Área do associado

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UMA CIDADE CONFLAGRADA, por Carlos Chagas

5.11.2012

 

 
“Em São Paulo, a guerrilha virou guerra. Oitenta e seis policiais militares e 18 agentes penitenciários foram assassinados este ano. Mais 65 civís só nos últimos dez dias. Ignora-se quantos traficantes, mas, pelo menos, o dobro. Acima e além desse conflito declarado entre polícia e bandidos, a verdade é que escoou pelo ralo o conceito de segurança pública. Meliantes de toda espécie transitam pela cidade, prontos para a cada esquina e a cada minuto assaltar, roubar, invadir, seqüestrar e matar. Sair às ruas, em especial depois que o sol se põe, é uma temeridade, não só na periferia, mas nos Jardins e no Morumbi. A maior e mais rica comunidade do país transformou-se num campo de batalha, com direito à extensão ao entorno e a outros centros nem tão próximos assim.
 
 
Autoridades e a mídia não conseguem mais minimizar a conflagração. Há que noticiar os crimes, como prometer providências, mesmo sem expor inteiramente o caos que assola São Paulo. Estariam os governantes temerosos da reação inevitável do cidadão comum, prestes a alistar-se nos batalhões da justiça pelas próprias mãos? Logo assistiremos a participação de todos no confronto que o poder público não consegue mais conter. O número de paulistanos armados multiplicou-se. Quem não tinha revólver agora tem. E leva na cintura, na bolsa ou no carro, quando precisa deixar sua casa. O infeliz que vem na calçada em sentido contrário é o inimigo. Quem atravessa a rua no farol é um potencial ladrão do veículo cujo motorista encontra-se pronto para arrancar, avançando o sinal vermelho. No bar, senta-se na cadeira encostada na parede, para garantia da retaguarda. No ônibus, finge-se ler um jornal ou uma revista, mas presta-se mesmo é atenção no vizinho do lado ou em pé diante do suposto leitor. Quem fica parado diante da vitrina para conhecer a mais nova parafernália eletrônica é filmado e vigiado lá de dentro. Olhar nos olhos, aproximar-se do outro sem razão plausível, pedir informação ou ficar na fila do metrô contando moedas tornou-se um risco, já que ninguém garante tratar-se de gestos naturais ou da preliminar de um assalto ou coisa pior. Daqui a pouco será melhor atirar primeiro e perguntar depois.
 
O que imaginam fazer Geraldo Alckmin e agora Fernando Haddad? Podem muito pouco. Mas também movimentam-se cercados de seguranças e por montes de correligionários. O perigo imediato não é com eles, estarão blindados. Vale o mesmo para o prefeito Kassab e, com um pouco de sorte, para seus secretários. Também permanecem protegidos os potentados financeiros e seus pimpolhos, envoltos no cinturão da segurança privada. Mas o povo? Aquela outrora comunidade amena, amável, simpática e feliz vai-se transformando em tropa de choque privada, para sua própria preservação. Mesmo assim, sem conseguir…
 
 
(Esse desabafo vai por conta de quem pretendia passar o fim de semana na paulicéia mas achou melhor voltar no mesmo dia.)”
 
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COMENTÁRIO:
Trata-se de tragedia anunciada.
“No momento que “autoridades e estudiosos” passaram a justificar os bandidos, dizendo que os mesmos procedem desta forma por “culpa” da sociedade e que são “vítimas” do descasso das pessoas “de bem”, tudo passou a ter uma explicação. E a criminalidade continuou aumentando.
Nossas “autoridades”, mesmo percebendo que a violência crescia, não disponibilizaram as Forças de Segurança os meios necessários para que pudessem realizar com eficacia as ações de prevenção. E, para piorar, criaram leis que estão a favorecer os delituosos, em detrimento do povo ordeiro.
Sabemos que a polícia faz o que pode com os meios existentes. Entretando, o estado não disponibiliza locais adequados onde os condenados possam cumprir suas penas. A maioria das cadeias estão em péssimo estado.
A Sociedade Civil Organizada, – que registra um número considerável de vítimas – tende a não assumir sua responsabilidade e “joga” a violência para a polícia, como se ela fosse a única a combater os marginais. É querra entre policía e bandido e “nós” não temos nada com isto. Fica a pergunta? De onde saem a maioria dos criminosos: Da Sociedade Civil Desorganizada? Ou…
Quando o estado não dá os meios de segurança necessários para que o povo tenha tranquilidade, o mesmo tende a procurar seus próprios meios de defesa. Afinal! A vida vale muito e não será um ordenamento jurídico que não o protege que irá defender sua vida…daí..
Apesar da negativa do referendo, o governo tratou de “desarmar” as pessoas de bem, dando aos marginais, ao invés do ônus da dúvida, a certeza de que não os possuímos os meios adequados de defesa.
E o problema não é só de São Paulo; está se espalhando por todo o Brasil. Infelizmente.”
Fico por aqui.
 
Edu