidade são importantes para que o autor das pichações possa ser preso em flagrante.
– Por isso, pedimos o apoio da comunidade, para que denuncie os casos pelo telefone 156 da Ouvidoria. As empresas que possuem circuito fechado de vigilância também podem ajudar no combate. Caso tenham imagens de flagrantes, basta informar pelo mesmo número – reforçou o secretário.

 

ASSUNTO: Dia dos Pais

Veículo: Diário Catarinense

SEIS EM CADA DEZ: AUSÊNCIA PATERNA MARCA INTERNOS

Mais da metade dos adolescentes internados por tráfico, homicídio e assalto têm em comum uma infância sem pai

Conhecedoras dos caminhos da delinquência juvenil, as assistentes sociais e psicólogas dos centros de recuperação do Estado conseguem encaixar as perguntas certas para abrir corações e mentes dos adolescentes internados por tráfico, homicídio e assalto. Eles mencionam fatos nada surpreendentes como uso de drogas, pobreza e ausência do pai – seis em cada 10 internos do Estado nunca compraram um presente para entregar no segundo domingo de agosto.
Vinculada à disciplina e ao estabelecimento de limites, a figura paterna tem papel decisivo na formação da personalidade de uma pessoa e a ausência influencia numa possível entrada no mundo do crime. Esperar que o mundo eduque é insuficiente, diz a juíza Sonia Moroso, da 1a Vara Criminal de Itajaí e madrinha de uma instituição para crianças e adolescentes.
– Se a autoridade não é exercida, a criança cresce sem regras e há mais facilidade em ultrapassar os padrões de normalidade – afirma Sonia.
Mas os especialistas ressaltam que não existe uma relação de causa e efeito e não significa que todo órfão de pai será delinquente. Se fosse assim, faltariam vagas no sistema socioeducativo. Ocorre que a participação do pai internaliza conceitos éticos e de cidadania num processo que começa desde o nascimento, conta Maria de Lourdes Trassi Teixeira, supervisora do Curso de Psicologia da PUC-SP.
Segundo Maria de Lourdes, o contato desde os primeiros dias de vida reforça os vínculos afetivos do futuro adolescente com a pessoa tomada como exemplo. Ela declara ainda que ouvir “não” nos primeiros anos de vida mostra que alguém se importa e não deseja que a criança seja exposta a situações perigosas. Ser criado sem atenção leva a ignorar os demais.
O psicólogo do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude do Ministério Público, Marlos Terêncio, ressalta que a ausência do pai traz prejuízos, mas pode ser remediada. Um tio, avô ou professor ou até um figura feminina pode desempenhar o papel de imposição de regras, visto que 37% das famílias são chefiadas por mulheres de acordo com o censo do IBGE. Ocorre que as famílias não recebem a orientação e o acompanhamento necessário para nomear alguém que imponha regras e crie senso de responsabilidade nos jovens.
Quando nada disso acontece, o jovem vai parar num centro de recuperação que em Florianópolis tem o sugestivo nome de PAI – Plantão de Atendimento Inicial.
Vontade de estar próximo foi transformada em ódio
O jovem de 17 anos nem sabe quantas vezes esteve na cela da delegacia, mas acredita estar perto da vigésima. Por trás da grade ele diz que se considera um órfão de pai vivo. A distância não é uma opção do garoto que foi atrás do pai diversas vezes. Sempre ignorado, desistiu e a vontade de estar próximo virou ódio.
Ambos ficaram próximos quando o jovem foi apreendido pela primeira vez. O pai apareceu para reclamar que não gostava de vagabundo e partiu para cima. Socos até cair no chão, pontapés enquanto estava caído e por fim golpes com fio de luz. O garoto diz que começou no crime por necessidade aos 12 anos e se hoje o pai aparecer para bater nele vai ter briga de igual para igual.
 

Como identificar indícios

Se a falta de limites é um dos fatores numa equação de inúmeras variáveis que pode levar a delinquência, é importante que a família saiba identificar os sinais de que uma criança ou adolescente está sendo criado sem os limites necessários. E os indícios existem em qualquer idade, explica a supervisora do Curso de Psicologia da PUC-SP, Maria de Lourdes Trassi Teixeira. Ela ajuda a identificá-los e como reverter quadros de jovens indisciplinados.

BEBÊS

Pode ser percebida quando não é possível determinar qualquer tipo de disciplina nos horários de comer e dormir.

CRIANÇAS

Comer apenas as coisas que deseja, como salgadinhos, bolachas, bala, e os responsáveis não inserirem novos ingredientes. Não dividir os brinquedos.

PRÉ-ADOLESCÊNCIA

Não acordar no horário correto de ir para a escola e desrespeitar os limites fixados para usar a internet ou ficar no videogame.

CUIDADOS

O princípio psicológico é quem ama impõe limites, ação associada à repressão, mas que demonstra que existem pessoas que se preocupam com a criança ou adolescente e não querem vê-la exposta a perigos. As crianças e adolescentes querem satisfação imediata e os pais devem repassar a noção de recompensa a longo prazo.

RECUPERAÇÃO

É bastante complicada na adolescência, por isso é vital prevenir na infância. Quando o problema está instalado precisa haver muito diálogo e também valorização das qualidades e potencialidades do adolescente. O mais comum é apontar os defeitos e erros e recuperar em cima das sanções, mas esta atitude distancia ainda mais.

 

 

PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA 12 DE AGOSTO

 

COLUNISTA RAFAEL MARTINI – Diário Catarinense

MUITA GENTE…

Os números são do Deap: o sistema prisional do Estado recebe, por dia, 17 novos detentos, uma média de 510 presos por mês. A cada 60 dias são mil pessoas a mais. Em setembro, Santa Catarina deve bater na casa dos 18 mil presos.

 

COLUNISTA MOACIR PEREIRA – Diário Catarinense

Cerco policial

Policiais civis liderados pelo Sinpol vão continuar protestando contra o governo estadual. Onde o governador Raimundo Colombo estiver participando de atos ou cumprindo agenda, lá estarão os policiais com camisetas pretas pedindo melhores salários. Durante a semana, os policiais farão doação de sangue no Hemosc.